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Estado de Minas ECONOMIA FORMAL

Emprego dá sinais de recuperação, mas empresas enfrentam desafios

Sinais de retorno das contratações são positivos neste semestre, mas fôlego vai depender de obstáculos como inflação alta e efeitos da crise política


11/07/2021 04:00 - atualizado 11/07/2021 07:59

Contratada cinco meses atrás, a vendedora Lorena Ribeiro se lançou a nova área de atuação dentro do comércio, em que já havia trabalhado(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)
Contratada cinco meses atrás, a vendedora Lorena Ribeiro se lançou a nova área de atuação dentro do comércio, em que já havia trabalhado (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)

Um dos setores que mais sofreram os efeitos das medidas de isolamento social para conter a pandemia de COVID-19, os bares e restaurantes, gradativamente, começam a se reerguer. Com o aumento do faturamento, os empresários passaram a buscar funcionários, o que poderá compensar parte da perda de empregos devido às demissões em massa ocorridas nessas empresas durante o ano passado.

A reação do emprego formal nos cinco primeiros meses do ano animou as agências de contratação de mão de obra e instituições representantes de empresas, como o Sebrae Minas, agora, na expectativa de melhora das contratações neste segundo semestre. A ampliação da campanha de imunização contra o vírus reforça o cenário

 

Leia também: Da construção ao e-commerce, confira os empregos abertos em Minas

No setor de serviços de alimentação, a recuperação das vagas, no entanto, esbarra em algumas dificuldades, como a redução do fluxo do transporte coletivo à noite (horário mais atraente para o funcionamento de bares e restaurantes) e a inflação alta, influenciada pelo aumentos dos preços de bebidas, carnes e outros itens alimentícios.

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes em Minas Gerais (Abrasel-MG), Matheus Daniel, os próximos meses podem significar a reestruturação do setor.

 

“Tivemos pelo menos 30 mil demissões. Há vagas em aberto. O mercado precisará de mão de obra novamente. Não serão todos que vão readquirir os empregos, porque o mercado aprendeu a fazer mais coisas com menos mão de obra, teve de aprender a ser mais eficiente”, afirma.

Após o enxugamento do quadro de pessoal visto desde o ano passado, há vagas em todos as funções. A Abrasel deve lançar um banco de currículos para tentar alocar as pessoas que buscam e precisam trabalhar.

 

Para o presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, a retomada dos empregos nas lojas ainda não acompanha a expansão do faturamento desde o retorno das atividades econômicas na capital. Segundo ele, com a retomada de outros setores, os empresários podem voltar a criar postos de trabalho.

 

“Vemos um crescimento das vendas, de forma muito acanhada ainda, mas esperamos que, com a segurança que a vacina proporciona, a volta de todas as atividades, isso possa evoluir. A engrenagem funciona quando todos estão bem. A volta das escolas, por exemplo, movimenta muitas coisas, como uniforme, papelaria, postos de combustíveis. A expectativa é de que no segundo semestre consigamos fazer uma retomada forte da economia e que os empregos venham juntos”, diz.

 

Marcelo Silva lembra ainda que os empregadores demandam prazo maior para buscar novos trabalhadores e concluir as contratações. “Quando você aumenta o faturamento das empresas, os empregos demoram um pouco a vir. O empresário leva um tempo para ter segurança e contratar.”

 

A despeito do impacto ainda forte da falta de controle no Brasil da pandemia de COVID-19, os empresários do setor de bares e restaurantes pretendem, pelo menos, apurar receita semelhante àquela de 2019, portanto antes de a crise sanitária ter se instalado no país.

“A primeira missão é pagar as dívidas. Nesse segundo semestre, a expectativa é de atingir o faturamento de 2019, mas sem a mesma lucratividade. Tivemos vários aumentos de preços durante a pandemia, como do gás de cozinha, da carne, e da própria gasolina, que interfere diretamente em todos os produtos e servuços. Vamos conseguir a margem de faturamento aos poucos. A primeira missão é colocar as contas em dia, pagar os funcionários e equilibrar o caixa. As dívidas têm de ser pagas, porque o prazo de carência dado aos empresários terminou”, afirma Matheus Daniel.

 

Estabilidade


As casas de materiaL de construção também aquecem o mercado de contratações, favorecidas pelo aumento das reformas e de novas obras. O Deposito Savassi, na região Centro-Sul, fez duas admissões neste ano e se prepara para buscar mais trabalhadores nos próximos meses em razão da alta demanda de clientes.


As contratações confirmam a longevidade da profissão do vendedor. Lorena Gomes Ribeiro, de 30 anos, foi contemplada no processo de seleção em janeiro. Ela chegou à empresa por indicação e tem experiência no comércio, mas assumiu pela primeira vez o balcão desse segmento.

“É um aprendizado gigantesco, já que antes não entendia nada de construção. A recuperação do emprego ameniza o momento complicado que estamos vivendo. O trabalho dá estabilidade”, ressalta a vendedora.

 

José Carlos Martins, diretor-comercial da Conape Recursos Humanos, confirma a arrancada que as vagas ofertadas pela construção civil deram neste ano, ao lado de setores que nem sequer chegaram a interromper as contratações, depois da pandemia, como o agronegócio.

 “Tudo indica que o segundo semestre tende a ser melhor, apesar da crise política, que afeta muito a economia. Os restaurantes, shopping centers, os setores de eventos e shows estão retomando suas atividades e devem voltar a contratar”, afirma.

 
 

Trabalho por conta própria se destaca

 
Responsavel pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda não captou a reação do emprego vista no Caged. Os dados pesquisados no Brasil de fevereiro a abril mostraram aumento do desemprego no trimestre, de 14,2% para 14,7%, e o numero de desempregados cresceu de 14,272 milhões para 14,761 milhões.

Guilherme Fontes, coordenador da Pnad em Minas Gerais, destaca que não houve variação significativa da população ocupada no país, de 85,940 milhões de fevereiro a abril, queda de 0,1% frente ao trimestre anterior.

“O mercado está se recuperando, em parte, devido ao crescimento das ocupações dos trabalhadores por conta própria. À exceção do comércio, que mostrou queda, há estabilidade em todos os demais setores”, afirma.

O analista do IBGE chama a atenção para o fato de as comparações dos dados do trimestre encerrado em abril com as informações pesquisadas no fim do ano passado estarem influenciadas pelas contratações temporárias motivadas pelos negócios no Natal.

Fontes diz que o melhor é aguardar os resultados da Pnad relativos ao trimestre terminado em maio para avaliar uma possível recuperação do emprego. O IBGE prevê divulgar esses dados no dia 30.

O relatório da Pnad com divulgação trimestral para os estados, de abril a junho, está previsto para 31 de agosto. Diferenca fundamental da Pnad para a pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged)  é que o IBGE apura e avalia empregos formais e informais. O Caged só acompanha o trabalhho com carteira assinada.

Virada nas pequenas empresas


Grandes empregadores no Brasil, os micro e pequenos empreendimentos contrataram mais que demitiram em Minas Gerais de janeiro a maio deste ano, mostrando saldo de 95.050 empregos formais. Boa parte do resultado se deve à retomada das atividades dos prestadores de serviços, com a redução das medidas restritivas de isolamento social para deter a COVID-19 que haviam sacrificado o setor em 2020. Na segunda e terceira posições ficaram a indústria e o comércio.

No ano passado, as pequenas empresas de Minas eliminaram 82.850 empregos com a carteira assinada a mais que as admissões ocorridas e foram os negócios dos ramos de serviços e comércio que puxaram o saldo negativo, informou a analista do Sebrae Minas Gabriela Martinez. Em maio, o último com dados diponíveis do Caged, o saldo de 20.816 oportunidades foi o melhor desde 2012.

No cenário mais recente de redução das medidas de distanciamento social e com o avanço da vacinação, elas voltaram a contratar. O perfil dos admitidos segue o padrão observado pelos dados do Caged no estado, atendendo mais homens do que mulheres, trabalhadores com 18 a 39 anos e formação no ensino médio.

Entre as principais ocupações, estavam serventes de obras da construção civil, auxiliares de escritório, assistentes administrativos, motoristas de caminhão e operadores de linhas de produção da indústria.

Ainda é cedo para avaliar se o fôlego do emprego formal nas  pequenas empresas vai se manter. A analista do Sebrae Gabriela Martinez destaca que o setor está no limite da capacidade do caixa. “Vai depender do cenário econômico e político. Além do custo de contratar, muitos pequenos negócios ainda convivem com faturamento afetado pela crise”, afirma.

Na avaliação do diretor do Grupo Selp Hegel Botinha, o retorno das atividades do setor de serviços e a ampliação da campanha de imunização contra a COVID-19 abrem perspectiva favorável, assim como oportunidades estabelecidas sob outras formas de atuação profissional além da carteira assinada.

Exemplo disso, segundo ele, são as vagas na economia digital ocupadas sem o vínculo do mercado formal, por youtubers, webdesigners e profissionais dedicados ao marketing digital conectado a vendas. “De casa, as pessoas se conectam a plataformas digitais. São novas possibilidades de emprego não mensuradas nas estatísticas oficiais.” (MV)
 
 


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