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Estado de Minas INADIMPLÊNCIA

Endividamento de famílias atingiu nível recorde em março

Em Belo Horizonte o índice está estável em 89%, mas inadimplência subiu 3,3% em fevereiro. Veja dicas de como não se endividar


18/04/2022 14:16 - atualizado 18/04/2022 15:46

inadimplentes
São 6 mil inadimplentes em Minas Gerais e 931 mil inadimplementes somente em Belo Horizonte (foto: Fecomércio/reprodução)
A parcela de famílias com dívidas, em atraso ou não, atingiu 77,5%, em fevereiro de 2022. O percentual daquelas que relataram ter dívidas a vencer (cheque pré-datado, cartão de crédito, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa) alcançou 76,6% em fevereiro, retomando o nível apurado em dezembro de 2021. Há um ano, a proporção de endividados era 66,7%, 9,9 pontos abaixo do percentual atual. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em Belo Horizonte, o total de endividados se manteve estável em fevereiro, com 89%, ao contrário da inadimplência que teve alta de 3,3%, em relação ao mês anterior, conforme pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio MG), com base na pesquisa da CNC.
 
Para a economista da Federação, Gabriela Martins, o início do ano é caracterizado por gastos sazonais, como o pagamento de impostos, mensalidade e rematrícula e materiais escolares. "Dessa forma, muitas famílias acabam fazendo o uso do crédito para conseguir suprir toda a sua demanda. Entretanto, fatores como o desemprego e o aumento da inflação - com destaque para os combustíveis e alimentos, acabam achatando a renda das famílias, acarretando um comprometimento da capacidade de pagamento das contas levando os consumidores a se tornarem inadimplentes", explica.
 
O levantamento apontou ainda que o cartão de crédito continua se destacando como o principal meio de pagamento (84,2%.). Em seguida, aparecem os clientes que optaram pelo carnê (18,5%); pelo crédito pessoal (8,3%); e pelo cheque especial (7,4%).
 
Os demais subitens da pesquisa apresentaram que 48,5% das famílias da capital mineira estão com as contas em atraso e 33,4% não terão condições de arcar com as dívidas.  Já o tempo médio de comprometimento da renda é de seis meses, sendo que 30% do orçamento compromete a renda familiar.
 
As taxas de juros médias nas linhas de crédito com recursos livres (taxas de juros livremente pactuadas entre mutuários e instituições financeiras) às pessoas físicas aumentaram de 39,4% em janeiro de 2021 para 46,3% em janeiro de 2022, segundo dados recentes disponibilizados pelo Banco Central (Bacen). As concessões de crédito com recursos livres para pessoas físicas aumentaram 13,1% em termos reais na comparação interanual, mas caíram 2,7%em janeiro ante dezembro, na média diária.
 
O custo do crédito mais elevado e o próprio endividamento alto entre as pessoas que vivem no mesmo domicílio dificultam a contratação de novas dívidas, como também o pagamento dos compromissos na data de seus vencimentos.
 
Gerente de marketing da Serasa em São Paulo, Thiago Ramos, explica que o nível de inadimplência em Minas (38%) está abaixo da média brasileria (40,3%). No Amazonas, por exemplo, é a atxa é de  52%. São 6 mil inadimplentes em Minas Gerais e 931 mil inadimplementes somente em Belo Horizonte.
 
A Serasa encerrou em 31 de março um "feirão em caráter ermegencial" em todo o país, conforme Ramos, diante do aumento de inadimplentes, 65,9 milhões que ultrapassou a barreira de 65,2 milhões registrada em abril de 2020, primeiro ano da pandemia. Foram concedidos R$5,7 milhões em descontos e 3,3 milhões de acordos, destes, 1,6 milhão na região sudeste. 
 
Thiago Ramos aponta dois fatores para esse quadro:  educação financeira e o cenário econômico. O mundial foi agravado pela guerra entre Ucrânia e Russia, quando o mundo começava a relaxar da pandemia da COVID-19 e em nível interno o aumento do número de trabalhadores informais que chegam a mais de 38 milhões de brasileiros, alé de 12 milhões de desempregados. "Outro ponto importante é a renda média do brasileiro que está no menor valor esde 2012, segundo IBGE", aponta o gerente da Serasa.
 

Educação financeira 


Para o brasileiro que sempre viveu no limite de sua renda, Thiago Ramos indica que a educação financeira ajudaria muito a equilibrar as contas "que hoje é um malabarismo." Levantamento da Serasa sobre percepção de dívidas na pandema, apontou que entre as pessoas entrevistadas "mais de 50% perceberam que gastavam muito com o que não precisavam, e que agora 67% vem dando mais importância para guarda dinheiro do que antes da pandemia. Também o número de pessoas que anotam despesas, comparando ao rendimento para não gastar mais do que recebe, dobrou e chegou 42% no segundo ano da pandemia."
 
O corte de custos das famílias na pandemia já aconteceu, segundo o gerente, com redução do número de contas, mas houve aumento na pontualidade de pagamentos, "principalmente em seguros, planos de saúde e assinatura de tv para filmes. Precebe-se uma priorização. Cada pessoa tem que ver dentro do seu cenário o que ela relamente precisa, pode ser no lazer, em alimentos consumidos. Isso é particular de cada um. Entre os entrevistados 35% buscaram, em 2020, renda própria para complementar receitas na pandemia, vendendo produtos que não usavam mais, cozinhando pra fora, free lancer. Esse índice em 2021 subiu para 52%. O parcelamento de dívidas pode ajudar queles que precisam contratar empréstimos ou adquirir cartão de cérdito. Após um acordo, na primeira parcela, o nome já estará limpo."
 

Dicas da Serasa para não contrair dívidas

 
  • Anote tudo
Para ter o controle das suas contas, lembre-se de anotar todos os gastos. Assim, você saberá exatamente para onde o seu dinheiro está indo. Outro ponto é não se perder em meio a vários pagamentos que precisam ser feitos.
 
  • Crie metas
Elabore metas para sair das dívidas até o fim do ano. Com essa meta em mente, você pode separar as dívidas prioritárias e criar estratégias, como o pagamento das contas mais caras ainda no primeiro semestre. Além disso, você também pode dividir as metas por mês, e dar um passo de cada vez.
 
  • Organize o orçamento
Uma atitude fundamental para sair do vermelho e se livrar das dívidas é organizar o seu orçamento. Você pode usar um aplicativo de telefone, uma planilha do computador ou mesmo um caderno. O importante é que você anote todo o dinheiro que você recebe no mês e todos os gastos. O recebido pode ser salário, bônus, aposentadoria, dinheiro de bicos, etc. E os gastos precisam ser detalhados, para você conseguir cortar o que é desnecessário.
 
  • Converse com a família
É muito importante envolver toda a família na organização do orçamento e no processo de acabar com as dívidas. Cada membro da sua casa pode ajudar com idéias para diminuir as contas ou conseguir mais dinheiro, com um trabalho extra ou venda de itens que vocês não usam mais.
 
  • Corte gastos desnecessários
Enquanto você está com dívidas, fica difícil realizar sonhos maiores. Então, por um período será necessário apertar o cinto e cortar alguns gastos. Lembre-se das pequenas economias, como: apagar a luz do quarto quando sair, colocar o chuveiro na posição verão no período de calor, juntar as roupas para usar a máquina de lavar na capacidade máxima. O estilo de vida e as necessidades de cada família vão indicar quais gastos podem ser cortados. Mas não se esqueça de que para sair das dívidas, você terá que fazer um esforço.
 
  • Busque uma renda extra
Às vezes, só cortar não basta, ou mesmo com todos os cortes possíveis ainda falta dinheiro para se livrar das dívidas. Se essa for a sua situação, o caminho pode ser a renda extra. Pode ser com um trabalho nas horas que estavam livres, bicos nos finais de semana ou mesmo com vendas.

Você pode se desfazer de itens que não usa mais ou criar produtos, bolos, doces, artesanatos, e vender para amigos, vizinhos ou mesmo na internet. Descubra alguma atividade que você leva jeito e comece a empreender.
 
  • Negocie com os credores
Com o orçamento em ordem e com as economias de corte de gastos ou renda extra, procure os seus credores. Com dinheiro na mão é mais fácil negociar e conseguir desconto.
 
  • Priorize as dívidas com maior juros
Se você tem mais de uma dívida, temos dicas para saber qual você deve pagar primeiro. O importante é dar prioridade para as dívidas que têm os maiores juros para não virar uma bola de neve.
 
  • Pesquise antes de comprar
Pesquisar antes de comprar qualquer produto é a garantia de que você vai encontrar o melhor preço e, claro, economizar. Mesmo se o que pretende adquirir é um empréstimo para quitar uma dívida, é preciso pesquisar. ]
 
  • Faça uma autoavaliação
A última dica para sair das dívidas até o fim do ano é uma reflexão. Pare e pense no que aconteceu para você ficar nessa situação. Isso é importante para você evitar a inadimplência no futuro e saber sair do problema o quanto antes.


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