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Estado de Minas ECONOMIA

Em julho, 18,3 mil vagas foram fechadas para jovens aprendizes no Brasil

Estudo aponta que São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais foram os estados que mais fecharam portas para esse grupo de pessoas


24/08/2020 17:39 - atualizado 24/08/2020 22:43

Minas Gerais é a terceira capital do Brasil que mais fechou vagas para jovens aprendizes(foto: Pixabay/Reprodução )
Minas Gerais é a terceira capital do Brasil que mais fechou vagas para jovens aprendizes (foto: Pixabay/Reprodução )
Nas entrelinhas do anúncio feito pelo Ministério da Economia na última sexta-feira (21), de que o Brasil abriu mais de 131 mil vagas de emprego com carteira assinada em julho deste ano, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), aparece um tombo histórico nas vagas de jovens aprendizes, entre 14 e 24 anos, por todo o país. De acordo com o estudo elaborado pela Kairós Desenvolvimento Social, no mesmo período de ascensão celebrado pelo governo, 18,3 mil jovens e adolescentes perderam a oportunidade de se estabelecer no projeto que é uma das portas de acesso ao mercado de trabalho. 

Segundo o estudo da Kairós, empresa especializada em monitoramento de políticas públicas e diagnóstico social, desde o início da crise causada pela pandemia do novo coronavírus no Brasil, 77,6 mil jovens participantes do programa Menor Aprendiz viram as empresas deixarem de contratá-los. Além de acelerar os índices de desemprego nessa faixa etária, a queda de vagas de aprendiz tem impacto na permanência na escola e nas condições de vida de famílias mais pobres. 

De acordo com Elvis Cesar Bonassa, diretor da Kairós e coordenador do estudo que compara os números das admissões e demissões por parte das empresas, sem a oportunidade de emprego formal como aprendiz, aumentam para esses jovens e adolescentes os riscos de abandono escolar e de ingressar no trabalho informal para a manutenção de renda da família. 

“Esses adolescentes e jovens geralmente são pertencentes a um grupo de baixa renda, assim como estabelecido nas prioridades de contratação desse programa. É um tipo de emprego que neste momento de crise deveria ser o último a ser fechado, porque tem um impacto social muito forte. Ele garante o acesso ao mercado de trabalho, profissionalização e a permanência na escola”, declarou. 

Ainda segundo ele, o governo não se preocupou em fazer uma legislação específica sobre esse cenário durante a pandemia, já que os aprendizes entraram na mesma regra geral das medidas provisórias da flexibilização do emprego. Além disso, afirma não houve preocupação do governo federal em dar maior atenção e proteção a esse grupo, e nem das empresas, de cumprir o papel social de garantir essas vagas. 

Embora não seja voltada exclusivamente para adolescente e jovens de baixa renda, a aprendizagem atende em grande parte a essa parcela da população. As grandes empresas são obrigadas por lei a contratar esses jovens e adolescentes, dando prioridade no processo de seleção aos de famílias beneficiárias de programas sociais e aos matriculados na rede pública de ensino. 


Vagas em Minas Gerais


Minas está classificado como o terceiro estado no ranking de fechamento de vagas para esses jovens e adolescentes desde abril. Segundo o levantamento, São Paulo (23.332) lidera como a unidade da federação com menos oportunidades ofertadas, seguido pelo Rio de Janeiro (9.344) e Minas Gerais (7.797). 

Belo Horizonte é a terceira capital do país que mais fechou portas para a contratação desse grupo, apresentando saldo de 2.298. Ainda em Minas, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, aparece na segunda colocação com 823, seguida por Contagem, na Região Metropolitana de BH, com 555. 

Em contrapartida, entre os 137 municípios mineiros que têm a atuação de jovens aprendizes, Ouro Preto foi o que mais admitiu (11). Na segunda colocação entre os que mais disponibilizaram vagas durante o período analisado aparecem as cidades de Itamonte (11) e Ipanema (8).

Ainda de acordo com Elvis, os indicadores e informações apresentados no estudo da Kairós foram calculados a partir dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia. 
 
Estagiário sob supervisão do editor Roney Garcia


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