Publicidade

Estado de Minas EMPREGO

LinkedIn: saiba usar a rede social na disputa pelo mercado

Quais são as principais dúvidas ao criar um perfil e a maneira adequada para usufruir de todas as ferramentas disponíveis para fazer conexões. Aprenda com especialistas


postado em 19/03/2018 09:25 / atualizado em 19/03/2018 11:00

(foto: Christopherap/Freeimages)
(foto: Christopherap/Freeimages)

Como utilizar da melhor maneira possível a ferramenta LinkedIn? Lizete Araújo, diretora-executiva da Véli Soluções em RH, aponta a credibilidade como principal característica para que o profissional se faça presente. “Ele não deixa de ser uma vitrine, mas a principal proposta é que os participantes usufruam da ferramenta dialogando e compartilhando conhecimento. Assim faz sentido. É importante se conectar com pessoas que vão acrescentar no seu networking e, por isso, é fundamental ter a disciplina em dialogar com a rede.” Essa orientação é para todos.

 

Para quem está à procura de recolocação, Lizete Araújo recomenda atenção especial com a apresentação. Ela aconselha escolher com critério as palavras-chave, destacar as competências relevantes e focar nas principais habilidades. “Tem de ser uma apresentação mais técnica, um resumo das qualificações e descrita de maneira mais conservadora e tradicional. É preciso lembrar que os recrutadores não fazem seleção pelo gosto, mas pela experiência e é preciso fazer o perfil pensando em como o recrutador pode achá-lo de maneira mais fácil. Não é fazer o currículo para você, mas sim para o outro.”

 

Lizete Araújo lembra que, apesar de o LinkedIn ser uma rede social, ela é profissional e exige “formalidades que facilite o diálogo, assim como a leveza, que pode estar presente na foto. Mas cuidado com a pose, roupa e enquadramento... A imagem tem de ser adequada ou simplesmente não usar foto, se preferir. A rede é exposição, portanto, quanto mais neutro melhor. Nada de expor família, filho, cachorro e papagaio. Pense que é uma exposição para o mercado de trabalho”.

Lizete Araújo, diretora-executiva da Véli Soluções em RH, recomenda atenção especial com a apresentação pessoal(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Lizete Araújo, diretora-executiva da Véli Soluções em RH, recomenda atenção especial com a apresentação pessoal (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
 

Muitos usuários têm dúvida se seu perfil deve ou não ser público (há opção de dar acesso só a sua rede de contatos). Para Lizete Araújo, é fundamental que seja pública, ainda mais porque o propósito do LinkedIn é ampliar a rede de contatos, de chegar a pessoas que não o conhecem e passem a conhecer. Não é troca de mensagem, mas comunicação com pessoas da sua área, criar conexões com o mercado. Outra dúvida recorrente é quanto a aceitar ou não todo pedido de conexão como também pedir para fazer parte da rede de quem ainda não conhece. Lizete Araújo lembra que tudo é questão de escolha. “A decisão é sua conectar ou não. Cada um estabelece seus parâmetros e mantém o diálogo com quem quiser. Acho importante fazer conexões com critério, de qualidade. Ao ser seletiva só tenha cuidado para não passar uma imagem seletiva demais.”

 

PROPÓSITO Por outro lado, lembra a diretora-executiva, “o risco da exposição não é pelas conexões, já que estabelece proximidade com quem achar interessante, mas a maneira como dialoga com as pessoas. Não é autocensurar, mas tenha cuidado com os comentários. É de direito expor, mas não de forma inadequada. Com quem vou conectar? Ao ter um propósito, sabendo usar, a rede contribuirá de maneira qualitativa e conseguirá bons resultados, mesmo não tendo a conta premium. Aliás, ela ajuda, é mais fácil, mas pesará no bolso. No entanto, na conta liberada é possível movimentar com eficiência”.

 

Lizete Araújo reforça que recrutadores têm o LinkedIn como fonte de recrutamento, é uma ferramenta de busca, empresas divulgam suas oportunidades, é interessante seguir empresas de interesse, mas ao mesmo tempo não crie expectativa que uma colocação ou recolocação virá via a rede.

 

Palavra de especialista

Fernanda Nascimento - diretora e estrategista na Stratlab, empresa de inteligência em marketing digital

Central de oportunidades

“O grande desafio do LinkedIn é cada vez mais aproveitar as diferentes formas de negócio que podem ser desenvolvidas por meio da rede. Algumas dicas são imprescindíveis e podem aumentar as suas oportunidades: imprimir uma marca pessoal. O seu perfil é o cartão de visitas. É importante ressaltar as suas realizações. A fase em que você se encontra: 'em transição profissional' ou 'desempregado' não pode ser sua principal história. Portanto, seu perfil deve dar ênfase ao que você pode oferecer como profissional e não à sua situação atual. Qual é o seu melhor? O que você faz de mais relevante comparado a outros profissionais? Priorize o emprego mais relevante nos locais de destaque. Engaje os profissionais importantes para você. A ideia de usar o LinkedIn para se recolocar, vender ou mesmo aumentar sua autoridade no seu segmento é legítima, mas é preciso que as pessoas entendam o que você tem a oferecer. Nas redes sociais, a melhor forma de mostrar o conhecimento é dividir a sua experiência, por meio de conteúdo: vídeos, textos, posts ou artigos. Ao oferecer informação interessante à sua rede, você marca espaço mostrando que é um especialista no mercado, com conhecimento sobre a sua área de atuação, aponta tendências e, por tudo isso, vale a pena ser seguido. Use esse alcance para aumentar sua networking. Quando uma conexão de segundo grau interage com a sua experiência, por meio do conteúdo publicado e compartilhado, abre espaço para um convite a se conectar. A partir daquele momento, a pessoa já sabe quem você é e concorda, de alguma forma, com o seu pensamento. Use uma mensagem personalizada para se aproximar, deixe claras suas intenções, mesmo que esteja interessado em uma vaga postada ou tenha uma oportunidade de negócio. Suas chances de sucesso nesse contato serão maiores.”

 

Une pessoas e oportunidades


Fernanda Brunsizian, gerente de comunicação corporativa do LinkedIn, alerta que para perfil completo a oportunidade de trabalho é mais relevante(foto: Vivian Koblinsky/Divulgação)
Fernanda Brunsizian, gerente de comunicação corporativa do LinkedIn, alerta que para perfil completo a oportunidade de trabalho é mais relevante (foto: Vivian Koblinsky/Divulgação)
Como usar o LinkedIn de forma inteligente? Fernanda Brunsizian, gerente de comunicação corporativa América Latina e Iberia da rede social, com foco nos profissionais e no mercado de trabalho, aponta o caminho que todos deveriam seguir para usufruírem da ferramenta da melhor maneira e alcançar os resultados esperados. Destaca o papel da plataforma e como ela pode se tornar uma aliada nesse universo. Sempre pensando em inovação, a última novidade do negócio é o “Aconselhamento Profissional”, uma conversa que pode transformar a sua carreira.

Quais os principais passos para quem entra na plataforma usufruir de todas as ferramentas disponibilizadas pelo LinkedIn?
O mais importante para uma boa experiência no LinkedIn é ter um perfil completo, com todos os campos preenchidos. O LinkedIn é uma plataforma tecnológica que une pessoas e oportunidades por meio de palavras-chave. Quanto mais completo o perfil, mais relevantes serão as oportunidades de trabalho, de relacionamento, de conteúdo ou de contato com empresas. Um perfil muito genérico ou incompleto não permite que o sistema entenda o que o usuário está buscando.

Os brasileiros sabem usar a rede de maneira correta? Quais os principais erros?
De maneira geral sim, somos mais de 32 milhões de brasileiros usando a rede, o que faz do Brasil o quarto país em número de usuários. Não costumamos chamar de “erros”, mas sim de coisas que diminuem a eficácia da rede. Por exemplo, conectar-se com pessoas sem referência nenhuma, não colocar foto, voltar apenas quando está procurando emprego, nunca interagir com a sua rede ou com empresas e deixar o perfil incompleto, como mencionei anteriormente.

Percebo que muitos estão na rede ainda confundem informações pessoais com profissionais. Principalmente na hora de escolher a foto.
O contexto é sempre o primeiro filtro das redes sociais. O LinkedIn é uma rede profissional, portanto conteúdos relacionados a trabalho (fotos, artigos, apresentações) têm naturalmente mais engajamento. Informações muito pessoais tendem a ter menos relevância. Não quero dizer que o toque pessoal não seja importante. Cada vez mais queremos ouvir histórias de pessoas reais, que tentaram alternativas, que acertaram e erraram, pessoas com quem possamos nos identificar. O difícil é encontrar o limite, pois é algo subjetivo que varia muito.

Com a crise no mercado nos últimos anos, a rede ganhou mais adeptos no Brasil?
O LinkedIn segue a mesma proporção de crescimento há alguns anos de, aproximadamente, 100 mil novos usuários por mês. A maioria das pessoas no LinkedIn não está ativamente procurando emprego, mas mantendo relacionamento com os seus contatos, consumindo conteúdo, interagindo com marcas. O que muda em um momento de economia frágil é que os usuários passam a cuidar de seus perfis com mais cuidado e isso é ótimo para sua própria experiência com a ferramenta.

Como fazer o networking sem ser invasivo? Quais as regras de etiqueta, principalmente, para quem não se conhece e deseja uma conexão?
Networking significa relacionamento e, como todo relacionamento, precisa de constância, senão termina. No LinkedIn não é diferente. Temos que manter contato com as pessoas, ver o que elas estão fazendo e publicando, lembrar de uma informação que pode ajudá-las, apresentar um contato a outro e encontrar as pessoas fisicamente de tempos em tempos. O mundo virtual nos oferece escala e alcance, mas o encontro presencial segue muito importante. Para aumentar a nossa rede de contatos, um dos caminhos mais eficazes é pedir a apresentação para alguém em comum. Quando vemos o perfil de alguém, o LinkedIn nos mostra pessoas em comum e este costuma ser a melhor forma de aproximação. Este mês lançamos o “Aconselhamento Profissional”, uma ferramenta para encontrar o seu mentor. Os usuários respondem algumas perguntas e o LinkedIn indica profissionais que poderiam ajudá-los com aquele tema. É também ótima forma de conhecer pessoas novas.

Fundada em 5 de maio de 2003, quase 15 anos, com o mercado encarando uma crise mundial no universo do trabalho, qual tem sido o papel do LinkedIn nesse cenário? 
As relações de trabalho mudaram muito, assim como as habilidades necessárias para cada função. Hoje, existem profissões nem imaginadas há 15 anos e outras que já não existem mais. Conceitos como “sucesso” também são completamente diferentes no mundo atual. O LinkedIn tem exercido um importante papel nessa transformação e contribui enormemente para a democratização das informações e do contato entre empresa-candidato. Antes, as empresas tinham que publicar suas vagas e literalmente “torcer” para que um bom candidato aparecesse. Hoje, além de receber os perfis dos interessados, elas podem proativamente encontrá-los na rede. Da mesma forma, os candidatos têm acesso a mais de 20 milhões de empresas presentes no LinkedIn e mais de 14 milhões de vagas.

De tempos em tempos, vocês inovam... As alterações são demandas dos clientes? 
As mudanças vêm de várias direções: usuários, empresas, movimentos na sociedade. Também existem ferramentas que tiramos e voltamos por pedido de usuários. Por exemplo, português foi o segundo idioma a ter conteúdo no LinkedIn (plataforma de publicação), apenas depois do inglês. E a sede brasileira por escrever e compartilhar já está nos levando a ampliar a equipe editorial.

Para ter mais oportunidade de emprego, obrigatoriamente o perfil deve ser público? 
Se o perfil for liberado apenas para a sua rede, as oportunidades ficam restritas ao conhecimento da rede. Perfis públicos ficam acessíveis a todos os recrutadores.

Qual o peso da escolha dos seguidores? A indicação é aceitar todos que pedirem para fazer parte da sua rede? Qual o melhor critério de seleção?
Qualidade vale muito mais do que quantidade. O que é um contato de qualidade? Aquele que você conhece pessoalmente, estudou ou trabalhou junto em alguma ocasião, pertence à mesma área profissional, compartilha dos mesmos interesses ou foi apresentado por alguém da sua rede. Para pessoas que aparecem sem nada em comum e sem explicação (é possível personalizar o convite), o LinkedIn não recomenda a conexão.

Tem um prazo obrigatório para movimentar a rede? É preciso acessar todo dia? Toda semana? 
Idealmente todos os dias e nunca mais de um mês sem acessá-la.

 

Pente fino dos recrutadores

 

Não há como se descuidar do LinkedIn, nem estar fora dele se você é um gestor atento da sua carreira. Joyce Silveira Leles, gerente de recursos humanos, seleciona e contrata profissionais via rede com regularidade e hoje revela, em linhas gerais, já que para cada cargo há demanda de um perfil, como atua e age na sua procura. “Contrato profissionais via LinkedIn, já que a plataforma tem uma estrutura inteligente, atualizada e com profissionais de diversos segmentos procurando por recolocação profissional, ou seja, uma pessoa sempre pode indicar outra via a plataforma, facilitando e dando maior visibilidade no que eu busco.”

Como se trata de uma rede social, Jpyce destaca que ela também nos mostra outras conexões que o candidato tem, isso potencializa e amplia a percepção dele no mercado e, dessa forma, transmite e dá segurança ao recrutador para entender melhor as influências e os bons relacionamentos que o candidato tem com outros profissionais, agregando valor para a empresa que o contrata.

Conforme a gerente de RH, cada candidato tem sua singularidade e dentro disso “busco compilar as principais habilidades já devolvidas por ele com o que eu preciso para preencher a vaga. O que é importante observar ao traçar o perfil do candidato é a estabilidade profissional (quanto tempo trabalhou em determinadas empresas), as tarefas que ele desenvolvia (para verificar se encaixa com o que estou procurando), o local onde mora (para que o deslocamento para o trabalho não se torne exaustivo e frustrante (em caso de longa distância), se tem experiência com o manuseio de computador, visto que grande parte das tarefas desenvolvidas em uma empresa são registradas vias planilhas, sistemas etc.”.

LINGUAGEM Quanto ao comportamento e postura profissional, Joyce alerta que alguns profissionais podem se manifestar de forma negativa a respeito da última empresa que trabalhou, ou se manifestar de forma arrogante a respeito de um post que foi publicado no LinkedIn. Essas condutas podem fazer com que o recrutador deixe de lado o foco positivo em relação ao candidato.

Todo cuidado com a imagem é pouco. Joyce avisa que por ser uma plataforma voltada para o âmbito do trabalho, recolocação profissional, visibilidade acadêmica, entre outros, recomenda que as fotos dos perfis não sejam grosseiras ou expositivas demais, sempre observando o vestuário, acessórios e maquiagem. Todas as informações visuais quem contêm nas fotos são observadas e podem ser critérios no momento de avaliar o candidato (tanto para os homens, quanto para as mulheres).

A gerente recomenda não abandonar os acessos ao LinkedIn, evitar só lembrar dele no momento da recolocação: “Quem é mais ativo e que usa de argumentos 'saudáveis' em grupos de discussões, ao se manifestar sobre uma enquete, algo do tipo, faz a diferença no momento da seleção. O que não desabona uma pessoa que tem uma rede de amigos mais compacta”. 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade