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Estado de Minas Estatal

Adriano Pires será o novo presidente da Petrobras


29/03/2022 04:00 - atualizado 29/03/2022 00:04


O presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, já recebeu o comunicado de que deixará o comando da estatal, por decisão do presidente Jair Bolsonaro (PL), anunciada na tarde de ontem. Quem assume o cargo é Adriano Pires, atual diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). O Ministério de Minas e Energia publicou nota após as 19h para apontar que “consolidou a relação de indicados do acionista controlador para compor o Conselho de Administração da Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras, a ter efeito a partir da confirmação pela Assembleia Geral Ordinária, que ocorrerá em 13 de abril de 2022”. No comunicado, o ministério confirma Rodolfo Landim para o exercício da presidência do Conselho da estatal, e Adriano Pires para o exercício da presidência da empresa.

A demissão de Silva e Luna ocorreu após uma série de desgastes com o presidente. Recentemente, o general foi pressionado publicamente pelo chefe do Executivo e pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em razão da escalada dos combustíveis. Internamente, o militar dizia que a alta dos preços era conjuntural e que não havia necessidade de rever os aumentos promovidos pela estatal. Com a troca do comando, as ações ordinárias da empresa (PETR3, com direito a voto) cederam 2,63%, negociadas a R$ 34,08, e as preferenciais (PETR4, sem direito a voto) caítram 2,17%, cotadas a R$ 31,60.

Luna não é o primeiro presidente da estatal a cair no governo Bolsonaro. Roberto Castello Branco, indicado do ministro da Economia, Paulo Guedes, foi exonerado em fevereiro de 2021, após a companhia anunciar o quarto aumento nos preços do diesel e da gasolina naquele ano.

Conselho 


Os acionistas da Petrobras se reúnem no próximo dia 13 para confirmar os novos nomes ao Conselho da estatal. A reunião já terá a participação do novo presidente do Conselho, Rodolfo Landim, que também é presidente do Flamengo. Nos bastidores, especula-se que ele recusou assumir a estatal para permanecer nos dois cargos. Para ser presidente da Petrobras é necessário fazer parte do Conselho de Administração. Sem o nome nessa lista, Silva e Luna é automaticamente substituído. A troca seria possível porque o atual presidente, Eduardo Bacellar Leal Ferreira, pediu para deixar o cargo, o que dilui a atual formação do Conselho e abre o caminho para Pires.

Na escalada da troca de mandatos, a substituição de Silva e Luna também chegou a ser discutida em reunião na manhã dessa segunda-feira de Bolsonaro com o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, e com os comandantes das três Forças, no Palácio do Planalto. Eles retiraram o apoio ao militar nas últimas semanas, devido aos aumentos nos combustíveis e à forma como Luna e Silva respondeu publicamente ao presidente à época do anúncio da alta nos preços, considerada inapropriada.

Currículo 

Adriano Pires é doutor em economia industrial pela Universidade Paris XIII (1987), mestre em planejamento energético pela COPPE/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) (1983) e economista formado pela UFRJ (1980). O atual diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura atua há mais de 30 anos na área de energia. Sua última experiência no governo foi na Agência Nacional de Petróleo (ANP), onde atuou como assessor do diretor-geral, superintendente de importação e exportação de petróleo, seus derivados e gás natural e superintendente de abastecimento.

Troca em momento de pressão e greves

A troca de comando na Petrobras ocorre no momento em que várias categorias pressionam contra o aumento dos combustíveis. Com o reajuste deste mês, o preço do diesel, principal combustível utilizado por caminhoneiros, ultrapassou a marca de 70% dos custos do frete em Minas Gerais. A informação foi divulgada ontem pelo Sindicato dos Transportadores de Combustíveis e Derivados de Petróleo (Sindtanque-MG). A categoria afirma que, diante da situação, a paralisação dos serviços pode acontecer a qualquer momento.

De acordo com o sindicato, ainda não há data marcada para uma manifestação da categoria, mas a nota de indignação foi veiculada com a intenção de sensibilizar os governos estadual e federal para a situação dos tanqueiros. A proposta dos tanqueiros para a redução do preço do diesel inclui a diminuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) vinculado ao combustível. Atualmente, a alíquota do tributo em Minas é de 14%. Os tanqueiros propõem uma redução para 9%. Além do diesel, o Sindtanque também propõe uma redução do ICMS sobre a gasolina de 31% para 20% e do etanol de 16% para 10%.

“Hoje, empresas estão falindo e bancos estão tomando caminhões porque transportadores não estão conseguindo mais se sustentar ou pagar a prestação dos veículos. Além disso, contratos estão sendo quebrados pelos tomadores de serviços, porque também não estão aguentando pagar. Em meio a isso tudo, o diesel, insumo mais oneroso para os transportadores, já ultrapassou 70% do valor do frete”, disse o presidente do Sindtanque-MG, Irani Gomes.

Aplicativos 

Entregadores e motoristas de aplicativos marcaram greve para hoje (29/3) por melhoria em serviços e condições oferecidas por empresas como Uber, 99 e iFood. O protesto é nacional. A previsão é de que haja adesão em 16 cidades de todo o país. Em Belo Horizonte, a princípio, parte da categoria defende uma greve escalonada de três dias a partir de hoje, mas há ainda divergências sobre a extensão do movimento. 

    Entregadores por aplicativos definiram concentração na sexta-feira, a partir de 9h, no calçadão da Savassi, e carreata e manifestação, às 15h, saindo da Praça da Estação. Os entregadores prometem paralisar completamente os serviços de delivery durante o fim de semana.

Entre as pautas dos entregadores ao iFood estão o fim da necessidade de agendar previamente o horário de trabalho, além do fim da obrigação de duas ou mais entregas numa mesma corrida. Eles reivindicam ainda que o atendimento seja feito por humanos, e não robôs, pedem o fim dos "bloqueios injustos da plataforma" e a distribuição de pedidos igualitária entre as modalidades de entregadores, além do reajuste anual de taxas.

No caso dos motoristas de passageiros, segundo o presidente da Associação dos Prestadores de Serviço que Utilizam Plataformas Web e Aplicativos de Economia Compartilhada – Appec, Warley Leite, as reivindicações da categoria são reajuste nas taxas em 40%, fim dos agendamentos e das corridas duplas. 

Motoristas demandam que a porcentagem de cada corrida que fica com a empresa seja fixa de 20% e que o deslocamento até o passageiro seja pago. Outra reivindicação é que o valor mínimo da corrida passe para R$ 10 e que se instalem câmeras nos carros das motoristas mulheres. (Bernardo Estillac e Elian Guimarães)

Pão e gás caros 


Mais um desafio para o bolso e para a mesa do belo-horizontino: o aumento no pãozinho francês. Levantamento mais recente do Mercado Mineiro com estabelecimentos da capital e da região metropolitana mostra média de preço de R$ 17,55 no preço do quilo do pão francês. Dos itens que tiveram maior aumento, em relação ao mês de fevereiro e março, estão o pão sovado, que subiu de R$ 20,83 para R$ 22,27, um aumento de 6,92%, R$ 1,44 mais caro. O quilo do pão doce subiu de R$ 18,96 para R$ 20,27, um aumento de R$ 1,31, ou seja 6,93%. O quilo do pão francês custava, em média, R$ 16,42 e passou para R$ 17,55, um aumento de 6,90%. O leite integral Itambé de 1 litro subiu de R$ 5,11 para R$ 5,66, R$ 0,55 mais caro. Já o Cotochés, subiu de R$ 4,70 para R$ 5,41, um aumento de R$ 0,71. Com o reajuste de 16% no preço do gás de cozinha, da Petrobras para as distribuidoras, o belo-horizontino enfrenta mais um aumento em um item essencial para a preparação de alimentos. O site de pesquisas mostra que o preço do botijão de 13kg pode chegar a custar até R$ 149. O preço médio do gás de cozinha na primeira semana de março era de R$ 112,59 e passou para R$ 123,46, tendo aumento de R$ 10,87, ou seja, de 9,66%, isso quando entregue na própria região.




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