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Estado de Minas PEDALANDO NA PANDEMIA

Saiba por que o estoque de bicicletas está praticamente zerado em BH

De acordo com comerciantes do setor, além da escassez de produtos, os preços estão mais altos


28/01/2021 15:43 - atualizado 28/01/2021 16:48

Muitas pessoas decidiram começar a pedalar durante a pandemia, fazendo com que os estoques de bicicleta ficassem praticamente zerados em BH(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Muitas pessoas decidiram começar a pedalar durante a pandemia, fazendo com que os estoques de bicicleta ficassem praticamente zerados em BH (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Comerciantes de Belo Horizonte dizem que bicicletas e peças relacionadas a elas estão praticamente em falta nas lojas. E essa escassez de produtos pode ter duas explicações. A primeira é o aumento das vendas durante a pandemia, aliada a problemas na produção e distribuição desses produtos – que em sua maioria é importado.
 
Osvaldo Luiz Ribeiro Júnior é proprietário da Garage Cycles, uma oficina de peças que faz parceria com lojas especializadas em bicicletas, localizada no Bairro Carmo, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Ele conta que trabalha com modelos mais comerciais e que a maior parte das peças para montar as bicicletas é fabricada na China.   

“Eles ficaram quase um ano sem fabricar (por causa da pandemia) e isso afetou a produção não só no Brasil, mas no mundo. As bicicletas foram acabando, não tendo peças para reposição (quadros, kits, pneus). Eles não estavam recebendo insumos, como que iam mandar peças prontas?”, diz. 

Wendel Lúcio Ferreira é gerente comercial da Global Bicicletas, que fica no Bairro Funcionários, também na Região Centro-Sul. “Estamos com falta de produtos. Alguns modelos a gente ainda tem porque estamos recebendo aos poucos. Mas, modelos infantis, juvenis, de passeio e de estrada estão em falta”, conta.

Segundo ele, os produtos começaram a faltar em agosto do ano passado.

Novos clientes e alta nos preços


Ferreira comenta que a procura por bicicletas começou em razão da pandemia de COVID-19. “Tivemos muita procura por ser um esporte individual e as academias estarem fechadas.” 

Júnior relata a mesma percepção: “A gente viu que do começo da pandemia para cá muitas pessoas que não andavam de bicicleta adquiriram esse hábito para não ficar sem se exercitar. É um esporte simples e que mantém o distanciamento social. Então, principalmente, o pessoal de academia, muitas donas de casa compraram. Começou a crescer a venda de bicicletas, mas, na outra ponta, da fabricação, parou (a produção)”. 

De acordo com ele, as peças começaram a chegar em novembro do ano passado. “A gente estava sem pneu, pastilha de freio, quadro. Acredito que a cadeia foi afetada: dos importadores, para chegar aos montadores e distribuidores é que permitiu essa falta de produtos.”

Em alguns setores, segundo Júnior, ainda faltam peças: “Se você comprar uma bicicleta hoje, dependendo do modelo, não vai conseguir roda para ela. Se ela quebrar, perdeu a bicicleta. Isso vale para todos os tipos, das mais caras até as mais baratas, já que 90% delas são importadas".

Ele acredita que a situação só deve se normalizar em seis meses e ressalta haver fila de espera para quem quer adquirir uma bicicleta. “A pessoa só vai receber lá para abril.”

Além da escassez de produtos, Júnior conta que as peças ficaram muito mais caras: “O cliente tem uma bicicleta comum, que custa de R$ 1 mil a R$ 2 mil, e quebra uma peça que antigamente custava R$ 80, hoje ele vai pagar R$ 200”. 

Ferreira também afirma que as bicicletas tiveram grande aumento de preço: “Principalmente por causa da alta do dólar”.

Segundo ele, as distribuidoras só têm previsão de entregar mais produtos entre março e abril. 
 
*Estagiária sob supervisão da subeditora Kelen Cristina 


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