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Estado de Minas Projeto Especial de Marketing

Aposentados cumprem regras da nova Previdência e buscam negócio próprio

Transição, após reforma da Previdência, tem adaptações a cada ano que demandam atenção. Entre novos segurados, cresce a opção de empreender


24/01/2022 04:00 - atualizado 24/01/2022 07:11

Ilustração enfocando aposentados que abrem o negócio próprio
País tem 1,8 milhões de empreendedores da 3ª idade (foto: Quinho)

Os brasileiros passaram a trabalhar mais por conta própria depois da pandemia de COVID-19, e boa parte desse universo de pessoas atuando sem patrão é formada por aposentados empenhados em não só aumentar a renda da família, como também em se manter ativos. Estudo feito pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) apurou universo de 1,8 milhão de empreendedores da chamada melhor idade, representando 7,3% do total de donos do negócio próprio no país.

Os dados, os mais recentes divulgados no começo do ano passado, confirmam as pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicando o avanço do trabalho por conta própria. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, 3,497 milhões brasileiros a mais optaram por experimentar a carreira solo no mercado de trabalho entre agosto e outubro de 2021, aumento de 15,8% frente ao mesmo trimestre de 2020. A diferença superou com larga vantagem a taxa média de crescimento, de 10,2% no período, de toda a população ocupada no Brasil, estimada em 93,958 milhões.

Do número de empreendedores da 3ª idade identificado pelo Sebrae, o Sudeste concentra 50%, dos quais 10% em Minas Gerais, números que dão uma boa medida do espaço que os aposentados ainda poderão ocupar como donos do negócio próprio. Esse foi o caminho escolhido pela aposentada Maria Virgínia Andrade Guimarães, de 65 anos, que abraçou o projeto de empreender e serve de exemplo, hoje, data em que é comemorado o Dia Nacional do Aposentado. Ao escolher a vasta área da alimentação, ela fez estudo de mercado e transformou em negócio as receitas de tempero passadas por gerações de sua família.

Em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, Maria Virgínia criou a Especiarias Casa Branca, impulsionada por uma rede de clientes que começou a estruturar quando ainda morava na capital mineira e produzia panquecas congeladas. “Fazia para minha amiga um tempero que foi passado de geração em geração na família, e que começou com minha avó italiana. O tempero era levado para os churrascos de outros amigos e mais pessoas passaram a me procurar pedindo o produto”, conta.

Maria Virgínia teve a ajuda da filha e do genro, que são publicitários, para desenvolver a identidade visual de toda linha de produção. Além disso, a equipe buscou o apoio de uma nutricionista para oferecer receitas mais saudáveis. “O que ajudou muito na parte de comercialização foi a feira local, e depois disso fui conseguindo outras feiras em BH. Eu me filiei ao Origem Minas, um projeto do Sebrae, o que nos ajudou muito porque fomos criando um networking”, ressaltou.

Após a reforma da Previdência, aprovada em 2019, as regras para a aposentadoria dos trabalhadores que já estavam no Regime Geral da Previdência Social, ou seja, antes de 12 de novembro de 2019,  mudam a cada ano para quem está na transição de regimes.  Com as mudanças, têm direito à aposentadoria por idade homens com 65 anos e 240 meses (20 anos) de contribuição.

As mulheres adquirem o direito ao completar 62 anos e 180 meses (15 anos) de contribuição. Na transição, homens devem ter 65 anos de idade e 15 anos de contribuição para se aposentarem por idade. Por sua vez, as mulheres devem acrescentar, desde de 2020, seis meses por ano pelo critério da idade, até atingirem 62 anos. Neste ano, aquelas com 61 anos e 6 meses e 15 anos de contribuição podem requerer aposentadoria por idade.

Aprendizado 


Quem cumpriu 35 anos de contribuição,  para os homens, e 30 anos, para as mulheres, pode se aposentar sem que seja necessária a idade mínima. No entanto, é preciso cumprir um pedágio de 50%, quer dizer, trabalhar durante mais seis meses.

Para quem se enquadra nas regras ou está prestes a se aposentar e deseja se tornar empreendedor, é fundamental seguir alguns passos, que vão da autoavaliação de habilidades e aptidões à busca de aprendizado, definir o negócio mediante dados de mercado sobre a área em que pretender atuar e adotar a inovação de produtos e processos, ensina Bárbara Castro, analista da Unidade de Inteligência Empresarial do Sebrae Minas. “A questão inicial é primeiro se capacitar e se munir de informações, fator primordial para quem pretende empreender. É preciso conhecer bem seu próprio negócio”, destaca a especialista.

Bárbara Castro observa que é necessário ter controle dedicado e eficiente para monitorar o dia a dia do negócio, seja na questão financeira, seja no marketing. A analista do Sebrae ressalta também a importância de acompanhar a tendência do comportamento do mercado e dos consumidores.

“Sempre estar um passo à frente, oferecendo uma experiência cada vez mais bem-sucedida. Esse é o principal fator que demanda as pessoas se posicionarem”, afirma. Nesse aspecto, as redes sociais contribuíram para expandir contatos entre os empreendedores e clientes. “A própria pandemia acelerou esse processo, porque vários negócios precisaram ficar com sua estrutura física fechada, principalmente aqueles que não foram considerados como essenciais. Só tinha uma forma de chegar até o cliente, por meio digital. Seja atuando em rede social, ou marketplace e outros tipos de ferramentas.”

On-line 


Entender bem como funciona a comunicação pelas redes sociais e quais são os fatores críticos para que essa atuação on-line seja bem- sucedida vai além da criação de um perfil nas redes. “Você precisa ter todo cuidado de conhecer bem a linguagem de quem você quer conectar. Isso precisa ser bem definido dentro de logística, de entrega e estoque. Há uma série de fatores que precisam ser analisados com muito cuidado e esse ponto  realmente veio para ficar. A gente está em um mundo cada vez mais tecnológico”, acrescentou.

Bárbara Castro chama a atenção para o investimento na capacitação em relação a essas ferramentas. “Pode ser um fator limitante a falta de conhecimento, mas o acesso está mais democratizado. O próprio Sebrae tem inúmeras soluções para ajudar esses empresários a usar essas ferramentas no dia a dia do seu negócio.”

PARA COMEÇAR


Fazer uma autoavaliação das suas habilidades e aptidões. Definir o conhecimento que pode ser aprimorado para criar o negócio próprio

Buscar sempre aprender mais e constantemente, investindo na própria capacitação para gerenciar o negócio

Entender o mercado no qual deseja atuar, especialmente conhecer os consumidores e seus hábitos

Buscar sempre inovar no produto ou processo para gerir o negócio da melhor forma

Fonte: Sebrae Minas



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