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Estado de Minas AÇÕES DA PETROBRAS

Petrobras afunda quase 10% após mudanças na Lei das Estatais

Quase dois meses após ter atingido seu maior valor de mercado, de R$ 520 bilhões, em 21 de outubro, a Petrobras vem enfrentando uma sequência de quedas na Bolsa


14/12/2022 19:55 - atualizado 14/12/2022 21:30

PETROBRAS
As ações da Petrobras e do Banco do Brasil despencaram nesta quarta (foto: MAURO PIMENTEL/AFP)
As ações da Petrobras e do Banco do Brasil despencaram nesta quarta (14/12), após aprovação de mudanças na Lei das Estatais pela Câmara dos Deputados na noite desta terça.


As ações preferenciais da Petrobras, que são as mais negociadas da estatal, mergulharam 7,93% e exerceram a principal pressão negativa sobre o Ibovespa. Os papéis ordinários da companhia tombaram 9,80%, registrando assim a segunda maior queda desde 22 de fevereiro de 2021, quando foi anunciada a saída de Roberto Castello Branco da presidência da empresa, data em que o papel tombou 20,48%. Em 24 de outubro a ação ordinária caiu 9,89%.


Quase dois meses após ter atingido o seu maior valor de mercado, de R$ 520 bilhões, em 21 de outubro, a Petrobras vem enfrentando uma sequência de quedas na Bolsa que reduziram a empresa ao valor de R$ 301 bilhões. A queda é de R$ 219 bilhões no período, segundo levantamento do TradeMap.


A perda no período é quase igual à totalidade do valor de mercado da Ambev, que está em R$ 238 bilhões.


O Banco do Brasil, também controlado pelo governo, perdeu 2,47% nesta quarta.


A pressão sobre as empresas públicas ocorreu como consequência do esforço do governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para mudar a Lei das Estatais e, assim, facilitar nomeações de políticos para o comando de empresas públicas.

 

 


A legislação foi alterada para reduzir para 30 dias a quarentena de indicados a ocupar cargos de presidente e diretor das empresas públicas. A alteração pode abrir caminho para concretizar o ex-ministro Aloizio Mercadante como presidente do BNDES. A proposta segue para o Senado.


Investidores também relataram descontentamento no mercado com a declaração de Lula de que "vai acabar a privatização nesse país".


Em linhas gerais, as nomeações e falas de Lula reforçam a preocupação de que uma alta de gastos na nova gestão possa levar ao descontrole da dívida pública, o que provocaria alta de juros e queda de investimentos, entre outras consequências.


Apesar das perdas das estatais, a Bolsa de Valores brasileira terminou o dia com discreta alta nesta quarta após oscilar durante o dia entre fortes baixas e elevações moderadas. Ganhos em setores como o bancário e o de mineração compensaram, ao menos em parte, as fortes quedas dos papéis de Petrobras e BB.


O Ibovespa, índice de referência da Bolsa, fechou em alta de 0,20%, aos 103.745 pontos. Na máxima do dia, chegou aos 104.515 e, na mínima, aos 101.631 pontos.


O alívio, registrado principalmente na parte da tarde e sobre outras áreas, foi atribuído por analistas a motivos diversos, entre os quais a confirmação da desaceleração no aumento da taxa de juros nos Estados Unidos, após reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), e a movimentos técnicos de mercado.


Também no período da tarde, o futuro ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a expansão dos gastos públicos não deve ser o motor a impulsionar o crescimento da economia no momento e que um eventual estímulo poderia vir da redução na taxa de juros.


No mercado de câmbio do Brasil, o dólar à vista ficou perto da estabilidade, recuando apenas 0,01%, cotado R$ 5,3090 na venda. No exterior, a moeda americana recuou 0,36%, segundo o indicador que a compara com um grupo de divisas fortes.


No mercado de juros futuros, após passar parte do dia em alta, a taxa DI (Depósitos Interbancários) para 2024 avançava no final da tarde para 14,07% ao ano, após ter fechado no dia anterior em 14,06%. Os contratos com vencimento em 2025, porém, mostravam taxas subindo de 13,65% para 13,84%.


Embora sejam negociadas apenas entre instituições financeiras, as taxas DI trazem a expectativa do setor sobre a necessidade de elevação dos juros do Banco Central do Brasil em um cenário de aumento de gastos públicos e, consequentemente, de inflação mais alta. Essas expectativas acabam servindo de referência para o crédito no país.


Analistas da Quantzed afirmaram que, apesar da volatilidade potencializada pela decisão do Fed, o movimento do mercado doméstico nesta quarta foi basicamente influenciado por motivos locais, ligados à transição de governo e falas de membros da futura gestão.


Marcelo Oliveira, sócio da Quantzed, ainda destacou que o encerramento do prazo para o exercício do direito de compras de ações por um grande operador do mercado nesta tarde acabou contribuindo por reverter parte das perdas do Ibovespa.


"Houve um movimento totalmente técnico de vencimento de opções e vencimento de índice. O pessoal não rolou a posição e teve que zerar a mercado. O movimento começou após as 14h54, que é exatamente a hora que começa o ajuste em dia de vencimento de contrato futuro de índice", disse.

 

Bolsas nos EUA caem 

 


No cenário externo, o Fed elevou nesta quarta a sua taxa de juros pela sétima vez em 2022, mas a alta de 0,50 ponto percentual foi menor do que as aplicadas nas últimas quatro reuniões do seu comitê de política monetária, que foram de 0,75 ponto.


Com isso, a meta de juros do Fed avança para um patamar 4,25% e 4,5% ao ano. Esse valor está de acordo com o esperado por analistas de mercado consultados pela agência Bloomberg.


A alta menos agressiva dos juros confirma a expectativa de que os integrantes do Fomc, sigla para o comitê de mercado aberto do Fed, consideram que o aperto ao crédito está alcançando o propósito de frear a alta nos preços.


Desde que iniciou o atual ciclo de elevação dos juros no início deste ano, esta é a primeira vez que o Fomc opta por um acréscimo inferior ao dado na reunião imediatamente anterior. Antes das últimas quatro altas de 0,75 ponto, o comitê havia aplicado um aumento de 0,25, em março, e de 0,50, em maio.


Nos Estados Unidos, os principais indicadores do mercado de ações fecharam em baixa, depois de terem avançado por quase todo o dia ainda embalados pelos dados de inflação abaixo do esperado na véspera.


O indicador parâmetro S&P 500 caiu 0,61%. Os índices Nasdaq e Dow Jones perderam 0,76% e 0,42%, respectivamente.


A ausência de sinais no comunicado do Fed de que o fim do ciclo de alta dos juros poderá chegar em breve devolveu preocupações aos investidores, segundo Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos.


"Apesar de a alta vir de acordo com o esperado, eles não sinalizaram qual será o próximo passo e se já estão próximos do fim do ciclo de elevação de juros", disse.


Beto Saadia, economista e sócio da BRA BS, avalia que o CPI, o índice de inflação ao consumidor americano, deixou mercados otimistas para uma postura mais leniente do Fed. Mas ele alerta que ainda faltam duas condições fundamentais para declarar vitória no combate à inflação.


"A primeira delas é que a convergência da inflação deve ser ancorada na meta de 2%, que ainda é muito além do atual. A segunda é o grande vilão da inflação que continua não mostrando sinais de que foi derrotado: o mercado de trabalho ainda muito apertado", disse.


"Há mais vagas de emprego do que trabalhadores disponíveis, resultando em inflação de salários que pode em algum momento acelerar novamente a inflação de bens e serviços", completou Saadia.


Um cenário de efetiva desaceleração dos juros nos Estados Unidos poderia trazer alívio para os mercados de ações e para outros ativos, como as matérias-primas, porque esses investimentos passariam a enfrentar menor concorrência da renda fixa americana.


Além disso, investidores esperam que o fim do aperto monetário ocorra antes que as restrições ao crédito levem a maior economia mundial a uma forte recessão, o que teria consequências negativas para os negócios globais.

 


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