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Estado de Minas MARGINALIZADOS

Fome e pobreza aumentam com o fim do auxílio emergencial

Beneficiados pelo auxílio emergencial relatam que a penúria que é viver sem uma renda extra


15/02/2021 04:00 - atualizado 15/02/2021 08:13

Vista de Cedro do Abaeté: 361 dos 1.157 habitantes receberam R$ 1,2 milhão de auxílio emergencial,o que movimentou a economia do pequeno município (foto: DOUGLAS MAGNO/AFP %u2013 23/11/20)
Vista de Cedro do Abaeté: 361 dos 1.157 habitantes receberam R$ 1,2 milhão de auxílio emergencial,o que movimentou a economia do pequeno município (foto: DOUGLAS MAGNO/AFP %u2013 23/11/20)
A diarista Luana Cristina Ferreira, de 33 anos, está entre os 67 milhões de brasileiros que deixaram de receber o auxílio emergencial. Moradora de Cedro do Abaeté, no Centro-Oeste do estado, o último município do país a registrar um caso de COVID-19, ela já sente a renda encolher.

Com o marido desempregado, a trabalhadora informal se divide em faxinas para fazer as despesas de casa. Com dois filhos, de 10 e 14 anos, e sem saber como ampliar a renda, Luana já calcula os próximos cortes.

“Sem aulas, os gastos são maiores ainda, porque eles merendavam na escola, agora precisamos mudar a rotina para equilibrar e conseguir manter tudo”, conta. Além de não receber mais o auxílio, a também beneficiária do Bolsa-Família sofreu corte de R$ 89 do benefício, antes de R$ 171. Agora, conta com a cesta básica distribuída pela prefeitura para aliviar o orçamento e engrossar a renda familiar de R$ 767 por mês.
 
Mesmo sem previsão do governo federal, a diarista diz orar pela renovação do auxílio. “É um impacto muito grande, porque o dinheiro estava nos ajudando na despesa para pagar água, luz. Deveria voltar porque está difícil para encontrar emprego, as coisas estão cada vez mais caras. Só peço a Deus”, diz Luana, enquanto o marido, de 36, busca emprego.

Antes da pandemia, ele trabalhava na prefeitura, mas o contrato foi cancelado e a vaga ocupada por um concursado. “Quando vem empresa para trabalhar aqui, em obras públicas, ele costuma conseguir vaga de operário”, relata.
 
Na casa da dona de casa Ângela Aparecida de Melo, de 54, a situação não é diferente. O marido e os três filhos, de 19, 21 e 24, estão desempregados. A única renda era o auxílio emergencial e os R$ 89 do Bolsa-Família.

“Serviço aqui não é fácil. Só tem a prefeitura. Estamos vivendo do que o meu marido ganha fazendo bicos, às vezes na roça, fazendo alguma coisa ali e aqui”, explica. O orçamento, que já era apertado, agora força a dona de casa a fazer mais cortes. “O auxilio era um dinheirinho que se transformava em dinheirão. Agora, o que ajuda é a cesta básica da prefeitura, porque como as coisas estão, não dá para comprar nada”, explica.

PREFEITURA


Dos 1.157 habitantes de Cedro do Abaeté, 361 receberam o auxílio emergencial, o que representa 31,2% da população. Em valores, foram pagos R$ 1,2 milhão, para um PIB de R$ 17,486 milhões. O impacto será dentro de casa, mas também na economia da cidade, que tem como maior empregadora a prefeitura, com 170 servidores.

“Estamos preocupados porque, com o fim do auxílio, escassez de emprego, principalmente os formais, esse impacto se dará na assistência social”, destaca o prefeito Luiz Antônio. Cerca de 25 famílias recebem cestas básicas.
 
Com apenas dois supermercados e um mercadinho, além da queda de renda da população, o fim do benefício afeta a arrecadação do município e o pequeno comércio.

“Os comerciantes já estão reclamando que as vendas diminuíram, a inadimplência aumentou, estão preocupados”, alerta. Antes do início da maior crise sanitária enfrentada no Brasil, parte dos moradores trabalhava em cidades vizinhas, como Abaeté. “Com a pandemia, isso diminuiu porque eram trabalhadores do comércio. Como é considerado serviço não essencial, houve fechamento, demissões e essa mão de obra ficou ociosa”, explica.
 
Sem o auxílio movimentando a economia, a arrecadação é impactada. “Estou trabalhando com uma folha enxuta, que consome entre 44% a 46% da receita. Isso já é para não ficar à mercê da arrecadação, porque ela está muito oscilante, não dá para ficar refém e fazer programação em cima dela porque ficamos dependentes dos repasses dos governos federal e estadual”, esclarece o pre- feito Luiz Antônio. O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) é a principal fonte de receita de Cedro do Abaeté. (Amanda Quintiliano/Especial para o EM)



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