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Estado de Minas NOVIDADE

Co-working: trabalho e criação compartilhada

Belo Horizonte ganha o Co.crie. um coworking especializado em moda, que oferece vários serviços e mentorias para pequenos e médios empresários da área


postado em 25/08/2019 04:00 / atualizado em 22/08/2019 11:42

Manequins na entrada do Co.crie sinalizam a vocação da empresa a moda(foto: Iara Cunha/divulgação)
Manequins na entrada do Co.crie sinalizam a vocação da empresa a moda (foto: Iara Cunha/divulgação)


Uma jovem formanda buscando uma colocação de trabalho, um pai empreendedor e com muitas conexões, uma ideia que combina perfeitamente com o momento atual: compartilhar. São esses os elementos que costuram a história profissional de Luana Gonçalves, designer de moda, 24 anos, que inaugurou, recentemente, o Co.crie, o primeiro coworking de moda de Belo Horizonte. Não foi fácil concretizar esse sonho em tempos de economia difícil, mas o acaso contribuiu trazendo o interesse de empresários curitibanos, que enxergaram no projeto possibilidades de bons negócios.
 
 
A partir de então, os pequenos e médios produtores de moda e design da cidade podem contar com um espaço colaborativo totalmente adequado para atender suas demandas, desde a concepção e desenvolvimento de coleções até a produção de imagens em estúdio fotográfico, além de estações de trabalhos, sala de reuniões e local para realização de palestras, workshops, cursos ou oficinas. São 540 metros quadrados no pilotis de um prédio em Lourdes, projetados pelo Base, escritório de arquitetura de Sarah Banet e Bruna Griebel. As duas sócias captaram a amplitude do conceito e entregaram à cliente um local funcional, agradável e bonito.
 
Espaço da estação de trabalho(foto: Iara Cunha/divulgação)
Espaço da estação de trabalho (foto: Iara Cunha/divulgação)
 
 
No dia seguinte à inauguração, Luana já estava a postos para fazer a prospecção de clientes e o calendário de eventos. “Eu nunca quis ser uma empreendedora, entrei no projeto para ajudar meu pai mas, à medida que tudo ia acontecendo, fui me envolvendo, escrevi o plano de negócios e, agora, é arregaçar as mangas para trabalhar”, conta a estilista que se graduou em Design de Moda, em 2016, no Centro Universitário Una e planejava seguir o caminho da criação.
 
O que surgiu como opção, no primeiro momento, foi um emprego na loja da Virgínia Barros, marca de calçados de BH, onde ficou até metade de 2017. Mas ela sentiu que aquilo não era suficiente, desejava mais e, assim, rumou para São Paulo com a intenção de cursar uma pós-graduação, fazer alguns cursos livres para melhor se equipar profissionalmente. “Não me adaptei na cidade e voltei seis meses depois. Mas, quando cheguei, meu pai me disse que havia encontrado uma história muito interessante que, talvez, fosse adequada para mim. Um coworking de moda”.
 
Slogan do Co.crie sintetiza a filosofia da empresa(foto: Iara Cunha/divulgação)
Slogan do Co.crie sintetiza a filosofia da empresa (foto: Iara Cunha/divulgação)
 
 
Por que coworking? Ronaldo Gonçalves, o pai, homem de muitos amigos e de muitos projetos, trabalhou anos como representante comercial do grupo Positivo, em Minas Gerais e no Nordeste, e já estava nesse modelo de negócios, em outra segmentação, desde que criou o Semear Inovation. Com a saída da Localiza do edifício Séculus, o prédio ficou vazio e ele reuniu ali, entre os andares, uma turma de jovens inteligentes e antenados em tecnologia, trabalhando em sistema colaborativo.
 
A história a que Ronaldo se referia era o Malha, no Rio de Janeiro, especializado na área fashion e referência na mesma. Luana passou um mês em estágio voluntário na empresa carioca desvendando suas entrelinhas,  observando, participando de reuniões. “O pessoal foi fantástico comigo, eles abriram tudo, acertos e erros. Mas o que eles ofereciam era diferente do que concebemos para o Co.crie, era mais voltado para vendas, eventos, com a área de costura terceirizada, ao contrário do que temos aqui”, relata Luana.
 
Decisão de empreender no segmento tomada, quando tudo caminhava para a execução do plano, com inauguração do negócio prevista para abril, a Séculus, patrocinadora em questão, voltou atrás, desistiu do investimento. “Fui para o Rio em janeiro de 1918. Voltei e já tínhamos começado a obra, quando aconteceu esse contratempo. O jeito foi engavetar a ideia, porque não havia capital familiar para fazer o investimento sozinhos. Foi bem decepcionante na época, passou muita coisa pela minha cabeça, inclusive que eu devia ter ficado em São Paulo e arrumado um emprego na cidade”.
 
Luana Gonçalves é a responsável pelo working de moda(foto: Iara Cunha/divulgação)
Luana Gonçalves é a responsável pelo working de moda (foto: Iara Cunha/divulgação)
 

Reviravolta Mas, vida que segue, ela arrumou uma colocação na equipe de estilo da Luíza Barcelos e, quando estava na área de conforto, gostando do emprego, veio outra virada, mais uma vez protagonizada pelo pai. Ronaldo convidou uma empresa investidora para vir a Belo Horizonte para conhecer as startups abrigadas no Semear Inovation, com a intenção de divulgá-las e despertar o interesse de se investir nelas. No final do dia, chamou os convidados e disse que ele também tinha um projeto na cabeça, com obra iniciada, e que gostaria de apresentar o lugar para o grupo. “Eles foram, escutaram as explicações e, ao final, disseram que iriam pensar. Quando chegaram em Curitiba, ligaram dizendo que queriam investir no Co.crie”.
 
Diante disso, veio a necessidade de fazer algo bem-feito, com múltiplas funções, a partir de uma concepção arquitetônica planejada. Ela conheceu o trabalho de Sarah e Bruna no instagram, gostou muito das propostas das moças, e as contratou para cuidar de tudo. “Eu já tinha o nome e foi uma correria para inaugurarmos o mais rápido possível. Foram  três meses de obra”.
O local foi pensado de maneira a ofertar o maior número de serviços possível na área da moda. No amplo ambiente, estão dispostas cinco mesas de corte e modelagem, 11 máquinas de costura, 24 mesas e cadeiras nas estações de trabalho, uma sala de reuniões, um pequeno estúdio fotográfico, um espaço para alimentação, duas cabines para reuniões rápidas, uma área de descanso e outra destinada a cursos, palestras, workshops, mentorias em geral.
Há ainda, uma terceira área externa para eventos de toda a sorte, como lançamentos de produtos, desfiles, happy hours. “A gente oferece toda a infraestrutura. As mesinhas de trabalho são retráteis, podem ser fechadas para se ter mais espaço, no caso de um desfile no interior. No setor de desenvolvimento de coleções, as pessoas vão modelar, pilotar, prototipar e costurar”, enumera Luana.
Outra notícia boa é o fechamento de uma parceria com a Una, cuja participação efetiva se dá por meio de comodato das máquinas de costura. Em contrapartida, os alunos da faculdade de moda terão acesso aos serviços do coworking. Na parte de pesquisa de moda, por exemplo, poderão dispor da plataforma Use Fashion, com número de acessos ilimitados.
 
O foco, segundo a dublê de estilista e empresária, é todo tipo de público, mas, particularmente, as pequenas e médias empresas que não têm como bancar espaços físicos e equipamentos para desenvolver seu trabalho. “Acho que o slogan que criamos e que fica bem na entrada – O nosso coworking de moda -  sintetiza o nosso espírito”.
 
Entre os tropeços para colocar o projeto em pé e o final de sucesso, ela não deixa escapar uma observação: “Foi preciso um investidor de fora acreditar e arriscar-se no mercado mineiro, perceber o potencial de um nicho de mercado carente de espaço e serviços no segmento da moda”.


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