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Estado de Minas A RETOMADA

Abertura de BH a eventos traz ânimo, mas é insuficiente para o setor

De congressos a feiras e exposições, empresas veem liberação demorada e gradativo aumento de público presencial. Pandemia impôs fechamento e perdas


21/09/2021 04:00 - atualizado 21/09/2021 06:24

Primeiro evento retomado em 2020, Feira Nacional de Artesanato terá edição em dezembro, com uma pessoa a cada 4 metros quadrados
Primeiro evento retomado em 2020, Feira Nacional de Artesanato terá edição em dezembro, com uma pessoa a cada 4 metros quadrados (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 2/12/20)
Nova flexibilização para corridas, eventos sociais e gastronômicos em propriedades públicas e privadas de Belo Horizonte, à exceção de logradouros, abre um pouco mais as portas para setor pujante do turismo na capital e que está entre os mais afetados pelo impacto do novo coronavírus. Desde sexta-feira, novos protocolos ampliam o funconamento desses eventos, assim como de teatros, shows, espetáculos, feiras, exposições, congressos e cinemas, possibilitando público maior. Porém, promotores e empresários ainda consideram as medidas restritivas e sustentam estar havendo fuga de grandes oportunidades para outras cidades.

Em 3 de julho, a prefeitura divulgava os primeiros passos para eventos com menor público, mas não agradou aos setores da economia envolvidos. Houve protesto da Associação Mineira de Eventos e Entretenimento (AMEE), sob alegação de que as regras estariam em desacordo com o que foi proposto à época em reunião com representantes do Executivo municipal.

Promotores de eventos dizem que realização on-line cansou e estão ávidos para receber público de volta à programação
Promotores de eventos dizem que realização on-line cansou e estão ávidos para receber público de volta à programação (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press - 2/12/20)
A volta de alguns pequenos encontros e festas impactou em menos de 15% a cadeia do setor, segundo a vice-presidente do Sindicato das Empresas de Promoção, Organização e Montagem de Feiras, Congressos e Eventos de Minas Gerais (Sindiprom-MG), Karla Delfim. A capital, que tem como característica receber turistas de negócios, vinha perdendo, segundo ela, muitas atividades do setor de eventos diante da demora na liberação. “BH precisa passar ao protocolo verde na prática”, afirma.

É desse drama para as empresas se recuperarem que trata esta terceira matéria da série de reportagens que o Estado de Minas publica desde domingo sobre como variados segmentos da economia estão lidando com a retomada de suas atividades e avaliam o que mudou e precisa ser feito nessa direção. De acordo com a Associação Brasileira de Promotores de Eventos, o setor gera em torno de 2 milhões de empregos diretos e indiretos em todo o país.

Antes da pandemia de COVID-19, no período de 2013 a 2019, estimava-se que o ramo de eventos crescia, em média, 6,5% ao ano, envolvendo 5 mil empresas promotoras em todo o país. Segundo o Sindprom-MG, o setor de turismo e eventos é responsável por 12,5% do Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto da produção de bens e serviços) do Brasil. Somente a área de eventos representa 4,5%.

“Por ser um setor com muita informalidade, gera 250 mil empregos diretos, mas as atividades porporcionam renda para centenas de outras categorias, como taxistas, carroceiros, vendedores ambulantes e barraqueiros, seguranças e bilheteiros, entre outros, além de movimentar bares, restaurantes e comércios mais variados. Impacta em 70 setores econômicos”, destaca Karla Delfim.

O segmento foi um dos mais afetados pela necessidade de distanciamento social para conter a contaminação pelo coronavírus, e muitos empreendedores fecharam as portas em defitinivo, de acordo com o Sindprom-MG. A entidade estima que 97% das empresas em Minas sofreram algum impacto da COVID-19 e 49% encerraram as atividades ou migraram para outros setores. “Mas sempre mantivemos um diálogo aberto com a Prefeitura de BH.”

O presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similiares (Sindibares), Paulo Pedrosa, diz que a capital vem perdendo eventos de vulto para outras metrópoles. “Há mais de 30 anos promovíamos um dos maiores eventos do país, o Festival de Manga-larga Machador (anunciado agora para o Rio de Janeiro), período de maior ocupação dos hotéis em BH. Eram 10 dias de eventos e a cidade se movimentava muito uma semana antes e uma depois.”

Karla Delfim apela à Prefeitura de BH por protocolo livre de restrições, perante a importância da atividade para a economia
Karla Delfim apela à Prefeitura de BH por protocolo livre de restrições, perante a importância da atividade para a economia (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press - 10/9/21)

O setor de hotelaria, bares e restaurantes, segundo o sindicato, fechou 20 mil vagas na pandemia, sendo um terço na hospedagem. Foram 20 os hotéis, de pequeno a grande portes, e 4 mil pontos de vendas que fecharam em definitivo. Agora, com a reabertura da cidade, Pedrosa diz “ver com bons olhos” a retomada, acreditando que essa será plena apenas a partir do segundo semestre do ano que vem. "Quando falamos de eventos, estamos falando de turismo de negócios, esportivo, religioso. Temos muitos espaços para todo tipo de evento.”

Precaução 

Promotora de um dos maiores eventos acolhidos em Belo Horizonte, a Feira Nacional de Artesanato, Tânia Machado comemorou a ampliação da capacidade de público presencial, mas se mostra ainda cautelosa. “A decisão sobre feiras, como a de artesanato, foi tomada dois meses atrás, tanto é que já temos licenciamento para a próxima, entre 7 e 12 de dezembro, no Expominas. O que muda é que antes seria permitido uma pessoa a cada sete metros quadrados, e agora a exigência passa a ser de uma por quatro metros quadrados.”

Essa medida eleva a presença de 6.200 pessoas para 10 mil, mas Tânia Machado diz que manterá o planejamento anterior “pelo menos por enquanto, por cautela”. A Feira Nacional de Artesanato foi o único evento em todo o Brasil com presença de público ocorrido no ano passado, segundo a promotora. Foram 1.500 expositores. “Em 2019, recebemos em torno de 150 mil visitantes; em 2020, com licenciamento da prefeitura, foram 29 mil. O protocolo acordado com a prefeitura permitia 60 mil pessoas, uma pessoa a cada 13 metros quadrados.”

Outubro reinicia calendário

Com atuação há 23 anos no ramo de eventos, Cristina Misk, proprietária de bufê com o mesmo nome, se diz “desanimada” e ressentida de não ter fechado as portas no início da pandemia. “Não paramos nenhum dia de reinventar.” No primeiro momento, ela investiu no sistema de delivery de pratos quentes, “coisa que nunca tinha feito”, observa. A empresa já trabalhava com congelados. O volume de vendas que o serviço gerou não foi o suficente durante a pandemia.

Outro mudança foi a criação de caixas para presentear, kits em datas especiais, como Dia das Mães, dos pais, e dos namorados. “Fomos tentando reinventar dentro do que existia de demanda, para happy hour, reuniões on-line com funcionários, festa junina. Foi uma solução só para não fechar as portas.” Mesmo assim, dois terços dos funcionários foram demitidos, segundo Cristina Misk.

O quadro de empregados foi reduzido na expectativa do retorno, “o que até hoje não aconteceu”, reclama. “Na verdade, o que acontece é que praticamente todo o estado segue o Minas Consciente, praticamente tudo liberado. Todo mundo tirando eventos de BH devido às restrições que inviabilizam eventos maiores”, destaca.

Denise Alamy Botelho, sócia-proprietária da agência de relações públicas, comunicação e eventos 22 Graus, conta que logo no início da pandemia, em 2020, atendia a um congresso internacional marcado para março. Diante do decreto, foi necessário transformá-lo para o formato virtual. “Foi nossa primeira experiência. Foi adiado para junho e virou congresso internacional virtual.”

Por ser também uma agência de comunicação, passou a focar no marketing digital, assessoria de imprensa e comunicação digital em geral, estratégia de sobrevivência da empresa. Denise Botelho reconhece que surgiram novos mercados e precisou ir se adaptando a cada situação exigida pela pandemia. Ocorreram eventos híbridos, quando houve queda nos números, em outubro do ano passado, encontros com 30 pessoas, em locais abertos e com todos os protocolos recomendados pelas autoridades sanitárias. Até então, não havia vacina contra a COVID-19.

A agência também comemorou a felixibilidade na reabertura da cidade para eventos. “O on-line acabou por cansar o setor. O mercado está ávido para voltar ao relacionamento, encontros, conversas, e já estamos sentindo essa volta.” Clientes já programam eventos presenciais a partir de outubro, com exigência do cartão de vacina para os participantes.

Também em outubro está programado um grande evento internacional, que ocorrerá em formato híbrido. A empresa cliente tem representantes em todo o mundo. Os que puderem entrar no país, participam de forma presencial, com grupo de 30 pessoas; as demais on-line, em seus países de residência. Denise Botelho conta com 18 eventos corporativos previstos para 2022.

Sem registros 

De acordo com Tânia Machado, promotora da Feira Nacional de Artesanato, após o evento no ano passado foi realizada pesquisa com os 1.500 expositores e prestadores de serviços, “e não houve um único registro de contaminação. Isso provou que é possível fazer, desde que tomadas as mais rigorosas medidas recomendadas pelas autoridades de saúde”, afirma. O investimento gira em torno de R$ 5 milhões, e atrai em média 5 mil turistas, que se hospedam, circulam nos transportes públicos e privados, frequentam shoppings, restaurantes. Movimenta a cadeia do turismo, segundo a organizadora. A previsão neste ano é de 90 mil visitantes, com faturamento previsto de R$ 40 milhões. (EG)

As mudanças aprovadas na capital

FESTAS

  • Estão liberados eventos sociais, como festas de casamento e aniversário, desde que com distanciamento de uma pessoa a cada 4 metros, e capacidade de público limitada a 250 convidados. No protocolo anterior, a Prefeitura de BH permitia 200 pessoas ao todo, considerando-se os funcionários nos eventos
  • Todos os participantes dos eventos deverão apresentar resultado negativo para a COVID-19 em teste dos tipos RT-PCR ou Teste Rápido de Antígeno realizado até 72 horas antes do evento
  • Nas mesas, a capacidade de pessoas passa a ser de até oito convidados
  • Flexibilizada a distância entre as mesas para um metro, em vez dos atuais 2m, e está autorizada pista de dança

GASTRONOMIA

  • Eventos poderão ser realizados em propriedade pública ou privada, mediante licenciamento. Nas ruas e em lougradouro público eles continuam vetados
  • A capacidade de público está limitada a 1,5 mil pessoas, sendo uma pessoa a cada quatro metros quadrados
  • O uso correto de máscara será exigido, exceto nos momentos de consumo de bebidas e comidas
  • Não haverá necessidade de apresentação de teste para COVID-19, mas os organizadores deverão dispor de lista de participantes, caso haja necessidade de rastreamento epidemiológico
  • Vedado espaço para dança
  • O consumo de alimentos e bebidas atenderá às regras equivalentes às aplicáveis a bares e restaurantes








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