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Carnaval sem fantasia

Foliãs que se divertem em blocos de rua de Belo Horizonte trocam roupas que remetem a personagens por peças que permitem várias combinações e não escondem a sua personalidade


postado em 24/02/2019 05:08

Dercy(foto: luiza ananias/divulgação)
Dercy (foto: luiza ananias/divulgação)



Em uma cidade reconhecida pela moda, não poderia ser diferente. O carnaval de rua de Belo Horizonte não economiza em criatividade e estilo. As mulheres já não querem mais aquelas fantasias batidas de fada, índia ou sereia e apostam cada vez mais em roupas com brilho e cores vibrantes para criar o seu próprio look para a folia. Marcas carnavalescas da capital acompanham a tendência e desenvolvem peças que nem são chamadas de fantasia.


Uma das marcas de carnaval que fogem do rótulo de fantasia é a Dercy. A estilista Alice Corrêa prefere dizer que faz figurinos com inspiração carnavalesca. São peças com muitas cores, brilho e ousadia, mas sem uma temática definida. Para ela, isso vem de encontro ao desejo da foliã de mostrar a sua personalidade. “O ressurgimento do carnaval de rua de BH trouxe a vontade das pessoas de se produzirem de forma livre e espontânea, em vez de padronizar o estilo com fantasias prontas”, observa.


A proposta da Dercy não é montar o look completo, mas oferecer peças que possam ser combinadas como a cliente preferir. Por isso, as hot pants continuam a ser campeãs de vendas. “Acho que elas são indispensáveis para o guarda-roupa de qualquer carnavalesca. Podem ser usadas em todos os dias e permitem criar várias combinações”, opina Alice, destacando a sua versatilidade. Uma das novidades deste ano são as hot pants com paetês coloridos que formam um efeito furta cor.
A marca também inovou nesta coleção ao lançar peças únicas, como o microvestido de paetês em listras com babados na saia e nas mangas e o body com franjas que fazem as vezes da saia. “Aumentamos a parte de baixo para dar mais conforto às mulheres que ainda têm receio de sair só de body”, explica Alice. A meia arrastão com brilhos e cristais é outra opção para quem não quer mostrar muito o corpo. Ombreiras e tules estruturados dão volume às peças.


Comandada por três mulheres (mãe e filhas), a Viva Bossa se posiciona como uma marca de moda carnavalesca. Para Gabriela Ruas, as roupas que não se definem como fantasia ajudam os foliões a se expressar de forma genuína. “Carnaval não é mais só uma festa, se tornou uma manifestação popular, então nada mais justo que ter a possibilidade de mostrar quem você é de verdade através de muita cor e brilho. A nossa identidade está associada à alegria e liberdade”, comenta.
Para fugir do óbvio, a marca apresenta uma saia de macramê de fitas coloridas de cetim, que pode ser usada por cima de maiô ou de hot pant. Quimonos e boleros com mangas amplas e amarração na frente são opções de terceira peça para compor qualquer produção. O que não falta, desde a primeira coleção, é o hot short. “Ele virou a nossa marca registrada. Parece hot pant, mas não é cavado atrás”, informa. A peça desejo está disponível em seis cores brilhantes, paetês e estampa de escamas.


O carnaval está no DNA da Laiê, mas a marca sempre quis fazer roupas sem uso limitado. Logo, não há nada de fantasia nas coleções. Peças lisas, mas ultracoloridas (muitas em néon), podem ser combinadas sem restrições. “Pensamos em quem quer usar a criatividade para fazer as suas próprias combinações e mostrar algo original, que não vai ter igual. Isso também tem muito a ver com a vontade do público de comprar peças que vai conseguir usar depois do carnaval”, diz a designer Ana Pinheiro.


Entre os lançamentos deste ano, destaque para a saia transparente de organza furta-cor e o body empina bumbum com recortes na lateral do corpo. “Utilizamos pela primeira vez um tecido holográfico que tem um brilho muito colorido e é super-resistente. É para cair na folia mesmo”, avisa Ana. Falando nisso, todos os tops, hot pants e bodies da Laiê são feitos com tecidos à prova de água e podem sair dos blocos de carnaval diretamente para a praia ou a piscina.

CRIATIVIDADE A busca por fantasias menos óbvias fez a estilista Carolina Azevedo, da Karola Store, enxergar um novo nicho de mercado. Há três anos, ela lança coleções de carnaval, mantendo o cuidado com design, acabamento e qualidade da matéria-prima. Dessa forma, desenvolve peças que duram muito tempo e podem ser usadas em ocasiões diferentes. “Percebo que as pessoas estão querendo exercer a criatividade. Elas vão juntando roupas e acessórios e compõem uma fantasia única”, aponta.


As roupas, até então básicas, estão cada vez mais elaboradas. “Fomos por um caminho mais diferente e pesquisamos materiais diferenciados. Então, uso plumas, franjas, patches bordados e tecidos holográficos”, destaca. A aposta da Karola para este carnaval são os bodies que parecem ser uma junção de short e top. A parte de baixo é metalizada e a de cima tem tule com aplicações de abacaxi, concha, tucano ou coração. Até agora, a peça mais vendida é o body de paetês com plumas nos ombros.


Para os homens, uma alternativa às fantasias comuns são os ternos da linha happy da Cia do Terno. O conjunto não foi pensado especificamente para o carnaval, mas acabou fazendo sucesso entre os foliões. “Começamos a enxergar a possibilidade de deixar os ternos, normalmente associados a momentos formais, mais divertidos”, conta o sócio Bernardo Magalhães. Paletó, calça e gravata têm a mesma estampa. Atualmente, as opções são notas musicais, naipes de baralho e corujas.


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