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Estado de Minas ENTREVISTA/FELIPE HADAD - 33 ANOS, NUTRICIONISTA

Nutricionista por paixão

Frustrado por não gostar do curso que desejou fazer desde a infância, Felipe não se conformou, concluiu o curso e recomeçou do zero nova carreira, na qual se sente realizado e já é destaque no ramo


postado em 05/04/2020 04:00

 

(foto: Daniel Henrique/divulgação)
(foto: Daniel Henrique/divulgação)


Desde criança, Felipe Hadad sonhava em cursar direito, apesar de não ter ninguém da área na família. Durante o curso, percebeu que não queria seguir a carreira. Apaixonado por esporte e pela boa saúde, concluiu direito e foi incentivado a fazer nutrição. Decidiu começar do zero e hoje é sócio da clínica Be light Estar Bem. Apaixonado pela profissão, tem se destacado cada dia mais, fazendo palestras Brasil afora. Em tempos de isolamento social, está atendendo on-line, uma vez que o Conselho Federal de Nutrição deu permissão para este período de confinamento.

 

Fale um pouco de quem é você.

Sou filho único, meus pais são Vânia Hadad e Alexandre Myrrha. Nasci em Belo Horizonte e desde criança sempre gostei de praticar esportes. Era muito alérgico e por isso entrei cedo na natação. Gostava tanto de esportes que em determinado momento, quando estava no ensino fundamental, mudei de colégio. Fui para um que incentivava mais o esporte.  Tomei gosto pela atividade física. Participava das equipes de handebol, volei, e ainda fazia musculação. Foi por causa do esporte que busquei orientação nutricional, ainda na adolescência. Infelizmente, na época, não tive bons resultados dentro da performance que buscava.

 

"Independentemente da idade que se começa a enviar nutrientes para os neurônios, eles serão reorganizados e passarão a funcionar de forma mais saudável"

 

 

Foi por isso que fez nutrição?

Não. Cursei a Faculdade de Direito. Sempre quis fazer direito sem saber por quê. Idealizava isso. Na minha família não tem ninguém na área, nem advogado, nem juiz. Não gostei do curso desde o início, mas mesmo assim insisti. Quando estava na metade do curso percebi que não era o que queria, mas decidi terminar. Continuei mesmo em conflito, sem saber o que ia fazer quando me formasse, porque uma certeza eu tinha: não queria exercer a profissão. Só que também não sabia o que fazer depois que saísse da faculdade.

 

E o esporte neste processo?

No meio do curso comecei a praticar futebol americano, além da musculação. Tinha um amigo que praticava o esporte e me levou para o Minas Locomotiva, hoje, America Locomotiva. Na época não tinha seletiva, era mais amador. Hoje, este esporte já evoluiu muito no Brasil. Vários times grandes de futebol abraçaram a modalidade. Enfim, fui em um treino e gostei muito da proposta do esporte, tanto da parte física quanto mental. Exige concentração, foco e inteligência no planejamento das jogadas. Nessa  época, por causa deste esporte, precisei muito de um bom plano alimentar. Um colega do curso de direito indicou uma clínica, marquei hora e fui. Por essas ironias do destino, tinha lá duas profissionais homônimas e eles acabaram marcando com a profissional errada. Mas foi um erro que deu certo. Hoje somos sócios.

 

Desta vez o tratamento nutricional deu certo?

Sim, isso foi em 2008. Gostei muito da proposta que me foi apresentada. Na época, eu já estudava muita coisa de nutrição por conta própria. Sempre fui interessado no assunto, porque esta questão alimentar é muito importante para quem pratica esporte. Passei a estudar ainda mais. O tempo passou, continuei a dieta e os esportes. No fim do curso de direto, minha namorada –  que hoje é minha esposa, Sarah, me incentivou a mudar de área, e ir para nutrição. Fui muito direto com ela e disse que se começasse um curso novo não poderíamos nos casar até me formar e me estabelecer no mercado. Ela disse que me esperaria. Foi o que eu precisava para ir em frente.

 

Gostou do curso?

Quando ventilei a possibilidade de fazer nutrição escolhi uma faculdade perto da minha casa para facilitar. Estava cansado de atravessar Belo Horizonte para estudar. Comecei sem muita expectativa. Apesar de gostar do assunto, foi mais como um teste. Mas no segundo semestre comecei a fazer um estágio na clínica da minha nutricionista, na clínica Be Light Estar Bem, e aí tudo mudou. Passei a gostar mais do curso e aproveitar bem mais. Quando terminei a faculdade, me tornei sócio da clínica, onde atendo até hoje.

 

Como os seus pais reagiram a essa mudança toda?

Meus pais acompanharam de perto toda a minha angústia no curso de direito. Assim que falei que tinha decido fazer nutrição, apoiaram a decisão. Meu avô, Elias Hadad, médico, foi um dos que mais gostaram da nova escolha. Eu tinha 27 anos e me achava velho para um novo curso. Porém, ou era naquela hora ou me arrependeria dali a quatro anos, quando estaria me formando. Depois que comecei o estágio percebi que era o que queria de verdade.

 

Em quais áreas da nutrição você atua?

O que me deu gosto pela nutrição foi o esporte. Depois, outras áreas despertaram meu interesse. Hoje, atuo mais na nutrição preventiva focada no bem-estar, longevidade, prevenção de doenças, fertilidade e na neuronutrição, apesar de atender muitos atletas também e pessoas em busca de resultados estéticos. Sempre aliando as queixas e objetivos dos pacientes aos exames de sangue que solicito para melhor estruturar o plano alimentar e a distribuição de nutrientes.

 

Fale um pouco da neuronutrição e em que ela atua.

Neuronutrição é a parte da nutrição que observa as demandas nutricionais do sistema nervoso central e os nutrientes necessários para equilibrá-lo, bem como favorecer a síntese de neurotransmissores. Existem vários conceitos relacionados ao funcionamento das nossas células e com os neurônios isso não é diferente. Para manter um bom funcionamento cerebral e de neurotransmissores precisamos de nutrientes. À medida que fui me aprofundando mais, vi que havia uma parte da nutrição voltada para o envelhecimento. Comecei a estudar mais sobre o envelhecimento celular tanto dos neurônios quanto das demais células do nosso corpo e descobri uma pós-graduação em São Paulo – a primeira turma que estava começando no Brasil – com o tema “Modulação não hormonal associada ao envelhecimento” (FAPES). O objetivo era estudar toda a parte hormonal associando a alimentação à melhora dessas funções. Tudo isso focado no envelhecimento saudável. Comecei a pós em 2018 e finalizei no início deste ano.


É possível então prevenir o mal de 

Alzheimer com um programa alimentar?

Sim, é possível. 

 

Com qual idade devemos começar este programa para atuar preventivamente?

Aparentemente, o processo de senescência a nível de neurônio começa, em média, aos 27 anos. E hoje, uma das coisas que mais aceleram esse envelhecimento é o estresse. Acaba virando uma bola de neve, pois as pessoas estão cada dia mais estressadas. O processo fisiológico de resposta ao estresse crônico promove envelhecimento celular generalizado – pele, cabelo, unha, etc.

 

Para as pessoas mais velhas isso não adianta mais?

Nosso neurônio é muito sensível, e é muito “plástico”. Tem capacidade de se adaptar quando recebe novos estímulos. Antigamente, acreditava-se que o cérebro não se alterava depois de certa idade, que as lesões eram imutáveis e permanentes. Há algum tempo surgiu esse conceito da neuroplasticidade, da maleabilidade neuronal, que é a capacidade do neurônio de se adaptar mediante estímulos diferentes. Independentemente da idade que se começa a enviar nutrientes e novas informações para os neurônios, eles serão reorganizados e passarão a funcionar de forma mais saudável.

 

Quais alimentos são bons para a prevenção do Alzheimer?

É fundamental dizer que não se previne o mal de Alzheimer apenas com alimentação. A atividade física é indispensável, além de bons hábitos de vida. Nossa musculatura é uma fábrica de medicamentos adormecida. Só produz substâncias benéficas se a colocarmos para funcionar. Nutrientes importantes para a prevenção do Alzheimer são as vitaminas A, C, E, D, B6, B12, B9, por sinal, toda a família complexo B. Complexo B é vida. Minerais como selênio, cobre, zinco e ferro também são muito importantes. Ingerir uma variedade de alimentos de verdade, tanto em cores quanto sabores, é fundamental, pois assim recebemos uma grande variedade de nutrientes. E é importante falar do intestino neste processo. Quem tem uma boa saúde intestinal tem chances reduzidas de desenvolver boa parte das doenças crônicas não transmissíveis que nos afetam hoje em dia. O mal de Alzheimer é uma delas.


Certa vez, li um artigo seu sobre a influência da alimentação na depressão. Como é isso?

Uma das doenças de maior incidência na nossa sociedade atualmente é a depressão e um dos fatores que podem contribuir ou agravar a depressão é o aumento do estresse. O mecanismo pelo qual isso ocorre envolve o aumento da produção do cortisol (hormônio do estresse), que em excesso é capaz de, principalmente, reduzir a produção de neurotransmissores, reduzir a síntese de proteínas e aumentar o estresse oxidativo nas nossas células.

 

Quais alimentos mandam nutrientes para os neurônios?

Em primeiro lugar, quem se alimenta de forma restrita tanto em quantidade quanto variedades tende a desequilibrar os níveis de cortisol, entre outros hormônios, e isso pode levar inclusive a ganho de peso. Ou seja, a pessoa está fazendo dieta para emagrecer, mas na verdade acaba engordando. Isso é algo muito comum que vejo hoje em dia na prática clínica. Algo que acaba afetando também o funcionamento cerebral. Não quer dizer que a restrição não possa ocorrer, mas precisa ser no momento correto e o corpo precisa estar preparado para recebê-la. Para pensar nos neurônios, precisamos começar reduzindo o cortisol. Níveis altos de cortisol podem reduzir a produção de dopamina, grande responsável pela nossa motivação. Importante também reduzir a inflamação crônica de baixo grau provocada pelo sedentarismo, obesidade e maus hábitos, como tabagismo e excesso de álcool. Essa inflamação de baixo grau pode, principalmente, reduzir a produção da serotonina, que tem um papel significativo no controle da ansiedade. Alimentos que não podem faltar em caso de depressão são alimentos ricos em triptofano, como carnes brancas, semente de abóbora, banana, lentilha e nozes, além das vitaminas necessárias para sua síntese. E aqui entra mais uma vez a importância do complexo B.

 

Estamos em tempos de pandemia. É importante aumentarmos nossa imunidade. O que podemos fazer?

O sistema imune é muito importante. O coronavírus é grupo devírus descoberto nos anos 60, sendo o covid-19 um novo agente de coronavírus. Como ele é muito novo e o vírus da gripe sofre constantes mutações, não possuímos memória imunológica para ele, que é a capacidade de o sistema imunitário reconhecer de forma mais rápida aquele micro-organismo e iniciar uma resposta imunológica. Esse é um dos motivos pelo qual observamos um número tão alto de contágios, além da alta resistência do vírus e a sobrevivencia em relação a outros tipos de vírus. Foi publicado pela escola médica de Harvard um artigo recente mostrando que essa espécie sobrevive até quatro horas em superfícies de cobre, 24 horas em papelão, e dois a três dias em plástico e aço. E estamos cercados desses materiais em tudo que fazemos.  E pode permanecer no ar por até três horas. Ambientes  úmidos são mais propícios para o contágio. Atualmente, nada substitui as recomendações dadas de isolamento social para os grupos de risco, principalmente porque 80% das pessoas contaminadas são assintomáticas. Mais efetivo até do que o álcool em gel é a água e o sabão. Como esse vírus possui membrana lipídica (gordura), o sabão é capaz de quebrar essa gordura e destruir o chamado envelope viral. A alimentação neste caso é importante para fortalecer o sistema imune e ajudar na recuperação da gripe caso a pessoa seja sintomática. Principalmente nos grupos de risco, a melhora do sistema imune é fundamental. Mas precisamos nos lembrar de que uma boa imunidade não depende apenas da alimentação, mas também de um sono reparador, moderação nas atividades físicas, consumo adequado de água, bom funcionamento intestinal e gerenciamento de estresse. Para melhora da imunidade temos o chá de equinacea, unha-de-gato, gengibre, calêndula, vitaminas do complexo B, vitamina C, zinco, vitamina D, e alimentos antioxidantes, como brócolis, cenoura, laranja, romã, nozes, gema de ovo, couve, espinafre, kiwi e abacate.

 

Quais os planos para a clínica?

A Be Light existe desde 2006. Em 2019, fizemos uma grande ampliação e aumentamos nossa estrutra para oferecer profissionais de outras áreas. Entendemos que a saúde da pessoa é multifatorial. Tendo uma equipe mais completa é melhor, pois falamos a mesma língua e trabalhamos em conjunto em prol da qualidade de vida e bem-estar geral do corpo. Contamos com profissionais de várias áreas: médicos (endocrinologia e dermatologia), nutricionistas, fisioterapeuta, educadores físicos, estética avançada e psicologia. Tudo voltado para tratar o cliente como um todo 


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