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Estado de Minas INTERCÂMBIO

Embaixador do Chile no Brasil: 'Minas será ponto central na nossa expansão'

Ministério das Relações Exteriores do Chile inaugura unidade em BH para buscar intercâmbio entre os países. Embaixador fala com o Estado de Minas sobre planos


25/11/2021 08:00 - atualizado 24/11/2021 17:25

Embaixador em discurso
Embaixador Fernando Ariztía diz que escritório em BH será fundamental para aproximação entre empresários mineiros e chilenos (foto: Embaixada do Chile no Brasil/Divulgação)

Depois de São Paulo, Belo Horizonte é a próxima cidade brasileira a ter um escritório físico do ProChile, instituição do Ministério das Relações Exteriores do Chile que promove a oferta exportável de bens e serviços chilenos e contribui para o desenvolvimento do país, por meio da internacionalização de empresas chilenas, da promoção da imagem do país, do investimento estrangeiro e do turismo. A unidade mineira será inaugurada nesta quinta-feira (25/11), com a presença do Embaixador do Chile no Brasil, Fernando Schmidt Ariztía, e da diretora comercial do ProChile, María Julia Riquelme. A criação do esccritório deveria ter sido feita no ano passado, mas foi adiada devido à pandemia do coronavírus.
 
Fernando e María Julia terão encontro com o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, e com o presidente da Associação Comercial e Empresarial (AC Minas), José Anchieta, para discutir o acordo de livre comércio entre os países, a ser válido a partir de janeiro, e as estratégias para fortalecer o mercado mineiro e o intercâmbio entre as nações. Somente em 2021, Minas importou R$ 510 milhões em produtos e serviços do país vizinho.
 
Ariztía disse que o objetivo é o fortalecimento dos setores empresariais chilenos e brasileiros. “Este é o momento ideal para que os empresários possam investir mais”, avisa. Ao Estado de Minas, o embaixador fala sobre a aproximação entre as nações e sobre os rumos do acordo de livre comércio que visa ampliar as relações comerciais a partir do ano que vem.

Qual sua avaliação sobre esses 16 meses do ProChile em Minas Gerais?
Tivemos má sorte, pois a pandemia veio quando iríamos inaugurar o escritório comercial em Belo Horizonte. Atrasamos o processo, mas nesse período trabalhamos com intensidade junto ao consulado honorário em São Paulo e em Belo Horizonte. Alcançamos um número absolutamente positivo em 2021, pois as exportações chilenas para Minas Gerais atingiram 90 milhões de dólares (R$ 510 milhões), de janeiro a outubro, o que representa 24% mais do que era no ano anterior.

Que fatores motivaram a aproximação dos chilenos com Minas Gerais?
Dos 13 estados mais relevantes do Brasil, Minas tem uma economia forte, com população de 21,2 milhões e PIB muito interessante. A logística também favorece muito. Dizemos que o Chile é um “país mineiro”, onde existe um leque de serviços e investimentos que podem ser desenvolvidos. Estamos sempre olhando a participação chilena no mercado brasileiro, de olho em novas oportunidades. Foi nos oferecido um espaço físico para colocar Minas como ponto central na nossa expansão.

Como surgiu a iniciativa de montar o escritório no estado? E as expectativas futuras?
Minas já contava com vários elementos que aproximaram dos chilenos, mas há um interesse específico dos mineiros, por exemplo, no campo das startups, em que é possível buscar mais investimento no Chile. Pensamos um espaço para montar o escritório comercial depois de São Paulo. A economia mineradora de Minas também deve ser lembrada como parte fundamental desse processo. Alguns grupos chilenos já estão estabelecidos em Minas Gerais, como a Sonda, a Cencosud, Bretas, Bailac e Bertec. 

Como esse intercâmbio foi abalado durante a pandemia?
É evidente que a relação foi abalada, porque o comércio entre países diminuiu consideravelmente. Mas tentamos multiplicar os contatos por meio de nosso escritório virtual em Minas Gerais, participando em diversas iniciativas com federações industriais de Goiás, Mato Grosso do Sul, Nordeste e Cuiabá. Fizemos seminários importantes durante os meses. Procuramos expandir a exportação chilena de salmões, vinhos e serviços.

Que avaliação o senhor faz do balanço das exportações do Chile para Minas Gerais de janeiro a outubro de 2021?
Estamos muito satisfeitos com os resultados. Fizemos um encontro empresarial em São Paulo com a participação do escritório comercial de Belo Horizonte em outubro. Tivemos a participação de 220 empresas dos dois países e organizamos 750 reuniões bilaterais entre empresários. Temos registrados R$ 140 milhões de intercâmbios só com esses encontros empresariais virtuais. Para 2022, planejamentos cinco encontros adicionais em todo o Brasil sobre temas como agricultura, vinhos, orgânicos e supermercadistas. Temos um objetivo específico para Belo Horizonte: posicionar melhor essa oferta de fornecedores chilenos de produtos e serviços, principalmente para a mineração. Mas os demais leques de produtos serão beneficiados, já que possuem elevado grau de tecnologia para atender diretamente a própria mineração. Existe uma área de pesquisa em Minas Gerais, centros de tecnologia, e-commercie que podem ser melhor explorados.

O que consiste o acordo de livre comércio entre Brasil e Chile? E quais as vantagens desse acordo?
Em 25 de janeiro de 2022, entra em vigor o acordo de livre comércio. Existe uma cooperação política entre os países para aprofundar os caminhos e oportunidades comerciais. Em abril de 2018, ambos concordaram em intensificar suas relações econômicas. A ideia culminou em quatro negociações até 19 de outubro deste ano. O presidente Michel Temer havia assinado um acordo de livre comércio em 2018, mas o processo só foi concluído pelas casas legislativas neste ano. Temos tarifa zero no Acordo de Complementação Econômica nº 35 firmado entre brasileiros e chilenos que visa à facilitação do comércio, mas hoje temos melhor estrutura para ajudar exportadores e importadores. Contamos com instrumentos com admissão temporária de mercadorias, certificado digital de origem e comércio eletrônico, que é muito importante para pequenas e médias empresas. Logo, conseguimos desenvolver alianças para pesquisas e desenvolvimentos de produtos tecnológicos para dar maior valor ao produto em benefício das economias. Este é o momento ideal para que os empresários possam investir mais.

O senhor acredita que a economia atingiu uma recuperação ideal para que esse acordo tenha proporções maiores?
A economia chilena está recuperada e com crescimento assustador. Estamos falando de expansão de 12% em 2021. É algo bem acima das expectativas. O Brasil pode crescer na faixa dos 5%, mas temos de lembrar que a economia brasileira é bem complexa e tem enormes oportunidades. Não é fácil comparar esses números com um crescimento que hoje tem a China, por exemplo, mas podemos alcançar esse número e isso será benéfico para Chile e Brasil. O Brasil hoje é o principal destino dos investimentos exteriores do Chile. Temos um acumulado de 35 bilhões de dólares investidos no Brasil. Tudo o que investimos no mundo, praticamente um terço fica aqui. Aí tem um dado importante para vermos o que significa para as empresas investir no Brasil. E conseguimos crescer juntos. Temos também uma importância para o Brasil, pois somos o segundo país na América do Sul que o Brasil mais exporta seus produtos, atrás apenas da Argentina.


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