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Estado de Minas MAIOR PRODUTOR DO PAÍS

Minas lidera ranking da produção de cachaça pelo terceiro ano consecutivo

O 'Anuário da Cachaça 2021' revela, na 3ª edição, que Salinas, Região Norte de Minas, se mantém como a Capital Nacional da Cachaça


06/07/2021 20:43 - atualizado 06/07/2021 21:03

Salinas, Região Norte de Minas, é a Capital Nacional da Cachaça(foto: Divulgação)
Salinas, Região Norte de Minas, é a Capital Nacional da Cachaça (foto: Divulgação)
Minas Gerais honra o título de maior produtor de cachaça de alambique do país por mais um ano. O número de estabelecimentos produtores de cachaça e de aguardente registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) cresceu 4,14 % no país no último ano. Desses, 397 são registrados em território mineiro, que representa mais que o triplo do segundo colocado, São Paulo.

O estado é o maior produtor de cachaça de alambique do país, com 200 milhões de litros por ano, respondendo pela metade da produção nacional, segundo dados da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa).

O estudo, intitulado de “A Cachaça no Brasil - Dados de Registro de Cachaças e Aguardentes - Ano 2021”, revelou que Salinas, Região Norte de Minas, Capital Nacional da Cachaça, se manteve na dianteira no Brasil com 23 registros de estabelecimentos produtores de cachaça. 

É de lá que vem a Cachaça Salinas, uma das mais conceituadas no cenário nacional. Thiago Medrado, proprietário, conta que Minas é o “celeiro de cachaças de qualidade e pioneiro na produção de cachaça de alambique, tanto em número de fábricas quanto em litragem de produção”. 
 
Thiago Medrado, proprietário da Cachaça Salinas, uma das cachaçarias mais conceituadas no cenário nacional(foto: Arquivo Pessoal)
Thiago Medrado, proprietário da Cachaça Salinas, uma das cachaçarias mais conceituadas no cenário nacional (foto: Arquivo Pessoal)
Para ele, esta qualidade dá ao estado um reconhecimento mundial e se orgulha de fazer parte. “Esse reconhecimento é a nível mundial e, sem dúvida, Minas Gerais tem grande papel na valorização da cachaça”, afirma.

É perceptível a atuação do estado no setor: Alto Rio Doce, Região da Zona da Mata, conta com 9 registros; Córrego Fundo, no Centro-Oeste de Minas, são oito estabelecimentos produtores de cachaça, ou seja, um produtor para cada 798 mil habitantes, o que o setor chama de densidade cachaceira. 

O estudo também revelou o número de marcas de produtos classificados como cachaça e aguardente de cana registradas no ministério: em 2020 esse número foi de 5.523. Em 2019, eram 4.705. 

Fiscalização

Sobre o crescimento apontado no Anuário da Cachaça 2021, Thiago ressalta que a fiscalização do setor teve papel importante para o crescimento. “Em Minas Gerais, a intensificação da fiscalização por parte do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária), que passou a ser mais atuante, fez com que mais empresas buscassem a regularização perante os órgãos públicos”, destaca. “Embora seja um número positivo, ainda existe muita regularização para acontecer”, acrescenta o empresário.

O número de registros em 2020 foi de 1.131, enquanto em 2019, de 1.086. “O mercado informal ainda é bastante expressivo e somente com fiscalização intensiva conseguimos melhorar a qualidade dos produtos comercializados”, completa Thiago.

Mercado informal

Os dados confirmam a preocupação do proprietário de uma das maiores cachaçarias do país. Segundo o estudo, o índice de informalidade continua preocupante. Atualmente, 89% dos produtores não estão cadastrados no ministério. O índice é obtido na comparação com aqueles identificados pelo Censo Agropecuário do IBGE de 2016.

Este cenário da informalidade prejudica o setor, conforme relata o proprietário da Cachaça Salinas. “É ruim tanto na concorrência desleal, devido ao não recolhimento de tributos, quanto para a imagem da cachaça em si. Um produto informal não possui fiscalização e em sua maioria é prejudicial à saúde, devido a parâmetros químicos não controlados. Isso prejudica a saúde pública e a imagem da cachaça como produto de qualidade”, lamenta Thiago.

Pandemia

O cenário do setor no início da pandemia de COVID-19 não foi favorável. Apesar disso, neste ano houve uma pequena melhora. “Em função do fechamento de bares e restaurantes com a pandemia, assistimos a queda no mercado da cachaça em 2020 de mais de 23% em volume. O crescimento de produtores registrados apontado pelo Anuário 2021, apesar de pequeno, traz um pouco de alento para o setor e uma dose de otimismo”, ressalta Carlos Lima, diretor executivo do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC).

Thiago, proprietário da Cachaça Salinas, completa: “A pandemia ajudou a alavancar as vendas nos supermercados, mas prejudicou muito o consumo em bares e restaurantes. Minas Gerais, estado conhecido por bares, sofreu muito, e consequentemente a cachaça”, explica.

Para ele, devido à seca, é possível que a produção possa apresentar uma queda. “A produção de 2021 terá uma queda devido a escassez de chuvas, mas não terá implicação direta no consumo”, diz.

Atualmente, o segmento da cachaça é responsável pela geração de mais de 600 mil empregos diretos e indiretos. O destilado é o mais consumido pelos brasileiros e um dos quatro mais consumidos em todo o mundo.


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