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Estado de Minas BOA NOTÍCIA

Brasileiros comemoram a suspensão da restrição de estrangeiros nos EUA

Com a decisão, setor de turismo espera aumento de procura por pacotes e estudantes podem ter a entrada facilitada no país


20/09/2021 18:59 - atualizado 20/09/2021 19:37

A partir de novembro, brasileiros vacinados contra a COVID-19 poderão entrar nos Estados Unidos
A partir de novembro, brasileiros vacinados contra a COVID-19 poderão entrar nos Estados Unidos (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Os Estados Unidos anunciaram, nesta segunda-feira (20/9),  a suspensão de todas as restrições de viagens internacionais para adultos estrangeiros que estiverem totalmente vacinados contra a COVID-19 . A medida começa a valer a partir de novembro, segundo o  governo do presidente Joe Biden.

 

 


A decisão beneficiará todos os países, inclusive o Brasil, e vai substituir o atual sistema, que restringe o voo de estrangeiros de determinados países e impõe restrições, como quarentena obrigatória de 14 dias.
 
A Casa Branca informou que a medida entra em vigor "a partir do início de novembro", sem especificar a data exata. Além disso, o país não informou quais vacinas serão aceitas.

Segundo o comunicado, os estrangeiros que viajarem para os Estados Unidos deverão estar totalmente imunizados e apresentar o comprovante de vacinação antes de embarcar.
O país vai manter ainda a exigência dos passageiros apresentarem um teste negativo de COVID-19 feito até três dias antes do embarque.

Vacinas aprovadas pelos americanos


O governo informa que vai consultar o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, órgão semelhante à Anvisa) para saber quais imunizantes serão aceitos.

Atualmente, o órgão considera vacinadas contra a COVID-19 pessoas que tomaram as vacinas aprovadas para uso emergencial no país: da Pfizer, da Moderna e da Janssen.

  • 2 semanas após a segunda dose das vacinas da Pfizer e da Moderna
  • 2 semanas após a dose única da vacina da Janssen

Porém, o site do CDC sobre viagens internacionais faz uma ressalva e segue a orientação  de aceitar também vacinas contra a COVID-19 que foram listadas para uso emergencial pela Organização Mundial de Saúde. É o caso, por exemplo, do imunizante desenvolvido pela Oxford/AstraZeneca.

A CoronaVac, vacina da fabricante chinesa Sinovac, que no Brasil é produzida e distribuída em parceria com o Instituto Butantan, também está entre os imunizantes aprovados pela OMS. Mas no site do CDC não há qualquer menção à CoronaVac ou a outras vacinas além da AstraZeneca.

A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil e os seus consulados, inclusive o de Belo Horizonte, ainda aguardam a Casa Branca detalhar os procedimentos e cronograma para implementação da retomada dos serviços de vistos a turistas brasileiros. 

Setor de turismo comemora 


“Ficamos muito satisfeitos obviamente. Estamos esperando isso há algum tempo. Acredito que os Estados Unidos reabrindo agora vai aumentar o volume de vendas, já que temos muitos clientes que vem pedindo (esses destino)”, explica Rodrigo Machado, consultor de viagens da Ibiza Turismo e Viagens, localizada no Bairro de Lourdes, Região Centro-Sul de BH. 
 
O consultor prevê um crescimento na procura e aumento de negócios. “Esse último ano e meio não foi nada fácil. Foi bem complicado em termos de receita, o estresse também pelas incertezas, cada hora acontecia uma coisa.”

Apesar de não conseguir mensurar a porcentagem de aumento na procura por pacotes para os Estados Unidos, Rodrigo acredita que a demanda vai crescer bastante. “Temos muitos clientes que já estavam com passagem comprada e tivemos que remarcar por causa da pandemia. Vamos ter que remanejar muita gente.”

Segundo ele, a empresa precisará atender tanto esses clientes que tinham pacotes comprados quanto os que já estão procurando, depois do anúncio da decisão de hoje. “Vai ser um alvoroço. A gente até brincou que vai faltar é voo para essa turma toda”, se diverte. 

Ele ressalta que os Estados Unidos é um dos destinos mais procurados pelos brasileiros. “Orlando é o carro-chefe, mas também Miami, Boston, Nova Iorque, São Francisco, Los Angeles, Las Vegas. Temos muito público para esses lugares.”

O consultor acredita que até novembro, quando começa a valer a reabertura, a empresa terá tempo de organizar a demanda. 

“Já tivemos clientes ligando aqui para saber sobre as datas. Teve gente com passagem comprada que pediu reembolso, outros preferiram ficar com crédito para remarcar depois. Muita gente que comprou só passagem aérea porque tem parentes que moram lá. Cada caso é um caso.”

Rodrigo ressalta que a medida vai ajudar ainda na utilização de outras rotas que passam pelo espaço aéreo americano.

“Tem muito voo que vai via Estados Unidos e estava impedido de fazer essa rota. Porque para sobrevoar o território americano é preciso ter visto. Com essa abertura, podemos pegar companhias americanas, fazer conexão nos Estados Unidos e ir para outro destino. Vai facilitar bastante também.”

Planos retomados 


A estudante Victória Moreira, de 21 anos, estava com viagem de férias para Orlando, marcada para julho de 2020. 

“Com a pandemia, a gente não pode ir. Tivemos que remarcar a viagem mais três vezes. A gente tinha passagem aérea com a Gol, conseguimos trocar para janeiro deste ano. Só que não conseguimos ir porque ainda estava tudo fechado, então tentamos remarcar para julho. Só que, dessa vez, a Gol não quis mais remarcar. Pedimos o reembolso e conseguimos comprar na Azul e lá já tivemos que trocar de novo para janeiro de 2022.”

Ela conta que já tinha pagado aluguel de casa, carro, seguro viagem e ingresso para os parques da Disney. 
 
Victória Moreira teve que adiar viagem de férias para Orlando, marcada para julho do ano passado
Victória Moreira teve que adiar viagem de férias para Orlando, marcada para julho do ano passado (foto: Arquivo Pessoal)
 

“Tudo a gente precisou remarcar. Os maiores problemas foram os parques e o carro, que precisamos pagar uma diferença todas as vezes que remarcamos. Já a Disney estendeu o prazo até janeiro de 2021, como os brasileiros não podiam entrar ainda, pagamos uma taxa para trocar os ingressos dos parques também.”  

Depois de todo o transtorno, Victória comemora a decisão de reabertura. 

“Isso já dá um alívio enorme. Eu não ia conseguir ir no meio do ano que vem, então se não tivesse essa decisão agora de reabrir em novembro, a gente ia acabar tendo que cancelar a viagem. A gente já conseguiu remarcar tudo para janeiro de 2022.”

Quanto à vacina, a estudante afirma estar tranquila, já que tomou o imunizante da Pfizer, que também é aplicado nos Estados Unidos. 

Curso de intercâmbio de curta duração 


Outros brasileiros que podem ser beneficiados com a decisão de reabertura são os estudantes que pretendem fazer cursos no exterior.  

Ana Carolina Ribeiro, gerente comercial da Central do Estudante, explica que com o visto de turista americano, a pessoa pode estudar até 3 meses com uma carga horária pequena, de no máximo 18 horas semanais. 

“Isso facilita muito porque, às vezes, a pessoa já tem o visto de turista, está de férias, quer estudar 3 ou 4 semanas. Não tem trâmite de visto, é muito tranquilo, é só fazer a matrícula na escola.” 

Ela acredita que, com a medida anunciada hoje, a procura por este tipo de curso vai aumentar. “Com certeza, com o visto de turista, aumenta muito a procura de pessoas que não tinham disponibilidade de tempo para ficar em uma fila para tirar visto de estudante e, às vezes, nem financeira também. É preciso ter uma comprovação financeira sólida, os profissionais liberais, por exemplo, não tem como apresentar imposto de renda, olerite.” 

Estudantes com esse perfil poderão encontrar mais facilidade para entrar nos Estados Unidos. “Facilita para quem tem pouco tempo, não quer tirar outro visto, não quer fazer comprovação financeira, se ela já tem o visto de turista.”

Ana Carolina conta que a procura por intercâmbio nos Estados Unidos para cursos de idioma aumentou em julho, já que países mais procurados como Canadá, Austrália e Nova Zelândia estão com restrições para entrada de brasileiros. 

Assim, para entrar em solo americano, era preciso apresentar visto de estudante e fazer uma quarentena de 14 dias em países como México, por exemplo. 

“Teve uma procura maior, porém, era preciso entrar nessa fila de visto de estudante e muitos foram negados porque a procura estava alta.”

Para ela, a procura por alguns cursos deve aumentar para quem já tem o visto de turista. “Programa de férias para adolescentes, que pode ser feito com visto de turista. Essa demanda, com certeza, também vai crescer muito. Não precisa fazer nada, só matrícula na escola através da agência.”

O advogado Cassiano Valente, de 41 anos, é um dos que pode aproveitar essa medida. Ele pretendia fazer um curso de idiomas intensivo com duração de cinco meses e começou a planejar a viagem em abril deste ano. 

Porém, como o processo para visto de estudante é mais demorado e burocrático, ele pretende trocar para um curso de inglês recreacional que pode ser feito com o visto de turista que ele já tem. 

“Eu pretendo ficar um mês estudando um pouco de inglês por dia. Estou na maior expectativa esperando as fronteiras abrirem.”  
 
Cassiano Valente vai aproveitar o visto de turista e estudar inglês nos Estados Unidos
Cassiano Valente vai aproveitar o visto de turista e estudar inglês nos Estados Unidos (foto: Arquivo Pessoal)
 

Ele ainda não definiu a data da viagem e está confiante, porque tomou a vacina de dose única da Janssen, fabricada nos Estados Unidos.  

“Fiquei muito feliz e satisfeito porque meus planos foram adiados. E agora vou poder realizar esse sonho de realmente viver o idioma, no país em que o idioma é falado. Eu como um estudante de inglês, com quatro anos de estudo, vai ser uma experiência muito boa. Aqui no Brasil, por mais que a gente se esforce, é rodeado da língua portuguesa. Lá, apesar de ter gente do mundo inteiro, com certeza, vou estar rodeado pelo inglês. Acredito que vai ser uma experiência muito boa que vai ajudar no meu aprendizado.”

Companhias aéreas esperam definições 


Outro setor que deve ser impactado com o aumento da demanda por voos é o das companhias aéreas. Elas também comemoraram a decisão de reabertura para turistas estrangeiros e esperam definições para anunciar maior oferta de voos para os Estados Unidos. 

Em nota, a Latam afirma que recebeu com entusiasmo a notícia dos planos de abertura das fronteiras dos Estados Unidos, pois é um importante mercado para a companhia. 

“A perspectiva de reabertura é uma resposta ao avanço da vacinação no Brasil, que tem resultado na reabertura das fronteiras de diversos países, viabilizando a retomada das viagens internacionais. A empresa está preparada para aumentar os voos entre Brasil e Estados Unidos, assim que essa informação for oficializada. A LATAM não deixou de operar voos do Brasil para os Estados Unidos nem mesmo durante a pandemia nas rotas GRU-MIA e GRU-JFK.”

Já a Gol ressalta que deseja retomar a oferta dos voos para os Estados Unidos com operações para a Flórida (Miami e Orlando). “A companhia ainda está planejando esta retomada, porém, já adianta que os voos partirão do hub em Brasília e os bilhetes já estão sendo vendidos para voos a partir de dezembro de 2021.”

A Azul, também por meio de nota, afirmou que “recebeu com entusiasmo o anúncio do governo dos Estados Unidos sobre a suspensão das restrições de entrada ao país para turistas estrangeiros completamente vacinados contra o coronavírus a partir de novembro”.

A companhia ressaltou que ainda não há detalhes sobre os procedimentos ou documentos requeridos, bem como a lista de vacinas permitidas pelo CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA). 

“A companhia aguardava ansiosamente por essa decisão para reforçar sua operação aos EUA, destino bastante demandado. Em julho deste ano, inclusive, promoveu uma ação inédita que vendeu 600 passagens a preços promocionais para que os clientes pudessem usá-las logo nos primeiros voos após a reabertura da fronteira norte-americana para a entrada de brasileiros. A companhia está pronta para aumentar sua oferta de voos aos EUA e, tão logo tenha mais detalhes, os mesmos serão comunicados.”
 
* Estagiária sob supervisão da subeditora Ellen Cristie. 


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