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Estado de Minas ENTREVISTA

''Brasil é a bola da vez'', diz diretor-presidente da Primus Turismo

Empresário aponta destinos paradisíacos no país como filões na retomada do mercado devido à COVID-19


22/11/2020 04:00 - atualizado 21/11/2020 18:43

Humberto Vieira, diretor-presidente da Primus Turismo e Viagens(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 19/11/20)
Humberto Vieira, diretor-presidente da Primus Turismo e Viagens (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 19/11/20)
Poucos setores no Brasil terão sido tão afetados pela chegada do novo coronavírus quanto o do turismo. Porém, com impactos globais impostos pela pandemia da COVID-19, incluindo fronteiras fechadas e restrições em vários países, as viagens nacionais acabam sendo favorecidas e especialistas preveem que estarão em alta em 2021.

Por isso, empresas do ramo precisaram se adaptar ao que, nas palavras de Humberto Vieira, diretor-presidente da Primus Turismo e Viagens, no mercado há 42 anos, se caracteriza como a maior crise do negócio. Inclusive porque o pós-pandemia tende a herdar transformações decorrentes da época.

Segundo pesquisa recente divulgada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), o turismo nacional já perdeu R$ 41,6 bilhões em faturamento de março a setembro de 2020. O levantamento aponta queda de 44% em comparação com o mesmo período do ano passado. Mas, e o agora? Para onde ir?

Humberto Vieira dá dicas do que o turista pode fazer para se adaptar ao momento, viajar com segurança e, também, como curtir o réveillon, já que destinos brasileiros tradicionais não produzirão as brilhantes festas de fim de ano. Além disso, o diretor-presidente da Primus Turismo revela as tendências para viagens e fala da adaptação necessária do modelo de negócios.

O setor enfrenta uma crise inédita, mas a empresa enfrenta desafios do mercado desde a fundação, em 1979. Como tem sido essa trajetória?
Vivenciar crises e superá-las sempre foi um de nossos maiores desafios, e ao longo destes 42 anos conseguimos vencer esses obstáculos. A começar por decidirmos abrir uma agência de viagens quando o governo nos impunha o famoso “depósito compulsório”, no qual o cliente era obrigado a depositar para o governo o equivalente a US$ 1.000 americanos na compra de passagem e moeda estrangeira para viagens ao exterior, devolvendo um ano depois, sem correção. Inúmeros planos econômicos nos impuseram desafios, como congelamento de preços, bruscas desvalorizações da moeda, além de catástrofes, guerras e atentados, como o das torres gêmeas, em 11 de setembro de 2001. Sempre nos mantivemos firmes nos nossos propósitos, acreditando no turismo e equilibrando nossas ações divididas entre os segmentos de lazer, viagens corporativas e operações. Hoje, nosso grupo empresarial é composto pela Primus Turismo, a Primus Corporate, a Snow Operadora e a franquia das lojas Azul Viagens em Belo Horizonte.

Antes mesmo do surgimento dos primeiros casos do coronavírus no Brasil, já com a pandemia se alastrando na Ásia e na Europa, como foi enfrentar o fechamento de países?
Como a grande maioria das pessoas, acreditávamos que isso seria uma situação passageira, cuja duração estimávamos em pouco mais de dois meses. Com o passar do tempo, fomos obrigados a tomar medidas importantes para nos adaptar à nova situação. Readequamos a equipe e investimos um pouco mais no mercado eletrônico, no qual nosso portal de viagens – www.primus.com.br – é hoje responsável por grande parte do faturamento do grupo. Além disso, buscamos outras alternativas de destinos, e o Brasil entrou forte nesse quesito.
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 19/11/20)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 19/11/20)

Lá no início de março, qual a orientação dada aos clientes que compraram pacotes e ficaram impossibilitados de viajar?
Com uma credibilidade de 42 anos de mercado, nossa orientação foi para os clientes manterem seus planos de viagem, adiando-os sempre que possível. A indústria do turismo estava muito sensível naquela época e, naturalmente, todos queriam reaver seu dinheiro e aguardar a crise passar. Havia um temor de que as agências não iriam sobreviver, mas as regulamentações do governo e o auxílio às companhias aéreas fizeram o mercado se acalmar. Hoje, estamos atendendo todos os clientes, remarcando suas viagens ou alterando-as para novos destinos.

Nesses 42 anos, houve outro momento de impacto tão expressivo para turismo?
Acredito que não. Todas as crises vivenciadas foram muito impactantes, mas esta, seguramente, foi a maior delas.

Agora que muita gente está voltando a viajar, vem uma segunda onda de coronavírus no exterior. Quais os destinos mais procurados para o fim de ano 2020 e as férias de 2021?
Sem dúvida alguma, o Brasil é a bola da vez. A reação do mercado foi muito forte, os hotéis e as empresas aéreas estão mantendo altíssimos níveis de ocupação e enquanto houver o fechamento das fronteiras dos principais destinos no exterior, o Brasil atenderá a essa demanda reprimida de turistas.

O turismo nacional será a melhor opção ao longo de 2021? O que os clientes têm buscado? Resorts em praias desertas, com pouca aglomeração, ou capitais tradicionais, já consagradas pelo turismo nacional?
Se considerarmos o cenário atual, com as fronteiras de países tradicionalmente turísticos fechadas, o turismo nacional será muito forte. Os resorts ganham muita força nesse cenário, mas existe uma demanda também para cidades litorâneas e, ainda, para o Pantanal e a Amazônia.

Quais os rumos do turismo daqui pra frente? Como o mercado se adapta às questões de segurança? O ecoturismo veio para ficar?
Antes de mais nada, o modo de se fazer turismo já foi alterado e as exigências já são muito grandes. Por exemplo, fiz questão de visitar pessoalmente mais de quatro resorts no Brasil e pude constatar a preocupação dos hoteleiros com segurança e higiene, além da limpeza frequente de quartos e ambientes comuns. O ecoturismo tem a sua participação, apesar de que faltam recursos e infraestrutura para que se consolide como uma alternativa.

Quais cidades tendem a ganhar destaque na retomada do turismo? O Mercosul será a melhor opção de viagens internacionais?
Já temos destaques nesta retomada: Jericoacoara, no Ceará, Fernando de Noronha e Pipa, no Rio Grande do Norte. São destinos que caíram no gosto dos brasileiros. Acredito que o Mercosul será um destino alternativo para as viagens internacionais, apesar de acreditar que estamos muito próximos da abertura das fronteiras no exterior e da chegada das vacinas.
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 19/11/20)
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press - 19/11/20)

Quais mudanças vocês precisaram implantar para se adaptar à nova realidade?
Rapidamente, fomos obrigados a nos adaptar. Em pouco tempo, praticamente todos os colaboradores estavam trabalhando em casa, com exceção dos serviços de recursos humanos e tecnologia. O atendimento às empresas não foi afetado em nada, visto que quase na sua totalidade é feito de forma on-line. As consultorias de viagens a lazer passaram a ser feitas via aplicativos de mensagens ou videoconferências.

Ao todo, são quantos colaboradores na empresa? Houve dispensas no período?
Nosso grupo empresarial empregava no início da pandemia aproximadamente 150 pessoas, e esse quadro foi reduzido em 40%, infelizmente.

Como foi o faturamento deste ano em comparação ao ano passado e qual a expectativa daqui pra frente? Quais os planos para o pós-pandemia?
Nosso faturamento caiu a números correspondentes a 25% em abril. Em maio e junho, recuperamos 20%. Em agosto, passamos para 35%; em setembro, para 50%, e hoje estamos tentando alcançar 65% do que faturamos em fevereiro de 2020. A pandemia nos ensinou a ser uma empresa mais enxuta, com foco na qualidade do atendimento, melhor tecnologia e profissionais mais completos. Vamos ser melhores e com um nível de resultado maior.

A possibilidade de a vacinação contra a COVID-19 ser uma realidade já no primeiro semestre de 2021 poderá trazer alívio, com uma possível reabertura no exterior para os turistas brasileiros. Você acredita que a carteira de vacina em dia poderá ser um item obrigatório, como o passaporte ou o visto?
Não existe nada confirmado, tudo é especulação, mas não podemos contar com nada antes de março de 2021. A vacina deverá ser um item obrigatório a todos os viajantes brasileiros, o que já ocorre na maioria dos países que estão permitindo a entrada de turistas estrangeiros.

O réveillon está chegando, mas este ano não haverá a temporada de navios e cidades tradicionais no evento, como Rio, Salvador ou Florianópolis, que já deram a entender que não vão promover a tradicional queima de fogos. Qual a dica para curtir as festas de fim de ano?
Minha dica é buscar locais que não tenham grandes aglomerações, pequenas pousadas, praias menos visitadas e, se possível, ter uma pouco mais de paciência.

No início de setembro, o Ministério do Turismo lançou o Plano Nacional de Retomada do Turismo, com foco em promover a segurança para todos e gerar empregos. Qual a sua avaliação da proposta?
Entendemos que o governo se esforçou dentro das condições que se apresentavam, promoveu a ajuda às empresas aéreas e está incentivando o turismo rodoviário. A possibilidade de investimento externo vai ajudar as pequenas empresas, que terão um portal para investidores. As rotas gastronômicas serão a grande investida, pois cada estado da União tem na gastronomia um dos grandes filões de turismo.

A agência conseguiu junto aos governos federal e estadual algum incentivo para enfrentar a pandemia?
Nossas empresas não utilizaram os incentivos, por estar naquele momento da pandemia capitalizadas. Logicamente, ocorreram negociações com fornecedores, shoppings e colaboradores, para que nossas despesas ocorressem dentro do controle. Felizmente, hoje podemos dizer que as ações tomadas em março e abril surtiram resultados positivos agora em novembro.

*Estagiária sob supervisão do subeditor Carlos Altman



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