Publicidade

Estado de Minas PARALISAÇÃO DE 72 HORAS

Empregados da Eletrobras entram em greve nesta terça-feira (15/6)

Greve ocorre em protesto contra a votação prevista no Senado, esta semana, da privatização da companhia, a maior do setor elétrico no Brasil


14/06/2021 14:03 - atualizado 14/06/2021 15:45

A Eletrobras é a maior companhia do setor elétrico no Brasil, responsável por 44% da geração de energia elétrica do país e 52% da capacidade de armazenamento de água(foto: Pixabay/ Reprodução)
A Eletrobras é a maior companhia do setor elétrico no Brasil, responsável por 44% da geração de energia elétrica do país e 52% da capacidade de armazenamento de água (foto: Pixabay/ Reprodução)
Os empregados da Eletrobras entram em greve a zero desta terça-feira (dia 15), em protesto contra a votação prevista no Senado, esta semana, da privatização da companhia, a maior do setor elétrico no Brasil, responsável por 44% da geração de energia elétrica do país e 52% da capacidade de armazenamento de água.

A paralisação foi definida por 72 horas como alerta sobre os riscos com a alienação da companhia, assim como as mudanças incluídas pelo relator da matéria na Câmara dos Deputados, Elmar Nascimento (DEM-BA), que poderão ser confirmadas no Senado.

O líder do governo na Casa, senador Arthur Lira (PP/AL), pressiona para que a proposta seja colocada em votação até quinta-feira, com apoio do Palácio do Planalto aos chamados ‘jabutis’ (medidas estranhas ao projeto original) de Elmar Nascimento que extrapolam no objetivo de privatização.

As alterações obrigam o governo a contratar 6 mil megawatts de usinas térmicas à gás mesmo onde não há reservas nem sequer infraestrutura para transportar o insumo.

Foi também incluída no projeto a criação de reserva de mercado que obriga a contratação de energia das pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) nos próximos leilões.

Outra mudança prorroga automaticamente, a preços elevados, contratos de usinas antigas integrantes do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfra), sem considerar que os valores desses investimentos já foram amortizados e, portanto, deveriam ser retirados da formação de preços das tarifas ao consumidor.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), confirmou que levará a MP, de número 1.031, à votação nesta semana. Na última sexta-feira, Pacheco se reuniu com líderes dos partidos na Casa que demonstraram disposição de vetar os ‘jabutis’ em favor do projeto original de privatização da Eletrobras. Se isso ocorrer, a medida terá de voltar à Câmara.

 

A MP 1.031 caduca após o dia 22. Associações representativas da indústria brasileira criticam o projeto modificado e querem o retorno da proposta que trata apenas da venda da Eletrobras. Associações e sindicatos dos empregados da Eletrobras condenam a privatização da companhia, do ponto de vista de um projeto que consideram equivocado e apresentado em momento também inadequado.

 A Associação de Engenheiros e Técnicos da Eletrobras (Aesel) enviou nota técnica aos senadores em que expõe motivos pelos quais o país não deve privatizar a empresa. A Aesel estima que uma vez privatizada a Eletrobras o reajuste de energia para os brasileiros deve alcançar 14% nos próximos três anos, a depender, ainda, do impacto da crise hídrica enfrentada pelo país, devido ao acionamento do sistema de bandeiras tarifárias para cobrir os gastos com a geração mais cara das usinas termelétricas.

As indústrias reunidas no movimento ‘União pela Energia’ preveem aumento médio de até 20% das tarifas para o comércio e a indústria caso a proposta modificada na Câmara seja aprovada.

'Pior momento possível'


O diretor da Aesel, Íkaro Chaves, considera a privatização da Eletrobras uma “bomba tarifária” e que não se pode medir por completo agora. “Vivemos a crise mais severa dos últimos 90 anos. Mesmo que a gente consiga escapar de um racionamento, teremos aumento da energia térmica. A MP da Eletrobras é a coisa errada, no momento errado e no pior momento possível”, afirma.

O aumento que deve prejudicar o consumidor, com a privatização da companhia, tanto a população quanto o comércio, a indústria e o setor de serviços, tem mais de uma fonte. De um lado, muda o regime de cobrança de tarifas, hoje feito, em boa parte, pelo sistema de cotas (baseada em custos de operação e manutenção).

Íkaro Chaves lembra que a usina hidrelétrica de Furnas é uma das unidades da Eletrobras que trabalha no sistema de cotas, recebendo parcela fixa pela manutenção e operação. Uma vez privatizada a companhia vai trabalhar no regime de produção independente, com a venda de energia e, portanto, formação de preços, no chamado mercado livre. O megawatt hora (MWh) de energia está cotado, hoje, entre R$ 60 e R$ 70 no sistema de cotas, e no mercado livre oscila entre R$ 200 e R$ 300.

Outro risco deve resultar do fato de a Eletrobras privada passar a deter cerca de um quarto de toda a capacidade instalada de geração de energia no país, participação que dará à companhia condições de determinar preços, uma vez aliada a outros investidores. Trata-se do chamado oligopólio, quando poucas empresas detêm maior parcela do mercado fornecedor de um produto ou serviço e podem combinar preços, prejudicando o consumidor, que perde a concorrência como aliada.

Setores se unem contra venda de Furnas


O Sindicato dos Eletricitários de Furnas e DME (Sindefurnas) e a Associação dos Empregados de Furnas têm destacado outro risco da privatização da Eletrobras para o desenvolvimento socioeconômico das regiões que cresceram em torno dos reservatórios da companhia.

Na região abrangida pelo lago de Furnas, em Minas Gerais, a campanha contra a privatização da Eletrobras foi encampada por associações de empresários dos setores de turismo e de piscicultura, além prefeituras municipais. 

Victor Costa, diretor da Associação dos Empregados de Furnas, enfatiza a importância que a hidrelétrica tem para o desenvolvimento regional, tendo em vista não apenas o uso da água do reservatório para outras atividades econômicas além da geração de energia, quanto também o fato de atender a mais de 3.600 fornecedores de insumos e serviços.

“Cota mínima (do nível do reservatório, hoje estabelecida em 762 metros) é necessária para o desenvolvimento de atividades econômicas na região”, afirma.

Em carta entregue ao presidente do Senado na última sexta-feira, uma dúzia de entidades de trabalhadores e empreendedores da região de Furnas pediram que a MP não siga adiante. "O ganho de escala (com a privatização) destrói a nossa economia local”, diz o documento.

Renato Fernandes, diretor jurídico do Sindefurnas, observa que a companhia mantém os serviços de manutenção e troca de equipamentos em embarcadouros e diversas balsas nos lagos de Furnas e Peixoto (da hidrelétrica Mascarenhas de Moraes) em Minas.

Risco adicional de uma privatização da Eletrobras também é apontado na manutenção da segurança dos reservatórios, hoje considerada gestão de ponta da companhia, segundo Victor Costa.

A Eletrobras detém 47 barragens hídricas e a operação da segurança desses ativos na companhia é referência no setor. Por fim, as entidades dos trabalhadores questionam a alegação do governo de que a venda da empresa é necessária para sua capitalização.

A Eletrobras acumulou cerca de R$ 30 bilhões em lucro nos últimos 3 anos, sendo classificada como a sexta empresa mais lucrativa do país. O ganho no ano passado foi de R$ 6,4 bilhões no ano passado e os recursos em caixa somam R$ 14 bilhões.

 


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade