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Estado de Minas INVESTIMENTOS

Investimento protegido: como driblar a turbulência no mercado financeiro

Em tempo de volatilidade no mercado, traçar metas, evitar decisões precipitadas e diversificar são atitudes essenciais para não perder dinheiro


03/10/2021 08:00 - atualizado 02/10/2021 23:26

Apesar do momento de queda nas bolsas de valores, há quem projete o Ibovespa voltando ao seu patamar máximo no fim do ano
Apesar do momento de queda nas bolsas de valores, há quem projete o Ibovespa voltando ao seu patamar máximo no fim do ano (foto: Nelson almeida/afp - 10/10/18)

Desde o começo da pandemia, a volatilidade do mercado financeiro tem pego investidores de surpresa e tirado o sono especialmente daqueles que passaram a tomar mais risco em renda variável após a taxa básica de juros (Selic) chegar à sua mínima histórica de 2%. A derrubada dos juros foi feita para baratear o crédito durante o período de crise, mas com a retomada econômica a inflação voltou a ser protagonista nas decisões financeiras dos brasileiros, o que alterou significativamente a forma de pensar em investimentos.

No caso da renda fixa, considerada uma modalidade de investimento segura, o rendimento dos títulos públicos atrelados à Selic voltou a crescer desde que o Copom promoveu altas na taxa, o que pode levar vários investidores a aumentarem suas aplicações em títulos públicos e diminuir a liquidez no mercado de renda variável – a exemplo do que ocorria no Brasil quando as taxas de juros ultrapassavam os 10%, quando os investidores poderiam investir em ativos seguros e ainda ter bom rendimento.

Em um momento de turbulência como o atual, é preciso ter estratégia e resiliência para não tomar decisões por impulso e acabar perdendo dinheiro, especialmente quando se fala em aplicação em ações. Jurandir Macedo, planejador financeiro e professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explica que a maioria dos investidores toma decisões erradas, comprando ativos quando estão em alta e vendendo quando estão em queda, com medo de perder dinheiro.

“É a mesma lógica de quando você quer comprar um determinado produto. Você compra quando está caro ou quando ele fica barato? Quando houve alta na bolsa, as pessoas compraram. E agora, boa parte vendeu. Os investidores famosos fizeram fortuna justamente comprando no grande período de baixa”, explica.

RESERVAS Segundo Macedo, é preciso ter em mente que cada investimento tem sua finalidade e que o mercado financeiro é uma “máquina de tirar o sono dos desesperados”. Com objetivos definidos, é possível escolher qual investimento fazer. No caso da reserva de emergência – praticamente unanimidade entre educadores financeiros –, é preciso guardar dinheiro suficiente para pagar as contas por determinado número de meses caso ocorra algum imprevisto, como demissão, por exemplo.

Nesse caso, o ideal é optar por uma aplicação segura, com tempo de resgate baixo, como é o caso dos títulos públicos. Para quem quer rendimento a longo prazo, no entanto, a recomendação é renda variável, como investimento em ações ou fundos imobiliários (FII), por exemplo, que normalmente têm maior rendimento. Macedo explica que, no caso das ações, o risco a longo prazo é baixo. Ele também recomenda três objetivos principais na hora de investir.

“No longo prazo, o risco da bolsa é extremamente baixo, mas as pessoas querem entrar só em momentos extraordinários. É importante ter em mente três coisas na hora de fazer investimentos: a reserva de emergência, que lhe garanta recursos em situações atípicas; a aposentadoria complementar – que não substitui a previdência pública; e a reserva para sonhos, como uma viagem, um casamento daqui a um ou dois anos”, diz.

DIVERSIFICAÇÃO José Falcão Castro, analista de investimentos do Nu Invest, também recomenda cautela na hora de tomar decisões em momentos de turbulência. Ele revela que, mesmo com a alta saída de capital estrangeiro da B3 em setembro, quem vendeu mais ações e desfez suas posições foram os brasileiros.

“Quando você pega setembro, teve saída de investimento estrangeiro, mas o ano tem saldo positivo grande. O que está causando a correção da bolsa nesses últimos meses não é a saída do investidor estrangeiro, é quem está na ponta, o investidor doméstico. Quando você pega no consolidado do ano, quem está vendendo é investidor institucional e pessoas físicas”, pontua.

A chave para atravessar o momento de turbulência, segundo ele, é a mesma para qualquer tempo: a diversificação da carteira – que consiste em ter diversos tipos de investimento ao mesmo tempo. Essa diversificação, aponta Castro, deve ser feita de preferência sob a orientação de profissionais.

“Sempre é hora de ter mais de um ativo, sempre. O que muda é a dosagem. Não zere sua aplicação em bolsa. Se você estiver vulnerável, pode reduzir e ir um pouco mais para renda fixa, títulos públicos ou privados”, explica. “O investidor tem que ter a estratégia muito bem definida. Se quer construir o longo prazo, ele não deve se preocupar com o curto prazo, apenas fazer pequenos ajustes”, acrescenta.

INVESTINDO EM AÇÕES Apesar do momento de turbulência, há quem projete o índice Ibovespa voltando ao seu patamar máximo no fim do ano. É o que aponta um relatório da XP Investimentos divulgado no fim de setembro, que projeta a bolsa em 130 mil pontos em dezembro – atualmente, está em 112 mil.  Uma das autoras do relatório, a estrategista de ações Jennie Li, também recomenda variedade de investimentos para atravessar o momento de crise.

Além disso, outra característica importante é disciplina. O investidor pessoa física, segundo ela, normalmente tem dificuldades em seguir o princípio de comprar determinado papel em baixa e vendê-lo em alta. Por isso, é preciso pensar com calma e ter resiliência.

“É preciso ter em mente objetivo e prazo e seguir investindo. Fazer timing de mercado é algo que nem investidores experientes conseguem. Princípio de mercado é comprar na baixa e vender na alta, mas não tem como saber. Então, tem que manter investido, conseguir tolerar essa turbulência – o que faz mais sentido que acertar o timing do mercado”, diz.

Na hora de escolher as ações, no entanto, é preciso ter em mente vários fatores. Com a inflação, algumas empresas costumam sofrer mais e outras se destacam, como é o caso daquelas que conseguem passar ao consumidor os aumentos de preços. Contudo, ela aponta que, em geral, as empresas listadas no Ibovespa geralmente conseguem se sair bem mesmo com a alta inflação.

“A longo prazo vemos que os ativos de empresas do Ibovespa conseguem ir bem apesar da inflação em alta. Fizemos um estudo alguns meses atrás mostrando o Ibovespa deflacionário. Então, no longo prazo, investir em grandes empresas, que conseguem repassar os custos, acaba sendo um bom investimento”, concluiu.

Tripé de proteção

Como reduzir riscos e “blindar” recursos

1 – Tenha objetivos bem definidos
As orientações de investimentos variam de acordo com o perfil do investidor e com seus objetivos. Quando se fala em objetivos de curto prazo, o ideal é prezar por ativos de segurança, como Tesouro Direto ou Fundos DI. Se for a longo prazo, é interessante pensar em renda variável, como ações ou fundos imobiliários (FIIs) para maior rendimento.

2 – Não aja por impulso
Especialmente quando se fala em renda variável – que engloba ativos mais arriscados –, é comum que bata o desespero quando os mercados estão em queda e o investidor pense em vender seus ativos. O ideal é avaliar sua situação e evitar tomar decisões repentinas com base no que ocorre a curto prazo.

3 – Diversifique sua carteira
Seja para fazer uma previdência complementar, viajar, comprar um imóvel, a recomendação dos especialistas é sempre essa. Quando você tem diversos tipos de ativos na sua carteira de investimentos, fica mais protegido de variação. O desafio aqui é acertar a dose, a quantidade de cada tipo de ativo. Isso pode ser feito em conjunto com sua corretora/banco.
Fontes: Relatório "Raio XP" (XP Investimentos) e especialistas


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