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Estado de Minas ECONOMIA

Endividamento das famílias brasileiras bate recorde em abril, diz pesquisa

Cartão de crédito continua sendo o principal vilão das famílias


04/05/2021 13:54 - atualizado 04/05/2021 14:25

(foto: Pixabay/Reprodução )
(foto: Pixabay/Reprodução )
O endividamento das famílias brasileiras chegou a 67,5% em abril, alcançando o maior patamar histórico. Segundo a Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), divulgada nesta terça-feira (04/05), esse foi o quinto aumento consecutivo e a maioria das dívidas estão ligadas ao uso de cartão de crédito.

Cheque pré-datado, cheque especial, carnê de loja, crédito consignado, empréstimo pessoal, prestação de carro e de casa também contribuíram para o endividamento no país.
“É um pouco mais de 11 milhões de famílias que possuem algum tipo de dívida no país. O maior uso do cartão de crédito é o fator principal para o endividamento. O uso do cartão não é negativo, mas é necessário ter consciência”, disse Izis Ferreira, economista da CNC.

A parcela de famílias que têm o cartão de crédito como principal modalidade de uso cresceu e registrou recorde: 80,9% do total de famílias. O endividamento no cartão de crédito alcançou níveis preocupantes nas famílias com até dez salários (80,9%) e acima de dez salários (81,9%).

Por outro lado, o percentual de famílias que não tem condições de pagar as dívidas e que permanecerão na inadimplência registrou uma pequena queda e agora se encontra em 10,4%. Porém, o indicador teve alta de 0,5 ponto percentual em relação a abril de 2020.

Para as famílias com renda até dez salários mínimos, as dívidas cresceram de 68,4% para 68,8%. No mesmo período do ano passado, o índice era de 67,5%. Já para as famílias com renda acima de dez salários mínimos, o endividamento caiu, após quatro aumentos consecutivos, de 63,2% para 63,1%.

Segundo a economista, a pandemia da COVID-19 afetou as famílias, principalmente no modo de consumo. “A crise não só afetou pela situação sanitária, mas também no dia a dia, no psicológico e nas decisões de consumo. E mais famílias utilizaram cartão de crédito e ficaram endividadas”, disse.

Na inadimplência, houve queda de 27,2% para 26,9% entre as famílias que recebem até dez salários mínimos. Para aquelas com renda superior a dez salários mínimos, o percentual aumentou de 12,2% em março para 12,3% em abril, a maior proporção desde abril de 2018.

O levantamento também mostrou que 14,4% das famílias se declararam muito endividadas. Cerca de 20% afirmaram ter mais da metade da renda mensal comprometida com o pagamento das dívidas. Além disso, o tempo médio que as famílias ficam endividadas é de  6,8 meses e tempo  médio de atraso na quitação das dívidas atingiu 61,4 dias.

De acordo com Izis Ferreira, o endividamento no país pode aumentar ao longo dos meses, mas que o segundo trimestre trará um pouco mais de alívio.

“Talvez a gente registre um aumento do número de endividados porque muita gente vai precisar de uma linha de crédito, principalmente para aqueles que querem começar algum negócio para gerar renda. As pessoas que não estão tendo oportunidade no setor formal, vão recorrer a essa iniciativa. Com isso o crédito será mais utilizado e isso vai fazer com que o endividamento cresça”, explicou.

“O auxílio emergencial será utilizado para pagamentos de dívidas. As pessoas já estão com dívidas e o auxílio favorece o pagamento. Porém, as condições são um pouco mais favoráveis para o pagamento das dívidas do que no primeiro trimestre. Então agora começamos a respirar um pouquinho melhor, mas tem muita incerteza e fragilidade por causa da pandemia”, completou a economista.

* Estagiário sob supervisão da subeditora Ellen Cristie. 
 


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