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Estado de Minas Arte final

Publicitários recebem Hélio Faria com festa no céu


27/09/2020 04:00 - atualizado 29/09/2020 16:20

Hélio Faria foi pioneiro na publicidade e depois encantou e emocionou gerações nas artes plásticas(foto: Arquivo de família/Divulgação )
Hélio Faria foi pioneiro na publicidade e depois encantou e emocionou gerações nas artes plásticas (foto: Arquivo de família/Divulgação )

 
Publicitário, escritor, artista plástico... Como definir um homem que sempre esteve à frente de seu tempo? Um dos fundadores da publicidade mineira, Hélio Jardim Faria se tornou sinônimo dela por décadas de trabalho pioneiro. Pensar fora da caixinha, para ele, era simplesmente o normal. Depois de criar legados e mais legados para várias gerações de publicitários, ele nos deu o melhor de seu talento nas artes plásticas. Guiado por uma fé inabalável, dedicou-se à pintura sacra e registrou seus sentimentos em incontáveis telas. Simultaneamente, imprimiu em 24 livros sua percepção pueril do mundo, voltando-se para a literatura infanto-juvenil. E assim Hélio Faria nos brindou com 91 anos de intensa convivência com seu talento divino.

Ele nasceu em Belo Horizonte, em 21 de janeiro de 1929. Tornou-se um dos maiores publicitários de Minas Gerais e do Brasil, antes de deixar aflorar seu dom para o mundo das artes. Foi diretor de arte da Standard Propaganda, sediada em Belo Horizonte; diretor de arte e subgerente do BH Office da McCan Erickson Publicidade por dez anos; fundador e presidente da AMP – Associação Mineira de Propaganda – fundador da Asa Criação de Publicidade, da L&F – Lacerda e Faria Publicidade e também da Faria Publicidade, onde desenvolveu brilhantes trabalhos e pavimentou a estrada para milhares de profissionais do mercado mineiro da publicidade.

PRÊMIOS E HOMANAGENS Pioneiro, ao longo da carreira, Hélio Faria se tornou referência do estado e teve seu reconhecimento por intermédio de vários prêmios. Entre os mais importantes, Grande Prêmio JB (1966 a 1967); Publicitário do Ano (1967); Grande Prêmio Estado de Minas (1970); Prêmio de Colunista/São Paulo (1974 e 1975; Mérito Legislativo na Câmara Municipal de Belo Horizonte (1982); Medalha Santos Dumont (1985), Medalha Honra ao Mérito (1990) pelos serviços prestados à Santa Casa de Misericórdia de Belo Horizonte. 
Também foi homenageado, em 1991, pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte; no Centenário do Palácio da Liberdade, em 1997, recebeu uma medalha e depois uma homenagem especial pela AMP aos 50 anos de publicidade em 2.000. 

DOM DIVINO Como pintor, seu talento rapidamente extrapolou as montanhas das Gerais. Por mais de quatro décadas, ganhou admiradores por onde passou em diversas exposições realizadas em Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Santa Catarina. Suas obras estão expostas em museus, igrejas e escolas de várias cidades.

Mas seu inconfundível traço atravessou o Atlântico e foi parar Velho Continente. Uma delas - “A entrada do Papa em Belo Horizonte” - feita exclusivamente para o Papa João Paulo II, foi entregue pessoalmente ao sumo pontífice em visita ao Vaticano. É uma das seletas obras expostas no núcleo oficial da Igreja Católica e encontra-se no apartamento Borghia, na área moderna do Museu do Vaticano.

Sua literatura também não ficou restrita às nossas montanhas. Com várias obras publicadas e traduzidas em diversas línguas, seu livro “Nosso irmãozinho menor”, o único livro católico editado em húngaro, idioma nativo homenageado na Feira Internacional do livro, em Frankfurt, naquele ano. “Procuro, de certa forma, produzir inspirado pela educação infantil e motivado por uma mesma pedagogia cristã. Como disse Jesus, ‘vinde a mim os pequeninos”, afirmou o artista à época.

ADEUS Na véspera do início da primavera (21/09), a estação mais bela do ano, ele foi chamado para sua nova jornada. Deixou esse plano e foi encontrar-se com seus diletos amigos que partiram antes. Sua partida provocou comoção nos parentes e amigos. Devido à pandemia, a cerimônia fúnebre foi restrita aos familiares. Mas inúmeras homenagens e manifestações foram registradas por amigos em suas redes sociais e também por entidades, tais como a AMP e SINAPRO-MG. 
Além da esposa Ângela Machado Faria, Hélio Faria deixa os filhos Cid Marques Faria, Hélio Marques de Faria, Frederico Faria, Maria Claudia Marques Faria, Cristina Marques Faria e Alexandre Jardim Faria. E mais 14 netos e 17 bisnetos e uma legião de fãs e admiradores.

 
"Quando estou pintando, eu quero parecer uma criança alegre, brincando, com seus brinquedinhos preferido" (foto: Arquivo de família/Divulgação )
 
 
Talento que vem de Deus
 
"Se Deus meu dá um bom dom, eu posso devolver a ele." A expressão foi usada pelo próprio Hélio Faria no programa Minha história de fé. Na edição exibida em maio de 2017, na TV Horizonte, ele se autodescreveu com simplicidade quase pueril: "Meu nome é Hélio; Hélio Jardim Faria. Sou publicitário e artista plástico. Hoje, mais artista plástico. Eu deixei a publicidade há algum tempo". Em entrevista a Isabela Stehling, ele narra como se deu a transição da publicidade para as artes plásticas. Revela como aflorou seu dom para a pintura e explica de onde vem sua devoção pela arte sacra e de onde tirou inspiração para pintar o papa chegando a Belo Horizonte montado em um burrinho. Hélio Faria descreve a sensação de pintar, agradece o amor e o incentivo incondicional da esposa, Ângela, e fala de sua última grande obra: o livro 50 anos de arte sacra. Veja a transcrição dos principais trechos do programa, que ainda está disponível no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=uH-6xCl2ETM&fbclid=IwAR3l9grkM7E2FEYVZE295kYHwj9YtRMRlW-bbt2FSkeF01aOzSYo43do8SQ)

REVELAÇÃO  "Como é que veio essa força, essa força que me puxou para a religião, para destacar a fé? Foi quando eu encontrei o pessoal do Encontro de Casais com Cristo. Uma turma, vamos dizer assim, dedicada, rapazes, homens, todo tipo de gente. Mas principal e unicamente é necessário que tenha fé. E essa fé é que vai dirigir, determinar tudo o que eles vão fazer. Depois da primeira vez que fiz o encontro, que são três dias, fins de semana, eu me engajei, vamos dizer assim, no encontro, e comecei também a trabalhar, a dar palestras, enfim, devolver aquele bem que tinha recebido, que é uma fé. Tive um contato, com dom Serafim. Ele me convidou para trabalhar com ele. Eu fazia de tudo e comecei, inclusive, a produzir, junto com o arcebispo, seu programa semanal de televisão. Foi uma experiência muito agradável, muito. Foram 10 anos, até que por uma série de razões eu saí. E descobri o meu dom para a pintura. Se Deus meu dá um bom dom, eu posso devolver a ele. É o que estou fazendo."

BRINCADEIRA SÉRIA   "Tenho sorte de ter a minha mulher, a Ângela, que me incentiva muito. [...] Todo esforço que tenho, divulgando a arte sacra, Deus me compensou me dando uma família maravilhosa. Quando o papa veio aqui, eu fiz um quadro dele em uma rua mineira, montado num cavalinho, que era quase uma brincadeira, mas uma brincadeira séria, tanto que ele gostou. [...] Meu trabalho mais recente, que chamei 50 anos de arte sacra, fiquei um ano trabalhando. E tem uma diferença fundamental para os outros (livros): ele não tem texto."

DIVERSÃO "Quando estou pintando, eu quero parecer uma criança alegre, brincando, com seus brinquedinhos preferidos. Essa é a sensação que tenho quando pinto. Sem modéstia nenhuma, a arte infantil é para mim a melhor arte que existe, porque ela diverte a gente, ensina a gente como se fosse uma brincadeira. Eu fiz vários livros com arte infantil e gosto muito."  
  
"Um homem de fé"
 
Ângela Faria, a amada esposa, por ocasião do lançamento da última grande obra do artista, o livro "Arte Sacra - 50 anos de artes plásticas", ao destacar o trabalho do marido, sua dedicação à arte, cunhou a mais bela das definições do marido:
 
"[...] Foram muitos anos de dedicação, de criatividade. Mas, principalmente, de muito amor e de muita fé. Eu vi cada tela dessas nascer. Acompanhei a evolução dele como artista, a quantidade de pesquisa técnica e religiosa que ele faz para pintar cada um desses quadros. Através da leitura bíblica, ele transporta a história para perto de nós. Para a nossa sorte, Jesus falava muito nas montanhas. E Minas Gerais é só montanha, né? Não demorou para o Hélio perceber como aquilo seria representativo para nós. É uma contribuição inesgotável, porque de uma sai outra, sem fim. A inspiração vem sempre do alto, tenho certeza. Hélio é, sobretudo, um homem de fé"  
 
Hélio Faria com a família:
Hélio Faria com a família: "Recompensa divina" (foto: Arquivo de família/Divulgação )
 
 
Seu novo anúncio
 
A família, apesar de consternada pela perda irreparável, prefere aplacar a dor imaginando sua chegada triunfal no céu. No texto preparado especialmente para a coluna Arte Final, a família descreve ele sendo recepcionado por ninguém menos que nosso querido e saudoso Edison Zenóbio, ex-diretor-geral do Estado de Minas e criador da coluna Arte Final, e por outros grandes e talentosos amigos, que partiram antes para o andar de cima. Juntos novamente, se organizam na primeira reunião de briefing para criar o anúncio publicitário da chegada de Hélio Faria no céu: 
 
"Ele não para. Ficamos pensando na imagem da sua chegada no céu com seus pincéis, quadros, tintas e, principalmente, sua cabeça cheia de ideias. Já deve ter procurado seu cantinho e montado seu cavalete. Possivelmente, vai ficar até mais fácil, pois vai estar rodeado dos anjinhos que sempre pintou. Antes de começar a trabalhar, educado e gentil como sempre foi, vai procurar o Zenóbio e agradecer esta linda homenagem que recebe da Arte Final. Depois de um longo abraço e matar a saudade, combinam de fazer um anúncio, logicamente:
 
Festa no céu. A Associação Mineira de Propaganda Celestial convida todos os seus associados para comemorar a chegada de mais um membro. 
 
Layout do Hélio Faria, texto do Márcio Prado e atendimento do Edgar Melo. Não tem como Deus não aprovar. Aprovado com louvor.
 
Vai ser uma linda festa, provavelmente com muitas lembranças e casos da Gruta Metrópole. Os membros da AMPC são muitos, todos queridos e amigos do Hélio Faria. A festa vai ser de arromba no céu. Pois, agora, o seu Hélio já pode tomar umas, não é mesmo?
 
É assim que queremos lembrar do "BEM", seu Hélio Faria, Zu, Zupitanga, Vô Bigode. Um marido dedicado, certamente o mais apaixonado que conhecemos. Um pai exemplar, referência de integridade e amor ao próximo. Um avô bem-humorado, simples e atencioso. Um profissional querido por todos, mestre de muitos e como muitos dizem, uma unanimidade. Um artista plástico que deixa uma obra única, com traços marcantes e de uma beleza quase infantil, como ele mesmo se referia à sua própria obra. Enfim, um legado maravilhoso e que muito nos honra.
Hélio Faria tinha 91 anos. Casado há 51 com Ângela Maria Jardim Machado Faria, pai Cid Marques Faria, Hélio Marques de Faria, Frederico Faria, Maria Claudia Marques Faria, Cristina Marques Faria e Alexandre Jardim Faria. E mais 14 netos e 17 bisnetos. Toda a família agradece as várias mensagens de apoio e conforto e explica que devido à pandemia não houve velório e o enterro foi restrito aos familiares". 
 
 


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