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Estado de Minas SEM ROUPA

Todo mundo nu: barbearia naturista criada na pandemia faz sucesso no Ceará

Proprietário conta que no início enfrentou dificuldades, mas agora o local atrai até turistas curiosos em experimentar o serviço


21/01/2022 18:53 - atualizado 21/01/2022 19:29

Empresário Rodney Araújo, de 28 anos, em sua barbearia
Rodney Araújo, de 28 anos, dono de barbearia em Fortaleza onde funcionários atendem os clientes nus (foto: Arquivo pessoal )
O interesse pelo naturismo e a dificuldade enfrentada pelo seu negócio durante a pandemia fizeram com que o empresário Rodney Araújo, de 28 anos, tivesse que se reinventar. Ele decidiu abrir uma barbearia naturista, em Fortaleza, Ceará, que oferece serviços de beleza para homens com funcionários e clientes nus.

 

 

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Ele conta que antes de se tornar naturista, já tinha um centro de estética e bronzeamento que atendia o público feminino e masculino. “Só que o público masculino sempre se manteve mais presente. Como o centro levava meu nome, acho que acabava chamando muito pra mim. Sempre atrai esse público.”

Segundo Rodney, quando o governador do estado decretou lockdown, ele precisou se reinventar. “É agora que vou ter que colocar em ação novas ideias e como eu sempre fui muito curioso pelo mundo do naturismo, sempre fiz muito teatro, tinha essa vivência da liberdade, da natureza”, lembra. 

Foi então que o empresário, inspirado pelo naturismo, teve a ideia de abrir a barbearia. “Se existe praia de naturismo, por que não podem existir serviços naturistas? Se não existe, vou fazer agora. Entrei em contato com um amigo, que é barbeiro, perguntei se ele topava, ele aceitou. Comecei a fazer a divulgação, vi que tive um retorno bom e foi aí que tudo começou.”

No começo, o estabelecimento oferecia apenas o serviço de barbearia. “Eu fazia depilação, limpeza de pele, bronze, mas era normal (vestido). Foi aí que eu pensei que não fazia sentido só o barbeiro trabalhar assim. Então, decidi atender também no naturismo. Contratei outras pessoas que toparam também.”

Problemas de aceitação e libertação


Apesar da decisão, Rodney conta que enfrentou algumas dificuldades quando também começou a trabalhar nu.  

“Tive muito bloqueio com meu corpo no começo porque sempre tive muito pudor. Mas, com a liberdade que é trabalhar com o naturismo, hoje me sinto mais confiante e liberto, autoestima lá em cima e é essa mesma sensação que proporcionamos para nossos clientes. Essa libertação.” 

O estabelecimento foi inaugurado há nove meses, já tem duas filiais na capital cearense e conta com seis funcionários. “É um centro de estética e barbearia naturista e tem todos os serviços voltados para a área da beleza. Temos os mesmos serviços de um estabelecimento convencional.”

O empresário explica que, no início, não teve problema na contratação dos profissionais para trabalhar no local. Porém, quando o barbeiro teve que sair, por causa de problemas pessoais, Rodney encontrou dificuldade para encontrar outro que quisesse ocupar a vaga e chegou, ele mesmo, a fazer um curso de barbearia. “Hoje já não tenho mais esse problema porque ganhei um nome no mercado. Então, as pessoas que já conhecem o trabalho me procuram perguntando se tem vaga de emprego.” 

Curiosidade e preconceito


Segundo o empresário, logo no começo, ele percebeu que o negócio atrairia o público. 

“Quando fizemos a primeira postagem para ver como ia ser a aceitação, muita gente curtia, comentava, elogiava. Começaram a vir os agendamentos e diante deles é que vimos que havia público. Quando os clientes vinham vivenciar a experiência na prática achavam interessante, diferente. 

Ele conta que o serviço atrai homens de todos os tipos. “Muitas vezes vem com a namorada, com o namorado, sozinho, com um amigo. A curiosidade sempre fala mais alto. Tenho vários clientes fixos, que amam. Mas também tenho muitos clientes que vem uma vez, vivenciam a prática e não voltam mais. A gente também atrai muitos turistas."

Apesar do sucesso, Rodney também precisou lidar com o preconceito.   

“Quando houve a primeira entrevista (para falar da barbearia), fui muito bombardeado com calúnias, difamações e críticas destrutivas. Era muito criticado no bairro onde morava. Dava aula de dança na comunidade, muitas alunas se viraram contra mim, começaram a colocar meu nome em fofoca.”

“Como sempre fui de igreja evangélica e minha família era muito conhecida no bairro, muitas pessoas diziam que eu era a vergonha do bairro. Quando tinha algum homem na porta da minha casa, passava alguém e gritava: ‘Vai cortar o cabelo pelado.’”, lembra.

Até a mãe do empresário se tornou alvo. “Minha mãe é diretora de escola e foi muito bombardeada por uma coisa que ela nem sabia. Ela quase ficou refém das mães que queriam se unir para tirar ela da coordenação da escola. Foi muito complicado, psicologicamente para mim foi terrível.”

Rodney precisou fazer acompanhamento com um psicólogo para conseguir continuar trabalhando. “Agora vou ter que fazer dar certo porque não vou passar por isso em vão.” 
 
*Estagiária sob supervisão da editora-assistente Vera Schmitz


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