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Estado de Minas Fim de ano

Para cintilar

Mercado de moda festa recupera espaço e aposta nos brilhos para garantir o glamour


26/12/2021 04:00

Vermelho
M. Rodarte (foto: Gustavo Marx/Divulgação)


Ao contrário das previsões feitas no período mais severo da pandemia, o que se percebe é que a moda é mesmo uma caixinha de surpresas. Quem acreditava em propostas mais comportadas, em looks atemporais, constata que, à medida que o tempo passa, com a vacinação avançando, a roupa de festa vai retomando seu espaço de glamour e o que não falta são os brilhos do lurex, os bordados em paetês, os tecidos que cintilam.
 
Se as marcas especializadas tiveram que recuar em detrimento do estilo comfy, que imperou na primeira onda pandêmica, agora chegou a hora da virada e a palavra da hora é celebrar. Exemplo mais significativo veio da Skazi, no último desfile que realizou no Minascentro, uma verdadeira ode a esse esprit du temps.
 
Azul
Skunk (foto: Divulgação)
 
 
Buscando inspiração na era disco, tanto a cenografia quanto a coleção desfilada usou e abusou do maximalismo, com uma apresentação over temperada com os códigos da época: plumas e paetês, mix de cintilações, sobreposições e uma sensualidade atrevida. Let’s Dance era o convite da Skazi em seu manifesto, que expressava um desejo geral – quem não quer fechar o ano no ritmo de uma balada regada com boa música, se confraternizar com a família e os amigos a essa altura do campeonato?
 
Vestido verde
Skazi (foto: Zé Takahashi/Divulgação)
 
 
Na verdade, como rememoram os especialistas, a volta por cima em momentos difíceis é típica da história da moda. Quando a Primeira Guerra Mundial terminou, vieram os anos loucos, na década de 1920, trazendo no seu bojo várias mudanças no comportamento e na estética, como a abolição do espartilho e da linha da cintura, comprimentos mais curtos, muitas franjas, cabelos curtos, que traduziam um novo estilo de vida das mulheres.
 
Brilho
Bárbara Bela (foto: Divulgação)
 
 
E logo depois do maior segundo maior conflito do mundo, Christian Dior virou a chave inaugurando um novo ciclo com o New Look e resgatando a elegância em saias volumosas e femininas, proposta que impactou uma Europa completamente devastada pela guerra.
 
Embora agora não existam transformações radicais na silhueta, o retorno das coleções de moda festa é consequência natural após uma época de reclusão social. Mesmo as marcas que não trabalham exclusivamente no segmento, como a Skunk e a Amicci, não se furtaram em oferecer pelo menos uma pequena linha em lurex como solução ao mesmo tempo prática e sofisticada para as festas de final de ano.
 
Fass Brand
Flávia Soares com look Fass Brand (foto: Divulgação)
 
 
“O maximalismo é uma tendência, ele retorna com força. Existe o desejo das pessoas de se socializarem, de recuperarem o tempo perdido. Quem esperava que as mulheres voltassem a brilhar, a usar saltos altos? É meio paradoxal e imprevisível, mas é o que está acontecendo”, observa a estilista e stylist Giselle Said.
 
 
Bordados em paetês fazendo o maior sucesso
 
Marina Rodarte, proprietária e coordenadora de estilo da Marrô e na M. Rodarte, ambas da área de festas, tem detectado a demanda no showroom. “Além dos brilhos, os lojistas estão procurando por vestidos sensuais, curtos, decotados, com fendas. Lançamos uma linha com bordados em paetês que está fazendo o maior sucesso”, ela conta.
 
A empresária revela que já havia percebido essa tendência, em setembro, quando participou de uma feira em São Paulo e voltou para Belo Horizonte surpresa com o boom de vendas. “Acho que isto significa a esperança de tempos melhores para o comércio com o retorno das celebrações. Por aqui, o resultado do último Minas Trend foi surpreendente”, garante.
 
Na linha de frente com as clientes, Flávia Soares, que comanda a Fass Brand, também investiu nos fios brilhosos. Com um currículo robusto e vários cursos relacionados à moda, entre eles o de fashion style, ela, que já teve loja em Londres, também concorda que a onda esteja ligada a esperança. Essa tendência dos anos 1970, 1980, veio com muita força e acredito que a alegria vibrante dessas épocas serve como refúgio, injetando doses de otimismo em um momento pré pós-pandêmico. As pessoas querem se libertar dos confinamentos, é a era lets` party”, comenta.
 
Os brilhos estão mesmo em evidência nas escolhas femininas, segundo Flávia. Ultrapassaram a tradição de serem permitidos apenas à noite e invadiram o dia. “Para não ter erro, minha sugestão é misturar estilos diferentes para evitar o look com “cara de balada”. Por exemplo, você pode usar uma saia de paetês midi com uma t-shirt e tênis branco. Vai ficar um charme”, garante.
 
Em seu recente desfile, a Bárbara Bela também revelou que acredita na pauta, elegendo alguns dourados da coleção, que está na nova loja, no Vila da Serra. Zeca Perdigão, responsável pelo styling, destacou três momentos especiais. O conceito, de acordo com ele, foi desconstruir os looks com uma pegada mais urbana para evitar a “montação”.
 
“Usei sandálias rasteiras com amarração nos tornozelos, por exemplo. Acho que hoje a moda é democrática e, guardados o bom senso e com informação, fica mais fácil não incorrer em erros. Breguice e cafonice não estão nas roupas, mas nas pessoas”, frisa, acrescentando que estar de bem com a moda, hoje em dia, inclui saber quebrar regras. 


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