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Estado de Minas

Brasil pega US$ 1 bilhão de empréstimo no Banco Mundial para o Bolsa Família

Recurso vai permitir a inclusão de 1,2 milhão de famílias no programa social no próximo ano


30/10/2020 21:03 - atualizado 30/10/2020 21:13

A expectativa é que três milhões de pessoas estejam entre as 1,2 milhão de famílias que poderão ser incluídas no Bolsa Família (foto: Ana Nascimento/CCE)
A expectativa é que três milhões de pessoas estejam entre as 1,2 milhão de famílias que poderão ser incluídas no Bolsa Família (foto: Ana Nascimento/CCE)
O governo brasileiro tomou um empréstimo de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,7 bilhões na cotação atual) com o Banco Mundial. O recurso será usado na ampliação do Bolsa Família em 2021, conforme informou nesta sexta-feira (30) o Banco Mundial.
 
"O projeto financiará a ampliação do programa, e expandirá a proteção para ao menos 1,2 milhão de famílias pobres que continuarão a precisar de apoio após o fim do auxílio emergencial", informou o Banco Mundial.
 
A instituição considera a ampliação do Bolsa Família importante "uma vez que as medidas de auxílio emergencial têm prazo para expirar, e o mercado de trabalho continua devagar".

Além disso, o Banco Mundial lembrou que "a recuperação da crise do novo coronavírus deve acontecer de maneira gradual e desigual, com milhares de famílias a mais precisando de ajuda em 2021", o que pode aumentar a pobreza no país em 2021.

"Essa parceria com o Banco Mundial nos permitirá incluir famílias que se tornaram temporariamente pobres ou que não estavam cadastradas no programa anteriormente,” disse o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, ao Banco Mundial.
 
A expectativa é que três milhões de pessoas, incluindo 990 mil crianças e jovens e sete mil indígenas, estejam entre as 1,2 milhão de famílias que poderão ser incluídas no Bolsa Família por meio desses recursos.

Com isso, o número de famílias atendidas pelo programa de transferência de renda deve chegar a 15,2 milhões.
 
Essa é a mesma previsão apresentada pelo governo no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2021, que prevê a destinação de R$ 34,8 bilhões para o atendimento de 15,2 milhões de famílias pelo Bolsa Família no próximo ano, mas não destina nada para o Renda Brasil.
 
O financiamento com o Banco Mundial, por sinal, foi acordado em meio ao impasse sobre a fonte de recursos do Renda Brasil. O governo e o Congresso ainda não encontraram uma forma de bancar o programa que o presidente Jair Bolsonaro gostaria de criar para substituir o Bolsa Família e o auxílio emergencial em 2021. Por isso, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já vem avisando que, se não houver solução dentro do teto de gastos, acha melhor deixar o Renda Brasil para depois e voltar ao Bolsa Família em 2021.

Investimento

Nesta sexta-feira, Guedes também disse, em reunião com o setor industrial, que "o que reduz desigualdade social é investimento". A ideia é que, ao movimentar a economia, os investimentos produtivos gerem emprego e renda e, consequentemente, reduzam a necessidade de programas sociais como o Bolsa Família e o auxílio emergencial.
 
O ministro indicou ainda que o governo também estuda usar os recursos de organismos internacionais como o Banco Mundial para estimular os investimentos no país.

Afinal, hoje o governo não tem caixa para elevar os investimentos públicos e os empresários brasileiros têm se queixado das taxas de juros de longo prazo, que subiram diante das incertezas do mercado em relação ao rumo das contas públicas brasileiras.

Esses organismos internacionais, por outro lado, têm caixa e ainda costumam oferecer taxas mais baratas.

Por isso, além da parceria com o Banco Mundial, há uma expectativa de ampliação da carteira brasileira no Banco dos Brics, o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), que passou a ser comandado pelo brasileiro Marcos Troyjo, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, neste ano.
 
Guedes garantiu aos empresários do setor industrial, contudo, que está confiante na vinda de investidores estrangeiros para o país no próximo ano. Isso porque o ministro vê uma recuperação acelerada da economia brasileira, após o choque da COVID-19, e acredita que o país vai tirar as reformas econômicas do papel, passando mais confiança a esses investidores.


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