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Estado de Minas "A REALIZAÇÃO DO CORAÇÃO DO BRASIL"

Brasília foi o mais ambicioso projeto do arquiteto


postado em 06/12/2012 08:24 / atualizado em 06/12/2012 08:18

(foto: Jose Medeiros/O Cruzeiro/Arquivo Estado de Minas )
(foto: Jose Medeiros/O Cruzeiro/Arquivo Estado de Minas )

Oscar Niemeyer gostava de repetir: “A Pampulha foi o início de Brasília”. O mais ambicioso projeto do arquiteto surgiu com as mesmas linhas curvas do espaço que Juscelino Kubitschek havia lhe encomendado para Belo Horizonte. “Foi a mesma correria, o mesmo idealismo e a preocupação com os prazos fixados. Em Brasília, realizei meu trabalho de arquiteto. Brasília foi o sonho de JK: levar o progresso para o interior do país”, dizia ele sobre a capital federal, que recebeu o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, em 1987.


Sentimentos de aventura, perseverança e empreendedorismo se mesclaram na epopeia da construção da cidade. As obras levaram apenas 42 meses. Brasília consagrou a arquitetura de Oscar Niemeyer e trouxe autoestima ao brasileiro.
O auge da revolução arquitetônica de Niemeyer se deu nos anos 1950. Depois de inventar a Pampulha, ele aceitou novo convite de JK – dessa vez, para levar a capital brasileira para o Planalto Central, no sertão goiano. Mais uma vez, retomou a parceria com o urbanista Lucio Costa, que o acolheu em seu escritório, no Rio de Janeiro.

A Catedral inconfundível tornou-se exemplo da habilidade de transformar concreto em cartão-postal(foto: AFP PHOTO/Evaristo SA )
A Catedral inconfundível tornou-se exemplo da habilidade de transformar concreto em cartão-postal (foto: AFP PHOTO/Evaristo SA )

Niemeyer passou a liderar equipe de grandes nomes, a exemplo do mineiro Israel Pinheiro, para erguer um dos principais e mais ousados marcos urbanos do planeta. Para ele, o Congresso Nacional é o prédio que melhor representa o espírito empreendedor e sintetiza as soluções encontradas.

“Quando alguém vai a Brasília, pergunto se viu o Congresso Nacional e se achou o projeto bom, certo de que a pessoa poderia ter gostado ou não, mas de que nunca poderia dizer que tinha visto antes coisa parecida”, comentou ele.
Brasília nasceu cercada de polêmica. As críticas à transferência da capital federal do litoral para o sertão não tardaram. Assim como as denúncias em relação aos gastos e à falta de fiscalização do emprego dos recursos. Niemeyer sempre foi defensor do projeto e de sua importância para o desenvolvimento do país. Gostava de responder às críticas argumentando ter empregado materiais mais baratos e disponíveis, como cimento e mármore branco.

Niemeyer também fazia questão de explicar que, além da monumentalidade do conjunto, a cidade nasceu, em 21 de abril de 1960, cercada de significados e simbolismos. O povo brasileiro assistiu à inauguração com misto de entusiasmo e curiosidade. O sonho de JK estava realizado.

O Palácio do Planalto receberá o corpo do mestre nesta quinta-feira(foto: REUTERS/Jamil Bittar )
O Palácio do Planalto receberá o corpo do mestre nesta quinta-feira (foto: REUTERS/Jamil Bittar )

Projetada para chegar ao século 21 com 500 mil habitantes, Brasília atualmente reúne cerca de 2 milhões de moradores – boa parte deles nas cidades- satélites. O que mais chama a atenção no projeto original é o eixo monumental, o corpo do avião do Plano Piloto, com 16 quilômetros de extensão. Os principais prédios e monumentos estão nesse espaço, entre eles a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora Aparecida, espécie de coroa iluminada. A Praça dos Três Poderes, centro do poder republicano, é outro conjunto que desperta atenções: de um lado está o prédio do Supremo Tribunal Federal e, de outro, o Palácio do Planalto.

O Congresso Nacional, um pouco adiante, exibe formas côncavas e convexas do Senado e da Câmara – imagens que não perderam o impacto. Ao longo do Eixo Monumental estão os ministérios, que têm à frente dois edifícios especiais, o das Relações Exteriores e o da Justiça.

O arquiteto e designer gráfico Ricardo Ohtake, autor de livro sobre a obra de Oscar Niemeyer, explica que a importância de Brasília não se limita a termos geopolíticos, econômicos e sociais, mas sobretudo aos aspectos arquitetônicos e urbanísticos. “Aquela foi uma das poucas cidades planejadas do começo ao fim. Brasília é a cidade de maior porte no mundo feita a partir dos preceitos modernistas. Teve organização espacial como nenhuma outra”, afirma.

A capital brasileira simboliza também o contraponto à linguagem modernista surgida depois dos anos 1920. “Oscar quebrou o paradigma das formas retas e ortogonais. Abriu outro caminho, ao se inspirar nas curvas das montanhas e das mulheres para montar sua arquitetura. Achou o novo e saiu da monotonia”, conclui Ricardo Ohtake.

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