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Estado de Minas MULHERES NO COMANDO

Empreendedorismo feminino: influenciadoras investem nos próprios produtos

Três influenciadoras digitais falam sobre a mulher nos negócios e as suas experiências de como comandar uma marca atualmente no Brasil


19/11/2021 08:59 - atualizado 21/11/2021 14:21

Bianca Andrade, a Boca Rosa, Mariana Saad e Marina Repetto
Bianca Andrade, a Boca Rosa, Mariana Saad e Marina Repetto falam sobre as próprias marcas de produtos (foto: Divulgação)
“Who run the world? Girls (Quem manda no mundo? Garotas!)”, já dizia Beyoncé. E ela está correta: 52% dos empreendimentos com menos de três anos e meio são comandados por mulheres, aponta a GEM (Global Entrepreneurship Monitor). Por isso, 19 de novembro é comemorado o Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino, uma iniciativa das Nações Unidas. O Estado de Minas convidou três influenciadoras digitais para falar sobre a mulher neste meio de negócios e as próprias experiências de como comandar uma marca atualmente no Brasil.

Bianca Andrade, a Boca Rosa
Bianca Andrade, a Boca Rosa, começou na internet pelo Youtube ensinando meninas a se maquiar (foto: Boca Rosa/Divulgação)
Bianca Andrade, conhecida também como Boca Rosa, começou na internet pelo Youtube, em 2011, quando publicava vídeos ensinando meninas a se maquiar. “Desde pequena a maquiagem é presente na minha vida. Eu lembro, por exemplo, quando eu era criança, pegava a necessaire da minha mãe para usar escondido dela. Ela me via usando as maquiagens e começou a me ensinar”, conta.

Essa paixão pela beleza levou Bianca a se aventurar no mundo do empreendedorismo. Hoje em dia ela é dona de duas marcas: Boca Rosa Beauty, de maquiagem, e Boca Rosa Hair, de produtos para cabelo. A transição de influencer para empresária veio amadurecendo ao longo do tempo que estampou seu rosto em campanhas de outras marcas. “Antes de empreender eu tive outros projetos. No Youtube fazia quadros e sempre gostei de montar projetos. Com isso, eu pensei que a maquiagem sempre foi a minha maior paixão então porque não fazer dessa paixão o meu negócio? Eu era o rosto de algumas marcas de maquiagens, então eu pensei que queria fazer a minha própria e foi assim que comecei a empreender porque queria criar a minha história, o meu império Boca Rosa”, recorda.

No mesmo ramo da beleza, Mariana Saad, também tem uma marca de produtos de maquiagem. Sua história é parecida com a de Bianca e também começou por influência maternal. “Meu jeito de nascer na internet veio por conta da minha mãe, ela tinha uma relação muito íntima com a maquiagem. Aprendi com ela e eu maquiava as minhas amigas quando a gente ia sair e isso acabou virando minha escola. Eu tinha vários rostos, formatos e peles diferentes para aprender”, disse. “Entre final de colegial e início de vida adulta, decidindo o que queria fazer da minha vida, eu pedi a chance para o meu pai de trabalhar com a maquiagem e começar a me desenvolver na internet. Foi uma paixão orgânica que já existia dentro de mim”, acrescenta.

Mariana Saad
Mariana Saad: "Eu maquiava as minhas amigas quando a gente ia sair e isso acabou virando minha escola" (foto: Mariana Saad/Divulgação)


Ela conseguiu crescer com o público nas redes sociais e ao longo do tempo foi trabalhando com algumas marcas de maquiagem. A ideia de investir nos próprios produtos veio com a experiência desses trabalhos. “Muitas das experiências que eu fui ganhando ao longo do tempo foram me dando alguns despertares. Queria entender e ter mais autonomia sobre os produtos e sempre tive essa paixão por vender, queria muito convencer. Lembro sempre de fazer o vídeo - eu tenho isso até hoje - e tentar passar para as pessoas exatamente tudo aquilo que eu estou sentindo. Mas eu tinha algumas dores, sentia que tinha alguns produtos que não performavam muito bem, que não eram tão incríveis por algumas questões. Eu falava: ‘Como seria se eu fosse fazer o meu próprio batom e se eu tivesse que mudar isso. Eu mudaria de que forma?’. Começou a nascer a vontade de ter mais liberdade sobre os produtos”, conta.

Por falar em beleza e auto cuidado, outra influenciadora, de Minas Gerais, Marina Repetto também decidiu investir no empreendedorismo. No Instagram, ela compartilha um estilo de vida voltado para a espiritualidade e o autoconhecimento da mente e da alma. O início da sua jornada foi um pouco diferente. “Me formei em nutrição na Faculdade Federal de Juiz de Fora e achei que ia trabalhar com isso, que ia ser nutricionista de consultório. Acabou que a minha própria história foi me direcionando para onde eu estou hoje. Eu vivi momentos muito intensos, de muita dor, desde um acidente que aconteceu na cidade de Angra dos Reis no Réveillon, em 2010. Ali, me deparando com a dor, na qual eu perdi quatro familiares, tive um contato muito íntimo com a vida. Com isso, comecei a aprender coisas que me ajudaram muito na minha caminhada. Naquele momento, cada uma das coisas que eu aprendi, sentia vontade de também poder compartilhar”, afirma. 

Mariana Repetto
Mariana Repetto: estilo de vida voltado para a espiritualidade e o autoconhecimento (foto: Marina Repetto/Divulgação)


“Foi assim que eu comecei nesse mundo e entendi um pouco mais sobre a meditação. Comecei compartilhando frases que incentivaram minha caminhada. Nunca imaginei que isso iria repercutir de forma tão positiva e que ia alcançar tanta gente. Então, ao longo dessa caminhada, por ainda estar na faculdade, fui conciliando. Mas o quanto a demanda ia aumentando, comecei a me sentir mais responsável pelo que eu estava dizendo. Então me senti no dever de estudar sobre o que eu estava falando. Com isso, comecei a viver o meu próprio processo. Na minha visão, isso foi essencial para passar com todo o coração, a verdade. O Instagram é uma página aberta do meu coração”, diz Marina.

Por estar muito conectada com esta espiritualidade, sempre gostou dos cristais que desde as civilizações mais antigas acreditavam que as pedras são parte da nossa mãe natureza e muitos dizem que elas possuem um campo magnético natural que pode ser usado para curar, equilibrar e energizar nosso corpo e o ambiente. “Eu sempre fui uma pessoa com espírito empreendedor. Desde a escola, eu já amava fazer minhas coisas. Eu fazia pulseirinhas de miçanga e  sempre que alguém  queria também. E eu gostava de oferecer, sempre senti a necessidade de compartilhar as coisas que eu gosto e uso, coisas que eu acredito que fazem minha vida melhor. Eu percebi que tinha procura. Muita gente perguntava sobre coisas específicas, como minhas jóias e meu cabelo. Então, pensei, porque não disponibilizar?”, relembra.

Hoje ela tem uma linha que possui dois segmentos: Floralia, que tem sais de banho, sabonetes, shampoo e condicionador em barras, e a Cristália, que são as jóias, pedras cristais. “Vejo que essas duas linhas estão muito relacionadas com o mundo das energias. Gosto de dizer que o nosso dia a dia tem a energia que a gente traz, se você acorda se possibilita um momento de autocuidado, você tá fazendo alguma coisa por você. Veio daí essa vontade de querer que todo mundo viva a experiência. Além de estarmos ajudando o planeta”, conta.

Base de seguidores

As três influenciadoras começaram a própria marca depois de terem conquistado uma base forte nas redes sociais. Bianca Andrade tem 16 milhões de seguidores no Instagram, Mariana Saad tem 3,6 milhões e Marina Repetto conta com 1,6 milhão. Esse público fortalece as marcas. “Esse é um gancho que os influenciadores precisam entender e abrir a cabeça para criarem seus próprios negócios. Dentro do empreendedorismo existe a questão da troca, então quando você agrega um valor na vida do seu cliente é isso que o influenciador faz desde o começo. A partir de um momento que você lança um produto, você realmente acredita, compartilha, conecta as pessoas, naturalmente eles se conectam”, pontua Boca Rosa.

“É o mecanismo que dá muito certo e o influenciador já tem isso na veia, por isso acredito que esse mercado tende a crescer ainda mais se os influenciadores tiverem seus próprios negócios. Me ajudou muito porque eu tô há 10 anos gerando valor na vida das pessoas, sendo uma companhia na vida das mulheres, inspirando, motivando a sonhar e isso é também um grande presente que eu recebi quando lancei minha marca. Uma fã veio falar: ‘Virei maquiadora por sua causa’ e aí ela compra com vontade, aquele produto tem valor para ela”, acrescentou Bianca.

Marina Repetto também enxerga este lado que sua base de seguidores trouxe para agregar sua marca. “Acredito que ser influenciadora me ajudou sim. A partir que fui crescendo fui ganhando credibilidade. Acho que isso aconteceu exatamente pelo fato de eu só compartilhar o que eu uso”, observa. Mas ela também faz um alerta: “Vejo que nesse mundo de influenciadores, temos que ter muito cuidado. As procuras por trabalho são muitas e nem sempre o produto tem a ver e, por isso, faço questão de só compartilhar o que eu realmente acredito. Já recusei inúmeros trabalhos por não acreditar na marca”, explica.

Mari Saad acredita que a proximidade com o público traz uma conexão de confiança para a marca. “As pessoas me reconhecem pelo meu trabalho e eu acredito que se identificam com o que eu compartilho e o que eu faço, isso de certa forma traz uma proximidade. A identificação traz a proximidade com o público, mas não necessariamente traz a influência. Mas eu entendi que eu influenciava a partir do momento que eu comecei a desenvolver meus produtos. As pessoas compravam de fato, usavam da forma que eu indicava e se sentiam felizes, mexia com a autoestima das mulheres. Eu ouvia: ‘A partir desse dia você mudou a minha relação com a maquiagem, mudou a forma de eu me ver’. Acho que essa identificação como um todo, acaba influenciando na marca e isso se constrói o tempo todo.”

Do desenvolvimento ao lançamento

O processo para desenvolver um produto é árduo, como explica Mari Saad. “Você tem um produto que está na sua cabeça que usou e gostou. Dentro disso existe um time químico que faz uma base sensorial desse produto e a partir disso nascem outros protótipos de sensoriais diferentes e você vai fazendo a avaliação de performance de cada produto de acordo com a base sensorial. Então, por exemplo, de cem protótipos, viram 50, de 50 viram 20, 20 viram 5 e 5 viraram 1. Esse processo pode ocorrer em um ano, às vezes em seis meses ou um mês. É uma caixinha de surpresas: você pode acessar alguns lugares que pensa em abandonar aquele produto ou pode acessar caminhos porque o produto está performando lindamente e aí nasce a coleção.”, conta.

“A parte burocrática também precisa de muito cuidado. A maior atenção é ter a fórmula correta, tendo isso a gente começa o desenvolvimento e desenho de embalagem, começa a fazer os primeiros testes porque nem sempre o que a gente quer é o que dá certo. A gente tem uma vantagem por importar e fazer tudo fora, a gente tem mais liberdade de embalagem, no Brasil o leque é mais fechado. Depois a gente coloca dentro da grade de lançamento, definindo as estratégias e lançamos os produtos. Aí começa a parte gostosa que é desenvolvimento de campanha, imaginar o produto já na mão das pessoas. O grande desafio é endossar muito, como você vai continuar contando pela comunicação o desejo que você tem de falar sobre aquele produto da mesma forma que você criou, é um desafio”, diz Mari Saad. 

Essas ideias vêm de momentos mais inusitados. “Empreender é isso, você tirar uma ideia da sua cabeça e fazer dela um negócio. A maioria das ideias que eu tive vieram em um banho, a minha cabeça funciona bem rápido em relação a inspiração. A gente senta, desenha, faz um planejamento e cria etapas”, diz Bianca Andrade.

Ela relembra como foi o primeiro lançamento. “Eu vi uma frase do Marcos Marques, um grande empresário, dizendo que as pessoas ouvem mais o que você faz do que o que você fala. Foi quando eu trouxe o buzz marketing para a maquiagem, comecei a criar impacto nos eventos de lançamento para que as pessoas repercutissem. Então fiz uma casa rosa cheia de ‘Boca Rosa’ na Avenida Paulista, em São Paulo, porque eu queria que as pessoas comentassem e foi isso que aconteceu. Fizemos uma experiência de três dias, foi super inovador, não tinha acontecido nada antes parecido no mercado da beleza”, relembra.

Mari Saad também recorda do crescimento da marca. “O primeiro lançamento foi uma coleção de pincéis e depois virou uma coleção um pouco mais profissional. Depois vieram as esponjas e em seguida veio o primeiro produto de maquiagem mesmo, a 9 shades, uma paleta de sombras super versáteis e coloridas. A linha foi ganhando muito corpo, as coisas foram acontecendo muito naturalmente. Você vai por baby step e as pessoas só pediam por mais maquiagem, a gente ia estudando e trazendo o que fazia sentido.”

Para 2022, vários planejamentos já estão em processo de criação. “Minha cabeça não para, penso em muita coisa. Penso em skin care, linha baby, criar meu próprio curso de marketing, muitos projetos”, revela Bia.

“Temos uma grade pronta de portfólio até o final de 2023”, diz Mari. “Como a gente trabalha com importação, tudo nosso é feito lá fora, tem um cronograma, um guia bem específico e organizado. Precisamos trabalhar com muita antecedência se não fica difícil se organizar para que de fato a gente coloque o produto no mercado. Tem todo um processo, mas já temos muitos produtos prontos, desenvolvidos, e muitos ainda em processo de desenvolvimento”, acrescenta.

Dicas para quem está começando

Todas elas mostraram que a união faz a força e cada vez mais mulheres assumindo este mercado as vantagens só aumentam para os negócios no país. Por isso, deram dicas para quem está começando no mundo do empreendedorismo.

“Primeiro: nós, mulheres, em muitos casos a gente se auto sabota. Acreditamos que o mundo dos negócios é uma atmosfera masculina, que não temos chance e só cuidamos do lado criativo. Eu com 16 anos de idade, ou até antes, sonhava em construir minha história, em ser gigante e fui capaz de conquistar. Eu quero que a mulher seja a referência de negócio, a gente tem uma inteligência emocional que hoje em dia as marcas precisam ter. Hoje em dia a marca não é só algo frio e comercial, precisa ser cada vez mais humanizada, principalmente com a internet ela precisa estar cada vez mais conectada com seu público e nisso não tem quem faça melhor do que a mulher”, afirma Bianca.

“Se você sonha com isso, faça um plano de negócio, pegue um papel e comece a escrever o que você quer para a sua vida, entender qual o primeiro passo. Faça o que você tem agora, começa! No caminho você vai descobrindo, se conectando e aprendendo cada vez mais e adicionando no seu negócio”, explica.

Mari Saad frisou a importância de desfrutar o caminho e estar aberto às oportunidades. “O lance de você captar as oportunidades e entender tudo como uma passagem importante, que faz parte do caminho. Eu vejo isso porque lembro de aceitar vários trabalhos que na época não faziam tanto sentido pra mim, que às vezes não valem pelo financeiro, mas valeu pela experiência. Tudo é muito vantajoso, então estar em movimento e estar aberta às oportunidades é uma gentileza com você mesma”, disse.

“Também é importante se ver como empresa, te traz uma postura diferente, um olhar para capacitação de pessoas. Impossível você conseguir dar os próximos passos sem olhar internamente e entender que esse investimento é necessário o tempo todo. Várias cabeças pensantes é muito mais interessante que uma só, a gente consegue chegar em melhores conclusões para várias coisas que a gente precisa, juntando o time todo”, completou.

“Outra dica é a constância em rede social é uma coisa muito importante, conta bastante sobre você e mostra seu trabalho. Mas do fundo do coração é estar de acordo com suas vontades e entregar o melhor de si todos os dias. Precisam estar bem equilibrados o lado profissional com o pessoal para a gente conseguir se comportar da melhor maneira”, concluiu Mari.

Marina Repetto afirmou que é necessário se arriscar sem medo. “Às vezes o mundo vai dizer que aquilo não funciona. Mas se você sente, vá sem medo. De fato não temos como saber os resultados, mas só vamos saber de fato se a gente tentar”, opina.


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