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Estado de Minas REFLEXOS DA PANDEMIA

Cesta básica em BH atinge preço mais alto do ano em setembro

Preço da cesta básica chegou aos R$ 490,74, também o valor nominal mais alto desde 1994


06/10/2020 13:28 - atualizado 06/10/2020 13:55

Tomate foi um produto que contribuiu para o encarecimento da cesta(foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)
Tomate foi um produto que contribuiu para o encarecimento da cesta (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A. Press)
A cesta básica em Belo Horizonte atingiu seu maior preço neste ano no mês de setembro, chegando a R$ 490,74, aponta levantamento da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead/UFMG). O aumento foi puxado, principalmente, pelo arroz, óleo, leite, chã de dentro e tomate.

O valor representa 46,96% ou quase metade de um salário mínimo, atualmente cotado em R$ 1.045. No comparativo com o mês de agosto, o aumento registrado foi de 2,48%; no comparativo do ano, de 5,70% e, no acumulado de 12 meses, de 16,31%. Trata-se do maior valor nominal (ou seja, quando não se desconta a inflação do período) desde o início da série histórica, em 1994.

O encarecimento da cesta básica foi provocado, principalmente, pelo aumento do óleo de soja (29,98% no comparativo com agosto), do arroz (17,12%) e do leite (6,34%). Destaque também para o tomate santa cruz (7,31%) e para o chã de dentro (2,37%) que, apesar da alta discreta em pontos percentuais, tiveram elevação relevante em termos absolutos.

Motivações 


"É reflexo de períodos entressafras, de condições climáticas, como é o caso do tomate, na alta do dólar e consequente aumento da exportação, como é o caso do óleo, e isso tudo em conjunto com o aumento da demanda interna por comida", esclarece Thaize Martins, coordenadora de pesquisas da Ipead/UFMG.

Thaize Martins explica, ainda, que o novo recorde segue uma tendência de elevação gradual dos preços dos alimentos. "Observamos que a cesta vem ficando no patamar de 470 a 490 ao longo desse ano, o que é um valor mais alto que observado em anos anteriores", explica. "No mês de dezembro do ano passado, por exemplo, estava em torno de R$ 464 e não arrefeceu mais".

A pandemia trouxe uma maior demanda por alimentos consumidos em casa, o que contribuiu para a alta dos preços. "Ainda é difícil afirmar que as reaberturas do comércio vão freiar isso, porque muitas pessoas ainda não estão seguras e preferem evitar correr qualquer tipo de risco com relação ao vírus", detalha Thaize.

Sem perspectivas de retomada econômica, a tendência no momento é que o cenário continue desfavorável para o consumidor. "Sem previsão de bons cenários a curto prazo considerando a atual situação econômica do país e, também, levando em conta que o final do ano é naturalmente um período de alta nos preços", conclui a coordenadora da pesquisa.


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