Publicidade

Estado de Minas Futebol

O Flamengo da década atual pode imitar o dos anos 80?

O estádio é o mesmo, mas a nação rubro-negra pode ver um período de dominância igual ao da década de 80?


03/11/2020 10:26

(foto: Reprodução/Instagram)
(foto: Reprodução/Instagram)

 
Todo flamenguista sabe o roteiro que fez o time chegar até o atual momento. Depois de anos de diretorias que não se preocupavam com finanças e dívidas, um saldo negativo assustador e completa falta de estrutura, o rubro-negro deu uma virada de 180 graus. Foi difícil, exigiu esforços, mas valeu a pena.

Os torcedores vão para sempre lembrar da virada contra o River nos minutos finais, com dois gols de Gabigol. O cenário era tão improvável que uma vitória do Fla naquela partida ainda no tempo regulamentar pagava mais de 10 para 1 antes do gol de empate. Quem foi otimista ou teve a visão se deu bem. Os atropelamentos contra o Palmeiras e Grêmio também são inesquecíveis. 

Ao abrir o sportingbet e conferir as odds do Flamengo em qualquer campeonato, o time é favorito. Especialmente no Campeonato Brasileiro, onde conquistou o hexa em 2019 e até na Copa Libertadores, onde foi bi também em 2019. 

As odds não mentem: o time é favorito porque tem bons jogadores em quase todas as posições e até no banco. E o público vê o clube como favorito entrando nas competições, apostando nas suas vitórias. Isso irá continuar nos próximos anos devido ao fator econômico.

Essa dominância faz lembrar outra época dourada do clube da Gávea. Mas será que o Flamengo da atualidade pode fazer frente àquela esquadra dos anos 80?


A grandeza é definida pelo domínio de anos


Ter uma fase boa não é algo fácil, mas até times que hoje estão dormentes ou em divisões inferiores tiveram momentos sensacionais. O São Caetano foi vice-campeão da Libertadores e duas vezes vice-campeão brasileiro, por exemplo, no começo dos anos 2000. 
O que diferencia os maiores clubes são os períodos prolongados de sucesso. O Santos de Pelé foi dominante por uma década. A Academia do Palmeiras, o Flamengo de Zico, o São Paulo de Telê Santana doutrinaram por anos.

Por isso qualquer chance do Flamengo atual trazer um sentimento similar aos times de Zico, Junior, Leandro, Tita, Andrade e companhia limitada exige anos e anos de sucesso. O ano de 2019 do Fla foi iluminado, mas os anteriores foram de decepções esportivas, apesar do alto investimento.

Por isso a máquina precisa continuar rodando e trazendo títulos, jogos inesquecíveis e craques que vão entrar na história do clube. 

O desafio é ainda maior


Os mais saudosistas sempre vão falar que o futebol de antigamente era melhor, mais bonito, com melhores jogadores. Claro que no Brasil nosso auge sem dúvida está atrás de nós e agora temos que correr atrás dos europeus, seja nas seleções ou no jogo de clubes.

Só para citar um exemplo claro, o Flamengo campeão da Libertadores de 1981 não tomou conhecimento do Liverpool campeão europeu na final do mundial do mesmo ano, vencendo por 3 a 0. Em 2019 a surpresa foi que o Flamengo teve chances e conseguiu pelo menos ser páreo, mesmo perdendo para um Liverpool desinteressado.

Por isso o desafio de ser o melhor do mundo agora é muito maior: a disparidade econômica é gigante, mesmo o clube carioca sendo uma máquina de receitas no Brasil, nem faz cócegas no poderio do Liverpool, que pode contratar na casa das milhões de libras quando quiser. 

O fato do melhor futebol estar na Europa é outro fator que dificulta a vida do Flamengo atual em igualar o desempenho do Flamengo dos anos 80. Zico saiu para a Udinese em busca de novos desafios após ter sido campeão brasileiro, europeu, mundial e ser camisa 10 em uma Copa do Mundo. Os jogadores atualmente não esperam tanto.

Algo curioso nesse Flamengo atual é que seus grandes craques já deram uma volta pela Europa: Gabriel não deu certo na Itália e Portugal, Bruno Henrique não teve sequência na Alemanha, Pedro pouco ficou na Sampdoria e a lista segue. 

Isso também fala sobre a qualidade dos jogadores. Zico é um dos maiores jogadores brasileiros da história, Junior idem, Leandro, Mozer, enfim, era uma seleção de craques que poderia vestir a camisa da seleção brasileira e não seria uma grande queda de qualidade. Os jogadores atuais do Flamengo são dignos de espaço na seleção brasileira, mas não são seus jogadores titulares absolutos. Não são Neymar, Alisson e Marquinhos.

Não dá para deixar a peteca cair


Mesmo a qualidade inferior dos jogadores do Flamengo atual contra os dos anos 80, um aspecto que este time pode igualar o da fase dourada é o número de conquistas. A disparidade que o Fla conseguiu em relação aos outros times brasileiros – com exceção do Palmeiras e o Atlético-MG com parceiros – permite que o elenco seja reconstruído a todo momento – já que perdas com vendas são normais – e o alto nível seja mantido.

Os próximos anos reservam mais títulos para o Flamengo, sem dúvidas, mesmo que o elenco mude e até os treinadores também (como já aconteceu com Jorge Jesus). Então, no coração do torcedor, os anos 2020 podem ser tão felizes quanto os 1980. E é isso que importa.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade