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Estado de Minas

Fábrica testa uso de rejeitos de minério na construção civil

Mais de 60 itens serão testados em parceria com o CEFET-MG para produção em escala industrial. Expectativa é de que, a cada ano, cerca de 30 mil toneladas de rejeito deixem de ser dispostas em barragens ou pilhas


20/11/2020 12:36 - atualizado 20/11/2020 13:03

A unidade automatizada será operada por oito mulheres(foto: Vale/Divulgação)
A unidade automatizada será operada por oito mulheres (foto: Vale/Divulgação)
Uma fábrica de blocos na Mina do Pico, em Itabirito, Região Central do estado, inaugurada na terça-feira (17), é planta piloto de produtos para a construção civil cuja matéria-prima principal é o rejeito da atividade de mineração. Instalada na mina, a expectativa é de que a unidade, após o período de testes, proporcione que 30 mil toneladas de rejeito deixem de ser dispostas em barragens ou pilhas para serem transformadas em 3,8 milhões de produtos pré-moldados de larga aplicação na indústria da construção civil, como pisos intertravados, blocos de concreto estruturais, blocos de vedação, placas de concreto, manilhas, blocos de vedação, dentre outros.
 
A indústria, da Companhia Vale, em parceria com o CEFET-MG, testará mais de 60 itens para produção em escala industrial, em iniciativa pioneira na empresa para tornar as operações mais sustentáveis.
 
Segundo Rodrigo Dutra, gerente-executivo de Licenciamento Ambiental da Vale, esta é a primeira iniciativa da empresa de reaproveitamento do rejeito. "Além de tornar nossas operações mais seguras e sustentáveis, queremos fomentar o desenvolvimento de soluções inovadoras que gerem valor para as comunidades vizinhas e a sociedade".
 
A companhia conduz estudos de aplicação do rejeito desde 2014. Sua utilização é na construção civil, em substituição a areia natural. De acordo com a Organização das Nações Unidas, a areia é o segundo recurso natural mais explorado no mundo, depois da água. O material é escasso e globalmente sujeito à extração ilegal e predatória. "O rejeito arenoso da Vale, resultante do beneficiamento do minério, possui elevado teor de sílica e baixíssimo teor de ferro, tendo ainda como vantagem a alta uniformidade química e granulométrica", destaca Dutra.
 
A empresa informou que investirá cerca de R$ 25 milhões em pesquisa e desenvolvimento tecnológico (P&D) nos primeiros dois anos da Fábrica de Blocos do Pico. Dez pesquisadores do CEFET-MG atuarão na pesquisa nesse período, entre professores, técnicos de laboratório e alunos de pós-graduação, graduação e curso técnico.
 
"A principal vantagem de estarmos numa fábrica instalada dentro de uma unidade de mineração é a capacidade de pesquisarmos a aplicação de diversos resíduos e validarmos a tecnologia, desenvolvida em laboratório, no ambiente produtivo em escala industrial. Esse modelo viabilizará a transferência de tecnologia de uma forma mais eficiente, constituindo um ambiente favorável à inovação", explica Augusto Bezerra, pesquisador líder do projeto e professor do CEFET-MG. 
 
A fábrica de blocos ocupa uma área de 10 mil m² dentro da unidade da Mina do Pico, no Complexo Vargem Grande. "A planta foi projetada em módulos para promover versatilidade no desenvolvimento de diversos tipos de produtos para a construção civil, como obras de infraestrutura de transportes, habitação e urbanização", explica Laís Resende, uma das engenheiras responsáveis pela iniciativa.Todo o sistema de produção da fábrica é automatizado, e será executado e operado oito que mulheres cuidarão de todos os processos da planta.


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