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Estado de Minas FINANÇAS PESSOAIS

Com a pandemia, seguros atraem até os mais jovens

Percepção da vulnerabilidade e da necessidade de proteção financeira da família provocada pela crise sanitária sustenta alta na procura por apólices


04/10/2021 04:00 - atualizado 04/10/2021 07:17

André Serebrinic
Para André Serebrinic, os jovens já percebem que as coberturas dos seguros se aplicam também a riscos que independem da idade (foto: Divulgação)

Brasília – A pandemia de COVID-19 provocou uma elevação na contratação de apólices de seguro de vida, movida pelo desejo de provedores familiares de garantir financeiramente seus parentes e dependentes no caso de perderem a vida. Mas o que chama mais a atenção é o fato de muitos jovens também estarem buscando essa proteção.

A doença e suas consequências geraram uma nova percepção sobre os seguros de vida: a importância de prevenir eventuais prejuízos a seus familiares, bens, negócios e a si mesmo em meio às intempéries, embora os produtos, em geral, não cubram sinistros provocados por pandemias.

 

Para David Legher, diretor estatutário da FenaPrevi e CEO da Prudential do Brasil, a pandemia de COVID-19 levou a uma reflexão maior sobre a finitude da vida e sobre a nossa vulnerabilidade, chamando a atenção para a necessidade de estarmos preparados financeiramente para lidar com essas situações. “A pandemia também acelerou a transformação digital nas seguradoras, aperfeiçoando a experiência de compra e aproximando as novas gerações de consumidores”, explicou.

 

Segundo André Serebrinic, diretor de Vida, Previdência, Capitalização e Odonto da MAPFRE, os consumidores na faixa etária entre 30 e 45 anos, com família constituída, foram a maioria dos que contrataram seguros de vida da empresa, principalmente neste ano. Para ele, os segurados perceberam que o custo é ligado à idade.

“Boa parte desses segurados atentou para o fato de que quanto mais jovem a pessoa contratar um seguro e se tiver um estilo de vida com menor exposição a riscos, menor será o risco assumido pela seguradora. E que, com isso, o valor pago mensalmente pelo segurado (chamado de prêmio) tende a ser menor".

 

Outro atrativo está ligado ao fato de o seguro oferecer coberturas que têm relação com a vida de qualquer pessoa, independentemente da idade, diz Serebrinic. Ele cita como exemplo as coberturas de diária de internação hospitalar – que podem ser por acidente ou por evento cirúrgico, dependendo do que foi contratado.

 

O segmento de seguros de vida cresceu em todo o país, constata Serebrinic, com base nos dados da MAPFRE. “No primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2020, a MAPFRE registrou um aumento próximo a 10% na adesão aos seguros de vida – incluindo todas as faixas etárias, mas, principalmente, como já mencionado, os consumidores na faixa entre 30 e 45 anos, com família constituída”, analisa.

 

EFEITO PSICOLÓGICO


Para a psicóloga clínica Alessandra Araújo, a pandemia aumentou a sensação de insegurança levando a crises de pânico, ansiedade, depressão e percepção de uma saúde mental fragilizada. À medida que o coronavírus se alastrava, a insegurança e medo da morte cresciam.

E é nesse contexto que se encaixa a procura pelo seguro de vida, por remeter à estabilidade, ainda que, muitas vezes, não vise àquele que o contrata, mas sim assegurar os beneficiários indicados por ele, constata a psicóloga. Para ela, os jovens têm buscado a autossustentação, além de retribuir aos seus cuidadores o esforço que tiveram com eles.

 

“Fazer um seguro que não cobre pandemia nem epidemia pode parecer um ato de desespero e angústia, diante da possibilidade do risco de morte e insegurança diante da partida. Além do cenário pandêmico, também contamos com pessoas que passaram a pensar um pouco mais no futuro, sem ansiedade, esquecendo o presente, pelo contrário, viver o hoje se tornou uma nova realidade, a constatação de que a vida não é eterna e que é necessário estar preparado para isso, conduz o indivíduo a pensar no futuro”, completa Araújo.

 

Leane
Leane, Moisés e Raissa estão entre os jovens que têm seguro de vida: %u201CFicou muito claro, pelo menos para mim, que a vida é algo muito sensível. Por isso, eu não queria deixar minha família desamparada%u201D, diz o rapaz (foto: Arquivo pessoal)
 

Renda para enfrentar o futuro

 

Do ponto de vista prático, explica a advogada do escritório Kolbe Advogados Associados e especialista em seguros Luiza de Alencar, o seguro de vida tem como objetivo a proteção econômica e financeira do segurado e de sua família. “Em síntese, ele garante uma indenização ao beneficiário em caso de falecimento do segurado. O principal benefício do seguro de vida é proteger a renda e o padrão de vida da família”. De acordo com a advogada, qualquer pessoa pode submeter uma proposta de contratação a um seguro de vida, estando dentro da faixa de idade de aceitação da seguradora. “Entretanto, a aprovação da proposta fica a critério da empresa”, afirma.

 

Moisés
Moisés (foto: Arquivo pessoal)
 

 

Ainda segundo a especialista em seguros, com o aumento das mortes por COVID-19, o papel do seguro de vida se tornou mais relevante.

“Isso porque, muitos jovens, que contribuem para o sustento dos pais idosos, começaram a se preocupar em deixar algum tipo de amparo para sua família. Além disso, uma vez que a taxa de desemprego aumentou bruscamente com a doença, muitos perderam planos de saúde e os seguros de vida hoje trazem assistência para doenças graves, internações, incapacidade temporária e cirurgias. As operadoras passaram a oferecer, além do pagamento aos dependentes do segurado em caso de morte, alguns benefícios como terapia online, assistência pet, internação hospitalar, o que ajudou na emissão recorde das apólices”, analisou.

 

O brasiliense Moisés Wanzeller, tradutor formado pela UNB, 26 anos, afirma que procurou um seguro de vida devido à pandemia. “Ficou muito claro, pelo menos para mim, que a vida é algo muito sensível. Um dia você estará aqui e, no outro, você pode simplesmente não estar. Por isso, eu não queria deixar minha família desamparada, os beneficiários”, afirma.

 

Moisés elegeu todos da família como beneficiários do seguro contratado. “Se eles estiverem desamparados, seja minha esposa, pai, mãe, enfim, vão poder se beneficiar do auxílio caso aconteça algo comigo. É um benefício com que os meus familiares, as pessoas que eu amo, vão poder contar, pra seguir a vida sem nenhum problema caso eu não esteja mais aqui. Pelo menos sem maiores problemas", justificou. Além disso, o tradutor destaca que a cobertura contratada inclui também invalidez, acidente de trabalho e internação em hospital, a depender do caso. “São algumas situações a que todos nós estamos sujeitos. Viver é um risco constante e basicamente foram esses os motivos”, completa.

 

 

 

Já para a bióloga que mora em Curitiba Raissa Costa, de 24, inicialmente, o que a levou a aderir a um seguro de vida foi a exigência do local da empresa em trabalhava. “Era uma taxa baixa, que cobria acidente de trabalho, alguns serviços úteis, como chaveiro e guincho, então é uma coisa boa, por não cobrir apenas a vida”, explicou.

 

Agora, mesmo desligada do trabalho, mantém o seguro. “Vejo como um grande benefício, porém não conheço nenhum jovem que tenha aderido ao seguro por iniciativa própria, os que conheço que têm seguro de vida apenas obedeceram uma exigência do local de trabalho”, contou.

 

Leanne Nascimento, de 20 anos, estudante, que visa cursar medicina, é mais um exemplo de quem contratou um seguro devido à imposição corporativa. A jovem conta que fez seu seguro de vida há alguns anos, enquanto ainda cursava o ensino médio. “Em 2018, precisei fazer estágio em uma lanchonete, pois meu curso era ligado à área técnica de alimentos. Era uma exigência do meu estágio”, conta.

 

Embora o motivo inicial tenha sido a obrigatoriedade, já que ela trabalharia na cozinha, onde há muito risco de acidentes, ela manteve o pagamento depois de completar o estágio. Mas não está certa se continuará pagando.

 

Arrecadação supera os R$ 26 bi no país

 

Segundo dados da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Complementar e Capitalização (CNseg), a arrecadação do segmento de vida no Brasil supera R$ 26 bilhões em prêmios. É um mercado que gera “ inúmeras oportunidades de negócios para corretores, aliadas à garantia de que os clientes e seus beneficiários não percam o poder de renda, padrão de vida ou tenham a dilapidação de seu patrimônio diante de riscos”, analisa Márcio Batistuti, diretor de Varejo da MAG Seguros.

 

O mercado segurador brasileiro pagou, até junho, segundo a FenaPrevi, mais de R$ 3 bilhões em seguro de vida em razão da pandemia do coronavírus, embora pandemias e epidemias não estejam entre as coberturas incluídas nos contratos. Para Batistuti esse fato demonstra a importância da indústria para a sociedade e reforça o seu compromisso. Entretanto, de acordo com David Legher, diretor estatutário da FenaPrevi e CEO da Prudential do Brasil, apenas 15% da população brasileira conta com seguro de vida, enquanto nos EUA o índice chega a 70%.

 

Um dos motivos está ligado ao desconhecimento sobre as aplicações do seguro, já que muitos pensam que os contratos se limitam a garantir algum valor para a família em caso de morte do contratante. Mas há muito mais do que isso.

 

“Em se tratando de seguro de vida, o objetivo principal é proteger o dono dessa vida, ou seja, o próprio segurado. Todo mundo sabe que, em casos como diagnóstico de doença grave, situação de invalidez total ou parcial, a pessoa fica em uma situação de desespero, vai atrás de tudo que for possível para solucionar o problema e acaba se afastando um pouco do trabalho, fazendo com que pare de produzir e as contas acabam chegando”, explica o consultor de Proteção Financeira da Metlife, Luis Reis.

 

Segundo o consultor, nesse momento o seguro entra em cena, indenizando, de maneira total ou parcial, o valor que o segurado contratou na apólice, que pode variar de R$ 60 mil a R$ 1 milhão. “Dessa forma o segurado fica mais tranquilo para se recuperar sem pensar em dinheiro, num momento em que tem que se tratar. Em caso de internação hospitalar, o cliente também recebe um valor a partir de 5 dias internado. Também temos a proteção da renda para casos em que o cliente não tem condições de trabalhar, o seguro também protege seus proventos. Chamamos essas coberturas de benefício em vida”, explica.

 

Outra área que o seguro pode proteger é o inventário. “Sabemos que o custo de um inventário é de 10% a 15% do valor dos bens e esse valor pode estar na apólice do cliente que quiser ter direito a esse benefício, tornando esse assunto resolvido para sua família quando se ausentar. Vale a pena dizer que o seguro, além de proteger no presente, pode gerar uma reserva financeira, cuja qual o segurado pode resgatar ao final, sendo assim uma proteção financeira para o futuro”, completa o consultor.

 

Para o Diretor Estatutário da Fenaprevi no Brasil, essa conscientização está aumentando. “Os dados da Fenaprevi mostram que a arrecadação do seguro de vida cresceu 30,9% de janeiro a julho de 2021, comparado ao mesmo período de 2020, o que demonstra o quanto as pessoas realmente estão mais preocupadas em se proteger financeiramente.

 

O seguro de vida pode ser contratado para diferentes necessidades e perfis. O importante é que o consumidor o personalize de acordo com seu o estilo de vida e o de sua família. Atualmente, as pessoas buscam soluções customizadas e com facilidade de contratação.

 

No acumulado de janeiro a julho, considerando o segmento individual, os ramos que apresentaram maior crescimento foram Doenças Graves e Acidentes Pessoais. O bom desempenho destes ramos mostra um consumidor atento não apenas à proteção de seus beneficiários, mas também focado na utilização do produto em vida. 


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