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Estado de Minas SUSTO NAS COMPRAS

Escassez de matéria-prima eleva preço de produtos e deixa prateleiras vazias na Grande BH

Aumento do dólar e das exportações têm gerado desabastecimento do mercado interno e pesado no bolso do consumidor


03/09/2020 18:17 - atualizado 03/09/2020 18:26

Além do aumento dos preços, vários supermercados estão limitando a quantidade de produto por cliente(foto: Gabriel Felice)
Além do aumento dos preços, vários supermercados estão limitando a quantidade de produto por cliente (foto: Gabriel Felice)
Quem vai com frequência ao supermercado tem levado um susto após o outro. Primeiro foi o leite, que viu seu preço disparar 14,73% neste ano. Em setembro, os vilões são o arroz, que registra variação de 19,57%, e o óleo de soja, com elevação média de 15,66%. 

Outros itens da cesta básica, como batata inglesa e o feijão carioquinha, também ficaram com preços mais salgados, com altas de 20% e 27% neste ano, respectivamente, segundo dados do Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead).

A resposta para esse descontrole nos preços, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), está no aumento das exportações destes produtos e sua matéria-prima, assim como a redução na importação desses itens, motivadas pela mudança na taxa de câmbio, que provocou a desvalorização do real frente ao dólar.

Soma-se a isso, a política fiscal de incentivo às exportações e o crescimento da demanda interna impulsionado pelo auxílio emergencial. “Reconhecemos o importante papel que o setor agrícola e suas exportações têm desempenhado na economia brasileira. Mas alertamos para o desequilíbrio entre a oferta e a demanda no mercado interno para evitar transtornos no abastecimento da população, principalmente em momento de pandemia do novo Coronavírus (COVID-19)”, ressaltou a Abras por meio de nota.

Nos supermercados os resultados são prateleiras vazias e a limitação de compra de vários gêneros alimentícios. Nesta quinta-feira (3), a associação comunicou à Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, sobre os reajustes de preços dos itens, com o intuito de buscar soluções junto a todos os participantes dessa cadeia de fornecedores dos produtos comercializados nos supermercados.

“Vamos continuar buscando oferecer aos consumidores opções de substituição dos produtos mais impactados por esses aumentos”, informou.

Já a Associação Mineira de Supermercados (Amis) garantiu que os aumentos não representam lucro para os supermercados, “porque eles não ampliaram suas margens. Pelo contrário, o setor também tem sofrido com aumentos de custos, já que precisa atender o consumidor em um momento de alto desemprego e redução da renda”.

Em Sete Lagoas, na região metropolitana de Belo Horizonte, o pacote de cinco quilos de arroz mais barato, que antes poderia ser adquirido por R$ 11,90, agora é encontrado por R$ 19,90. Mas há marcas que chegam a R$ 26,90.

Com o óleo de soja a variação foi ainda maior. Há duas semanas a garrafa de 900ml era encontrada por R$ 3,59 e agora a mais barata está custando R$ 5,89.

Em Itapecerica, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, a situação não é diferente. A cesta básica, por exemplo, sofreu um reajuste de aproximadamente 15%, impulsionada pelo preço do arroz, óleo e feijão. “Está muito pesado. Fiz compra essa semana e comprei o mínimo do mínimo. Fico imaginando para família que tem renda de um salário mínimo, como vai sobreviver se continuar neste ritmo”, relata a aposentada Selma Viera.  

Desabastecimento

A variação do dólar está respigando também em segmentos que vão além do alimentício. Em Divinópolis, também no Centro-Oeste mineiro, empresários têm alertado os consumidores sobre, principalmente, o prazo de entrega de alguns produtos. Essa é a realidade do setor moveleiro. 

“Estamos pedindo 60 dias [para entregar] dependendo da cor”, conta o proprietário de uma empresa de móveis planejados, Aguimar Santiago. Em 30 dias, o preço das principais matérias primas (MDV, dobradiça e corrediça) aumentou 40%.

“As vendas caem e não adianta vender porque não tem como entregar. Em 28 anos que trabalho neste ramo nunca vi subir tanto como aconteceu esses dias”, conta.

Dificuldade também enfrentada pelo setor têxtil. “Estamos perdendo muita venda porque a malha não chega e o pouco que chega vem em um valor muito alto, já aumentou mais de 20%”, relata o vendedor Adriano Avelino da Silva. 

Agosto foi o melhor mês do ano na loja. Mas, sem o fio de algodão, as vendas para setembro, outubro e novembro estão ameaçadas. “São os melhores meses do ano para a gente e ainda não sabemos como será”.

Embora vários fatores possam influenciar na escassez de produtos e descontrole do preço, o presidente do Sindicato do Comércio Patronal de Divinópolis, Gilson Amaral, cita dois: aumento do dólar e pandemia. “Mesmo fora do país muitas indústrias pararam, o transporte ficou mais lento, o mundo diminuiu a marcha. Com o dólar ao preço que está o produtor prefere exportar que vender para o mercado interno”, explica.

Amaral, que também é proprietário de uma rede de supermercados em Divinópolis, destaca que o impacto é sentido na linha de frente. “Não tem ninguém querendo tirar proveito da situação. Até porque quando o supermercado repassa o aumento, a venda cai. Queremos vender barato em um volume maior”, enfatizou. 

Segundo ele, a tendência de alta dos produtos mais comuns na mesa do brasileiro deve se manter até o final do ano.


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