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Estado de Minas Economia

Altas temperaturas podem afetar produção de café em 2021 no Sul de Minas

Calor acima da média que afeta o Sul de Minas nos últimos meses pode acarretar à queda de produção do café em 2021. Produtores já sentem mudanças na colheita


09/10/2020 15:22 - atualizado 09/10/2020 16:07

Pesquisadores apontam que as plantações de café no Sul de Minas estão sendo afetadas pelas temperaturas acima da média(foto: Epamig/Divulgação)
Pesquisadores apontam que as plantações de café no Sul de Minas estão sendo afetadas pelas temperaturas acima da média (foto: Epamig/Divulgação)

Base da economia do Sul de Minas, o café da região representa cerca de 30% de toda a produção brasileira. A safra de 2020 teve boas estimativas, mas o calor acima da média nos últimos mesesleva especialistas a apontarem que a produção sofrerá queda. Pesquisadores do departamento de agricultura da Universidade Federal de Lavras (Ufla) reforçam que as temperaturas elevadas, aliadas ao déficit hídrico, são as principais limitações climáticas à produção do cafeeiro que levará a grandes perdas para os produtores em 2021.

 

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que em 2020 a produção de café no Sul de Minas deve se situar entre 17 e 17,8 milhões de sacas, o que representa um crescimento de até 27,3% em comparação à safra 2019. Em 2021, a safra já seria naturalmente menor em função da bienalidade de produção, porém essa queda poderá ser ainda maior devido a fatores climáticos, que têm sido determinantes no volume da produção.

 

De acordo com o produtor de café e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) Gladyston Carvalho, já dá para notar que as plantações estão sendo afetadas. “As lavouras de café vinham em excelentes condições, bem enfolhadas e vigorosas. Entretanto, neste momento em que as colheitas estão sendo finalizadas, observamos um aumento nas temperaturas e no déficit hídrico, causando uma desfolha intensa", disse.


"Além desses fatores mencionados, a desfolha foi agravada pela dificuldade de controle da ferrugem, principal doença do cafeeiro. Apesar do verão ter sido com chuva regulares, contribuindo para o bom desenvolvimento vegetativo dos cafeeiros, fica ainda, a grande expectativa para o agricultor, de como será a safra em 2021”, completou Carvalho.

 

Ainda de acordo com o pesquisador, é cedo para quantificar as perdas. “Se comparada com a previsão inicial que tínhamos para 2021, será, com certeza, menor, mas ainda é cedo para quantificar essa redução”.

 

Custo de produção sobe

Esses fatores adversos afetam não somente as lavouras em produção, mas também as em formação, causando um aumento na mortalidade de plantas jovens e onerando o custo de formação da lavoura cafeeira, pela necessidade de realização de um novo plantio, seja total ou parcial. “Em áreas irrigadas, os danos são menores, mas ainda existentes, uma vez que a demanda hídrica está muito acentuada”, pontua o pesquisador Gladyston.

 

De acordo com o professor do Departamento de Agricultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Rubens Guimarães, o histórico da produção na região leva a apreensão. O professor lembra que a ocorrência de fatores climáticos adversos é frequente, como o excesso de chuvas nos anos de 1976, 1982, 1983, 1987; o frio intenso, com geadas severas em 1892, 1902, 1918, 1942, 1975, 1979; o calor excessivo em 1985, 2000, 2007 e 2014; e secas severas em 1942, 1961, 1963 e 2014.

“Como se observou em 2014, a temperatura elevada aliada ao déficit hídrico são as principais limitações climáticas à produção do cafeeiro nas diversas regiões de cultivo, tendo sido calculado um prejuízo de mais de 30% na produtividade esperada de café naquele ano”, afirma Rubens.

 

Olho vivo no manejo

De acordo com o professor, a melhor estratégia para que o cafeicultor se defenda das secas, que normalmente são potencializadas pelas altas temperaturas, é o manejo da lavoura, que deve ser planejado desde a sua implantação. “Melhor cuidar de menores áreas de café bem manejadas (com altas produtividades) do que de grandes áreas pouco produtivas (com custos elevados)”.

 

Uma pesquisa, instalada no campus da Ufla, alia técnicas já conhecidas com métodos inovadores para mitigação dos efeitos da menor disponibilidade hídrica no cafeeiro. O estudo buscou entender os efeitos da seca e das altas temperaturas no solo e na planta de café, propondo combinação de técnicas como: manejo da cobertura do solo (com material orgânico ou mesmo filme de polietileno), manejo ecológico da braquiária, uso de fertilizantes de eficiência aumentada (estabilizados, de liberação lenta ou de liberação controlada), uso de polímeros retentores de água e condicionadores de solo. 

 

“Assim, foi possível propor técnicas de manejo da lavoura para aumentar a capacidade de armazenamento de água no solo (cobertura com resíduos vegetais, uso de polímeros retentores de água ou de compostos feitos de resíduos orgânicos), diminuir as temperaturas no solo e nas plantas para menor perda da água (melhorando a absorção de nutrientes com benefícios diretos no controle de pragas e doenças)”, conta o professor Rubens.

 

Produção no Sul de Minas

Segundo o Centro do Comércio do Café do Estado de Minas Gerais (CCMG), a produção do café arábica é predominante no estado, respondendo por 99,1% da safra. O sul de Minas (Sul e Centro-Oeste) é a principal região produtora, representando 54,4% do total de café produzido no estado. A produção da região, nesta safra, deveria alcançar 18,2 milhões de sacas, com crescimento de 30,3% em relação à safra anterior. O ganho de produtividade era 20,2% superior alcançando 33,82 sacas por hectares numa área em produção de 538,5 mil hectares.

 


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