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Estado de Minas Outono-inverno

Sonho de liberdade

Inspirado nas viagens do seu fundador para divulgar suas roupas, Balmain cria coleção remetendo a uniformes de aviadores e roupas de astronautas


04/04/2021 04:00

(foto: balmain/divulgação)
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Pierre Alexandre Claudius Balmain, mais conhecido como Pierre Balmain, saiu do curso de arquitetura para os ocupar lugar nos ateliês de alta-costura de Paris e, de lá, o seu lugar definitivo no mundo da moda com a sua maison.
 
(foto: balmain/divulgação)
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Foi no pós-guerra, em 1945, que o corajoso Pierre Balmain criou sua própria maison para atender a elite parisiense. Seu estilo trazia o retorno da opulência, do charme e da elegância, batizado por ele como “o novo estilo francês”. Sempre prezou pela qualidade e era rigoroso no trabalho, a ponto de destruir um vestido se durante as provas não estivesse com a estrutura correta, porque “nem mesmo um belo acessório poderia salvá-lo”. Pode-se dizer que ele foi o um rei da moda francesa no pós-guerra, e vestia várias estrelas, primeiras-damas e até mesmo rainhas.
 
(foto: balmain/divulgação)
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Depois do triunfo de sua primeira apresentação de alta-costura, Balmain seguiu a sugestão da amiga Gertrude Stein e viajou mundo afora atuando como embaixador de sua marca. Cruzou os Estados Unidos dando palestras sobre a cultura francesa e o seu savoir vivre. Levou sua alta-costura para Londres e a Austrália.
 
(foto: balmain/divulgação)
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Foram essas viagens de divulgação de seu trabalho que serviram de inspiração para a equipe de criativos da marca na elaboração do outono-inverno 2021. A dificuldade e os problemas mundiais vividos em 2020 geraram um pós-2020, e isso tornou mais fácil para a equipe Balmain apreciar o quão empolgantes as viagens devem ter sido para o seu fundador. “Após os difíceis anos de guerra e ocupação, surgiu de repente a possibilidade de escapar para destinos que ele sonhou durante anos, e deve ter sido incrível”, diz o diretor criativo Olivier Rousteing.
 
(foto: balmain/divulgação)
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A apresentação de outono-inverno da Balmain trouxe coleções masculinas e femininas que canalizaram essa sensação de liberdade que tem sido o desejo e anseio da população mundial, que está vivendo cerceada por causa da pandemia do COVID-19. A proposta é lembrar o poder que as viagens têm em abrir mentes, animar espíritos e reunir aqueles que foram mantidos separados, pois todos nós esperamos pelos dias melhores que logo chegarão.
 
(foto: balmain/divulgação)
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Vários modelos remetem à beleza dos uniformes dos primeiros pilotos e astronautas, como os vestidos de paraquedas, botas de voo com cordões, jaquetas bomber e macacões cintilantes. Uma peça particularmente notável, com mais de 68 mil cristais Swarovski reciclados, reflete o cuidado do ateliê em trazer ousadia às inspirações de aviador.
 
(foto: balmain/divulgação)
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Os acessórios têm um papel importante nesta coleção. Macias e estruturadas, as bagagens de mão são cobertas com uma grande variedade de cores, tecidos e estampas relançados pela Balmain, e as bolsas são um show à parte. Alguns designs dos acessórios remetem a bússolas, aviões de papel e almofadas de pescoço de viagem.
 
(foto: balmain/divulgação)
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Por ser uma marca francesa, mais especificamente, parisiense, a coleção apresenta sempre um toque despretensioso da cidade em cada look. Os criativos também trouxeram o glamour das viagens de meados do século passado, refletido nas elegantes linhas da coleção ELY 64-83, batizada com o nome da central telefônica da casa: ELYsées 64-83, que também deu seu nome ao primeiro perfume da label. Essa linha, inspirada pelo design de Pierre Balmain do início dos anos 1970, remete às silhuetas femininas lançadas por ele no início de sua criação.
 
(foto: balmain/divulgação)
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Para quem não sabe, Balmain se antecipou a Christian Dior no lançamento de roupas com cintura bem marcada e saias mais compridas e rodadas, e foi pioneiro na criação de uma linha prêt-à-porter que vendeu nos Estados Unidos (1951). O estilista conseguiu traduzir a moda francesa em roupas que a mulher americana podia usar. Criou a estola, feita dos mais diversos materiais, que se popularizou. Seu estilo valorizava o corpo da mulher, equilibrando o clássico com uma pitada de extravagância. Tornou-se conhecido pelas saias de corte A, com uma base larga e uma cintura fina. Nos anos de 1950, se popularizou com vestidos com transparências, casacos cintados, capas, etc.
 
(foto: balmain/divulgação)
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Seguindo a tendência mundial, que não terá retorno, a coleção outono-inverno 2021 é genderless, com várias peças iguais tanto para o feminino quanto para o masculino, outras são variações sobre o mesmo tema. A grande diferença fica por conta das saias e vestidos, mas no quesito tecidos são os mesmos: tecidos tecnológicos, metalizados, lãs, tricôs, etc. A cartela de cores é basicamente a mesma, predominância do verde militar, preto, off-white, vermelho, azul-marinho, prata, dourado. Para a coleção feminina, rosa, azul-claro…  A estampa com a logomarca da maison é presença garantida.
 
O conforto foi o ponto de partida, sem contudo perder a elegância. Apesar de apresentar muitas peças justas e saias e vestidos em vários comprimentos, inclusive o míni, as peças oversize também se destacam na estação mais fria do ano no olhar da Balmain.
 
(foto: balmain/divulgação)
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Um pouco da história Pierre Balmain nasceu em 1914, na cidade de Saint Jean de Maurienne, no Sul da França, e desde pequeno costumava desenhar vestidos. Como já falamos acima, fez arquitetura na Escola de Belas Artes de Paris, mas um dia mostrou seus esboços para o estilista Edward Molyneux, que se encantou com o trabalho, e lhe ofereceu um emprego como aprendiz em sua maison, onde Pierre ficou por cinco anos. Em 1936, Pierre foi chamado para cumprir o serviço militar obrigatório. Quando saiu, em 1939, se juntou à maison do estilista Lucien Lelong, onde foi colega de Christian Dior e com quem trabalhou durante a ocupação alemã em Paris.

Em 1943 – durante a guerra –, o jovem estilista desenhou um vestido de crepe preto que fez muito sucesso e que deu o impulso decisivo em sua carreira. Com o fim da guerra em 1945, Pierre Balmain resolveu criar sua própria maison.

Até 1972, Pierre Balmain desenhou peças para 16 filmes de Hollywood e franceses, incluindo o famoso “E Deus criou a mulher”, que apresentou Brigitte Bardot ao mundo. Assinou também uniformes para aeromoças. Isso lançou Balmain para o mundo e para a alta sociedade.
 
Pierre Balmain faleceu em 1982, e a marca passou a ser comandada por Erik Mortensen, assistente pessoal de Balmain e o colaborador mais próximo do estilista. Infelizmente, foi sob esse comando que a Balmain começou a sua derrocada. Foi um declínio lento. Em 1992, Oscar de La Renta assumiu o cargo de diretor criativo. No início dos anos de 2000, a Balmain estava à beira da falência e tinha caído no ostracismo.
 
Mas ela renasceu das cinzas, como uma fênix. Sua recuperação começou quando Christophe Decarnin assumiu o posto de diretor criativo, em 2005, salvou a marca da falência e a colocou de volta nos holofotes da moda. O estilista ficou conhecido por investir em um estilo que remetia à herança couture de Balmain, misturando essas referências com o universo do rock. Criou coleções inspiradas em músicos e ícones fashion, como Prince e Michael Jackson.
 
Em 26 de abril de 2011, Olivier Rousteing assumiu como diretor criativo – cargo que ocupa até hoje –, com apenas 25 anos de idade. O jovem elevou a marca a uma potência ao longo dos anos. Teve a difícil missão de conquistar a nova geração de consumidores e transformar a Balmain em uma grife global. Vale ressaltar que a marca não tinha projeção e tinha uma única butique, em Paris. No começo, sua moda sexy, com roupas justas, cheias de recortes, foi massacrada pela crítica especializada, que achou tudo muito vulgar. Mas as peças se tornaram objetos de desejo. Olivier conseguiu quebrar as regras e criar um conceito de empoderamento e feminismo.
 
Oliver recuperou a imagem da Balmain, expandiu a marca, ampliou e diversificou o portfólio. Convidou celebridades jovens do momento para estrelar campanhas de lançamento, como por exemplo a cantora Rihanna (2014), ficou amigo de Kim Kardashian e outras influencers e converteu isso em valor e vendas. Em 2015, lançou uma coleção em colab com a varejista H&M, que arrastou milhões de mulheres para as lojas da marca sueca. Em 2016, o Mayhoola, fundo de investimentos controlado pela família real do Qatar (proprietária também da Valentino), adquiriu a grife por 500 milhões de euros, que pertencia aos herdeiros do empresário Alain Hivelin, responsável por ressuscitar a Balmain nos anos 2000. A partir de então, voltou a ser uma marca desejada no universo da moda.
 
A marca lançou novos produtos, como uma linha de roupas para crianças de 6 a 14 anos (2016), linha de acessórios (2017), linha de batom (2017), coleção cápsula com a Victoria’s Secret (2017). Em 2019, retornou à alta-costura, depois de 16 anos.
 
Olivier Rousteing já marcou a história. Após assumir em 2011, a marca aumentou sete vezes seu faturamento. A moda masculina representa 40% da receita, e passou de uma loja em Paris para 35 lojas em todo o mundo. Com mais de 5,9 milhões de seguidores no Instagram (@olivier_rousteing), Oliver é o estilista mais popular da plataforma.


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