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Estado de Minas POLÍCIA CIVIL

Sócios de financeira em BH são presos suspeitos de esquema de pirâmide

Polícia cumpriu mandados judiciais contra a dupla nesta quarta-feira. Eles viviam em um condomínio na Pampulha. Pelo menos 600 pessoas teriam investido


24/03/2021 13:31 - atualizado 24/03/2021 14:45

Policiais apreenderam carros e documentos na residência onde os suspeitos estavam (foto: Polícia Civil/Divulgação)
Policiais apreenderam carros e documentos na residência onde os suspeitos estavam (foto: Polícia Civil/Divulgação)


A Polícia Civil cumpriu nesta quarta-feira (24/3) mandados de prisão temporária contra dois homens, de 39 e 60 anos, suspeitos de gerenciar um esquema de pirâmide a partir de uma financeira instalada no Bairro Inconfidência, Região Noroeste de Belo Horizonte. A polícia, agora, tenta confirmar o número de vítimas, mas adianta que há uma lista com mais de 600 investidores no esquema. O resultado da operação realizada hoje foi apresentado em uma coletiva de imprensa pela internet.

A chamada Operação Medina contou com 10 policiais, que cumpriram os mandados de prisão em um condomínio de luxo no Bairro Paquetá, na Região da Pampulha, e outros três de busca e apreensão. Os homens, que aparecem como sócios-proprietários no contrato da empresa, segundo a Polícia Civil, são investigados por crime contra a ordem econômica e financeira na modalidade conhecida como pirâmide. A ação foi realizada pela 2ª Delegacia de Polícia Civil Leste, com o apoio da Delegacia Regional Leste de BH.

Segundo a delegada Monah Zein, responsável pelas investigações, ainda no ano passado, a 2ª Delegacia começou a receber informações sobre uma movimentação suspeita em frente a essa agência de investimentos, inclusive com a presença de carros de alto valor. Em junho de 2020, os investigadores começaram a trabalhar para descobrir do que se tratava. As primeiras denúncias foram realizadas quando os suspeitos moravam na Região Leste de BH e atendiam em sua própria residência.



“Chamamos os proprietários, os sócios dessa empresa. É uma empresa limitada (LTDA), mas é um contrato extremamente precário, onde eles alegam que trabalhavam com investimentos de Bitcoins. Investimentos esses que, até agora, não conseguiram provar”, diz a delegada.

“Basicamente, esse sistema de pirâmide, que é o que a equipe de investigação de pronto conseguiu visualizar, que era o crime que estava acontecendo ali, enquanto nem os investidores tinham percebido, ele oferece uma quantia que você não encontra no mercado numa aplicação, uma quantia exorbitante. Ele oferece o percentual de 15% fixos ao mês no dinheiro que você investir na Medina. Alguns investidores sabem onde estão investindo, outros não. Não há produto. Simplesmente há o aporte financeiro e você recebe os 15%”, explica. 

De acordo com a delegada, na pirâmide, cada pessoa que é cooptada investe seu dinheiro e, no primeiro mês, recebe conforme a porcentagem anunciada. Vendo o resultado, ela acaba trazendo outras pessoas, e assim sucessivamente. 

“Desse dinheiro que fica no aporte, na base da pirâmide, parte fica com o dono da pirâmide e a outra parte fica ali se pagando. Então, cada novo investidor recebe o pagamento de outro investidor. No começo é muito interessante, porque tem muito dinheiro, todo mundo recebe. Só que a pirâmide vai afunilando, até o momento em que quanto mais investidores tiver, menos dinheiro vai ter para pagar, porque tem muita gente para pagar embaixo que não tem mais dinheiro. Então, ela quebra. Os donos da pirâmide já montam ela sabendo que ela vai quebrar. É um crime contra a economia popular, é um crime de obter lucros vultuosos em prejuízo de diversas pessoas”, detalhou.

De acordo com Monah Zein, além dos proprietários, funcionários da empresa e investidores foram chamados à delegacia. “Todo mundo estava recebendo normalmente. Até que, salvo engano, dois meses atrás, eis que aconteceu o previsto pela equipe: a pirâmide quebrou. E começaram, então, a vir espontaneamente prestar seus depoimentos”, informou a delegada. Segundo ela, já havia 14 ocorrências na delegacia Noroeste, que serão repassadas à equipe dela na Leste, que já estava com as investigações avançadas. 

Segundo a delegada, os suspeitos moravam em duas casas em um condomínio, mas o mais velho esvaziou a residência e foi localizado na casa do outro, cujo aluguel custaria R$ 18 mil mensais. No condomínio, foram apreendidos cinco carros de luxo. Um deles é avaliado em cerca de R$ 250 mil e foi pago à vista, em dinheiro. “Nesse momento eles não têm mais dinheiro para pagar os investidores que estão começando a procurar agora a Polícia Civil”, complementou.

A polícia já solicitou à Justiça o bloqueio de bens e sigilo de todas as contas dos investigados, que são pelo menos sete. Ela acredita que o patrimônio da dupla é mais do que o suficiente para pagar as vítimas e citou um exemplo disso.

“Um dos investigados (de 60 anos), ficou mais de um mês com COVID no Mater Dei, sem plano de saúde. Então dizem que a conta ficou em cerca de uns R$ 400 mil. Eles nos ‘enrolaram’ bastante, e ainda assim não apresentaram nem metade, eles não produziriam provas contra si mesmos, mostrando a quantidade de dinheiro que eles receberam do aporte financeiro. Por isso foi até interessante a busca e apreensão hoje porque nós pegamos muitos documentos, muitos contratos, uma imensidão de cheques de pessoas que seriam prejudicadas também, e agora não serão”, afirma a delegada. 

Investigações continuam


O homem de 60 anos aparecia à frente do negócio nas redes sociais. De acordo com a delegada, havia panfletagem sobre a empresa e eles chegaram a distribuir marmitas em Belo Horizonte. “Nesse primeiro momento, o que sabemos é que o mais velho é o dono. Mas, quando ele ficou com COVID, quem cuidou da empresa foi o mais novo. Então, eles estavam sempre atuando juntos”, destacou a delegada. 

Ainda e acordo com a delegada, anteriormente, o investigado disse que não “quebrou”, que está pagando as vítimas e disse que pagou algumas pessoas na sexta-feira passada. Ele será ouvido novamente nesta quarta-feira, após a prisão em cumprimento de mandado. “Curiosamente, ele já respondeu por esse crime em 1991, mas talvez não tenha dado tão certo quanto desta vez”, comentou a delegada. 

A delegada Monah Zein também destacou que, apesar da estrutura e da divulgação, não tratava-se de um banco. “Ele jura que tem, mas não tem cadastro, não tem regularização para funcionar como um banco. Inclusive, é um contrato extremamente precário de sociedade limitada, eles se intitulavam uma agência de investimentos. Era totalmente irregular, foi totalmente bolado do início ao fim exatamente para fazer a pirâmide. O que é mais impressionante é a audácia de pensar que vão lesionar tantas pessoas e que não haverá uma responsabilidade, uma investigação e vão sair ilesos”, enfatizou. 

A delegacia, agora, vai analisar todos os documentos e materiais apreendidos com os suspeitos e na sede da empresa para apurar mais detalhes e identificar vítimas, contabilizar o prejuízo, além de outras providências. 


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