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Estado de Minas Negócios

Inovação: Minas tem quase 800 startups e é segundo estado no ranking nacional

Levantamento destaca boa distribuição de empresas de inovação em setores de atuação e pelas cidades mineiras


22/07/2020 17:43 - atualizado 22/07/2020 20:28

(foto: Think/Divulgação)
(foto: Think/Divulgação)
Com quase 800 startups, Minas Gerais é o segundo estado com mais jovens empresas focadas em inovação e de base tecnológica. De acordo com levantamento da empresa de inovação Distrito, com apoio da consultoria KPMG, 782 negócios desse tipo estão em solo mineiro. Os responsáveis pela pesquisa avaliam que o mercado de inovação no estado ainda tem potencial de desenvolvimento, já que se desenvolveu muito nos últimos anos. 


Minas fica atrás apenas de São Paulo, que abriga 2.677 startups. O total de empresa em Minas supera os de Rio Grande do Sul (594), Paraná (574), Santa Catarina (551) e Rio de Janeiro (469).
 
O estado também é o segundo no recorte de quantidade de startups a cada R$ 1 bilhão do Produto Interno Bruto (PIB), com um índice de 1,38. Santa Catarina é o primeiro estado nessa lista, com 1,84 empresas de inovação a cada R$ 1 bilhão movimentado na economia. 

O resultado da pesquisa não surpreendeu o responsável pela área de mineração de dados da Distrito, Tiago Ávila. “Foi muito interessante, é um resultado com mérito. Temos que olhar pra Minas com um carinho especial nesse sentido, já que vemos muitas soluções nascendo no estado. É um ecossistema que conseguiu se desenvolver muito nos últimos anos”, afirma. 

Ávila aponta a concentração de universidades federais em Minas, que reúne 11 instituições, mais do que qualquer outro estado, Entre os motivos para o número elevado de startups mineiras.
 
“O valor que dão para educação claramente se reflete do desenvolvimento do ecossistema de inovação local, também apoiado por sólidas iniciativas governamentais", avalia.
  
Iniciativas desse tipo incluem a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e a Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (Fundep). 
 
Para Tiago Ávila, a tendência é que as startups mineiras continuem se desenvolvendo. “A inovação e a tecnologia não dependem de um setor específico para acontecer. É algo fundamental na economia de hoje: não vemos a economia crescendo sem inovação”, conclui.  

Diversidade de setores 

De acordo com a pesquisa, as startups mineiras atuam em 34 setores. A maioria é do segmento de saúde, que corresponde a 9,5% do total. O setor de finanças reúne 8,3% delas – as chamadas fintechs. O terceiro segmento de maior representatividade no estado é o de marketing e comunicação, que representa 7,4% do total.
 
Entre outros setores mais atendidos pelas startups mineiras estão: educação (6,8%), indústria (5,8%), varejo (5,8%) e agronegócio (5,2%).
 
Minas é o único estado pesquisado em que o setor de saúde é o mais representativo. “O estado tem uma concentração menor de startups por setor. O de finanças é um dos mais desenvolvidos, mas é bem distribuído. Vejo isso como positivo”, afirma Tiago Ávila.
 

Inovação fora da capital 


A pesquisa também reuniu informações sobre a distribuição das jovens empresas de inovação pelo estado. A maior parte está em Belo Horizonte, que abriga 438 startups, ou 57,5% do total.  Segundo os responsáveis pela pesquisa, essa concentração na capital é menor do que em São Paulo (70,8%) e no Rio de Janeiro (85,2%). Em Minas, outras cidades reúnem um bom número de startups. É o caso de Uberlândia, com 68 empresas (8,9%) e Juiz de Fora, com 47 (6,2%). 

Enquanto isso, Nova Lima, Itajubá, Uberaba, Viçosa, Contagem, Santa Rita do Sapucaí e Montes Claros têm juntas 109 startups, ou 14,2% do total. Tiago Ávila vê esse dado como positivo para o estado. “A inovação não está só na capital. A distribuição pelo interior gera um movimento em que as empresas locais se ajudam”, sustenta. 

Uma das conclusões da pesquisa é que o chamado ecossistema de inovação de Minas Gerais se desenvolveu muito nos últimos anos. Do total de startups do estado, 85% foram fundadas nos últimos dez anos, e metade a partir de 2016. Apenas 2,6% delas nasceram antes de 2000. 

Também é possível notar a expansão recente desse tipo de negócio no estado pelo nível de investimento. As startups mineiras receberam US$ 100 milhões desde 2008, sendo que 60% desse total foi investido nos últimos três anos, chegando a um pico de US$ 30 milhões em 2018. 

O levantamento calcula que as startups mineiras empregam aproximadamente 12,8 mil pessoas. Os setores de marketing, finanças, varejo e tecnologia da informação são responsáveis por 50% das vagas.
 
Ao olhar o recorte de quantos funcionários cada empresa tem, os responsáveis pela pesquisa concluíram que o ecossistema mineiro de startups ainda está em desenvolvimento. Isso porque 44,2% delas têm de um a cinco funcionários, enquanto 34,5% têm de seis a 20. Apenas 1,3% dos negócios empregam mais de 200 pessoas. 
 

Desigualdade  


Ao levantar dados sobre o perfil de sócios e fundadores das startups mineiras, a pesquisa se deparou com a falta de representatividade feminina. Apesar de serem maioria na população, as mulheres representam apenas 17% dos sócios de empresas de inovação no estado, contra 83% de homens.
 
Entre os fundadores, há apenas uma mulher: Mônica Hauck, da Sólides. “A questão da desigualdade é nacional. Tem muitas iniciativas que trabalham com isso, mas o resultado não é de curto prazo”, pondera Tiago Ávila. 

A média de idade dos sócios das startups mineiras é 38 anos, sendo que cada uma tem 2,2 em média. A maioria (80,1%) nasceu em Minas, e 19,9% veio de outros estados. Já entre os fundadores, 65% já haviam empreendido antes e 50% estudaram fora do país. 

*Estagiário sob supervisão da editora Liliane Corrêa


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