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Estado de Minas FALTAM LEITOS DE UTI

Pequenas cidades de Minas dependem de grandes municípios contra a COVID-19

Levantamento com base em dados oficiais mostra que equipamentos de tratamento intensivo não estão disponíveis em 196 municípios


postado em 24/04/2020 04:00 / atualizado em 23/04/2020 22:36

Prefeituras das maiores cidades, que dispõem de UTI, tentam reforçar a estrutura para evitar um colapso no atendimento à população que viver ao seu redor(foto: fotos: Divulgação)
Prefeituras das maiores cidades, que dispõem de UTI, tentam reforçar a estrutura para evitar um colapso no atendimento à população que viver ao seu redor (foto: fotos: Divulgação)
Referência entre os municípios do Centro-Oeste de Minas Gerais, Divinópolis tenta se preparar para enfrentar a pressão que seu sistema de saúde deverá receber da população de outras 53 cidades da vizinhança, boa parte deles sem uma Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), equipamento considerado essencial no combate ao novo coronavírus. “Precisamos acompanhar diariamente os casos registrados aqui, mas também ficar atentos à demanda regional por vagas”, diz o prefeito Galileu Machado (MDB), sem esconder a preocupação com a falta de estrutura de saúde da região.
Na vizinha Bom Despacho, um desses municípios sem UTI, com o temor de uma crise sem precedentes e pouco recursos do cofre municipal, o prefeito Bertolino da Costa Neto (Avante) teve de improvisar para implantar 15 leitos com respiradores na Santa Casa local. “Foi um desafio”, desabafa.
 
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Faltam leitos adultos de UTI em 29 das 89 divisões administrativas da rede de assistência do estado. O déficit atinge um terço do sistema e 196 cidades mineiras, ao todo. Os dados foram levantados pelo projeto Coronavírus-MG.com.br, organizado pelos jornalistas Cristiano Martins e Ígor Passarini, com base nos últimos registros do Cadastro Nacional de Estabelecimentos (CNES), referentes a fevereiro deste ano. O site informa que os números coincidem com os divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
 
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O estudo também aponta para outro fato, baseado em uma regra da Organização Mundial da Saúde (OMS). O órgão estabelece que haja pelo menos 10 leitos para cada 100 mil habitantes, o que não acontece em 27 regiões mineiras. Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES)informou ao Estado de Minas que a taxa de ocupação dos leitos de UTI no estado está em 53%. “No momento, são 85 pacientes internados em leitos de UTI, em decorrência da COVID-19, ou por suspeita da doença. Já a taxa de ocupação específica para leitos por COVID-19 ou suspeita está em 4%”, diz.
 
Ainda de acordo com a SES, o estado trabalha com microrregiões “ou seja, vários municípios pequenos se estruturam e encaminham inclusive valores financeiros para o município da região que seja um pouco maior e que possua uma estrutura de recursos humanos, estrutura hospitalar e assim, este município passa a ser uma referência.” Na avaliação do governo, como o estado é extenso, com 853 cidades, e pelo menos 70% deles com população pequena, “é natural” que não haja leitos de UTI em todos eles.
Pressionada pela influência que exerce entre 32 municípios do Sul de Minas, Pouso Alegre reforçou o número de leitos no Hospital Samuel Libânio, que recebeu equipamentos de um hospital particular desativado na vizinha Santa Rita do Sapucaí. Na Zona da Mata mineira, que tem Juiz de Fora como polo regional, a Superintendência Regional de Saúde está na fase de conclusão de uma plano de contingência para enfrentamento do novo coronavírus.
 
O Norte de Minas espera recursos do governo estadual para evitar uma crise de atendimento dos hospitais da região, que conta com população de mais de 1,7 milhão. As maiores cidades – Montes Claros, Janaúba, Pirapora e Taiobeiras –têm hoje capacidade de atender 116 pessoas em tratamento intensivo. “É uma situação que preocupa, mas estamos fortalecendo nossas ações de enfrentamento da doença”, afirma o secretário de saúde de Montes Claros, Guilherme Leal Andrade.


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