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Estado de Minas CONTAS DO PAÍS

Exportação menor impulsiona rombo

Queda de 19,5% nas vendas do Brasil ao exterior em janeiro leva déficit a quase US$ 12 bilhões, pior cifra em 5 anos


postado em 22/02/2020 04:00

Porto de Santa Catarina: embarques somaram US$ 14,5 bilhões, US$ 3,5 bilhões a menos que em 2019(foto: Porto Itapoã/divulgação - 10/3/19)
Porto de Santa Catarina: embarques somaram US$ 14,5 bilhões, US$ 3,5 bilhões a menos que em 2019 (foto: Porto Itapoã/divulgação - 10/3/19)

Brasília – O rombo das contas externas brasileiras cresceu no início deste ano. Segundo o Banco Central (BC), o déficit do setor externo foi de US$ 11,9 bilhões em janeiro. O resultado é o pior para o mês nos últimos cinco anos e foi influenciado, sobretudo, pela queda das exportações brasileiras.

O déficit em transações correntes (entradas e saídas de dinheiro proveniente do comércio de bens e serviços, pagamento de transferências e as contas relativas a investimentos) de janeiro é cerca de 30% maior que o registrado no mesmo mês do ano passado (US$ 9 bilhões). E é ainda maior que o rombo esperado pelo Banco Central (BC), que, no fim do ano passado, projetou resultado negativo de US$ 8,7 bilhões para o resultado de janeiro passado.

O Banco Central (BC) explicou, por sua vez, que esse resultado é fruto do comportamento da balança comercial brasileira. “O desempenho das exportações apresentou redução de 19,5% em relação ao mesmo mês do ano anterior”, disse o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha.

As exportações brasileiras somaram US$ 14,5 bilhões no mês passado, frente aos US$ 18 bilhões de janeiro de 2019. Os analistas de bancos e corretoras acreditam, como admitiu Rocha, que essa redução pode estar relacionada à desaceleração da economia da China, que ampliou o feriado lunar e deixou fábricas fechadas em boa parte de janeiro devido ao surto de coronavírus. O cenário levou à redução da demanda de produtos de outros países, como as commodities (produtos agrícolas e minerais cotados no mercado internacional) brasileiras.

Não fosse isso, as exportações poderiam ter tido resultado bem melhor, uma vez que o dólar alto favorece os exportadores brasileiros. A influência da moeda norte-americana, por sinal, foi sentida em outra conta importante do balanço das transações correntes. A conta de serviços, que reduziu o seu déficit em 6,4% devido, entre outras coisas, à redução dos gastos dos brasileiros no exterior. Só os gastos com viagens internacionais caíram quase 15% em razão da escalada do dólar. Por isso, o rombo da conta de serviços saiu de US$ 2,841 bilhões em janeiro de 2019 para US$ 2,659 em janeiro último – o melhor resultado para o mês desde 2016.

A conta de rendas primárias, a terceira e última do balanço das transações correntes, também teve performance melhor que a de janeiro de 2019, mas por outro motivo: a redução da taxa de juros, aquela que remunera os títulos do governo no mercado financeiro e serve de referência para as operações nos bancos e no comércio. O déficit caiu 7%, passando de US$ US$ 7,2 bilhões para US$ 6,8 bilhões, já que o Brasil está precisando gastar menos para pagar os juros da dívida externa.

“O déficit de transações correntes foi de US$ 11,8 bilhões. E o principal responsável foi a redução do resultado da balança comercial, que atingiu um déficit de US$ 2,6 bilhões em janeiro, porque, nas demais contas, tivemos uma redução do déficit”, reforçou Rocha, do BC. Contudo, segundo ele, uma operação de importação de US$ 2,1 bilhões ocorrida no âmbito do Repetro também contribuiu para a piora do resultado da balança comercial. Por isso, o BC espera saldo mais positivo para este mês. A estimativa é de que a conta de transações correntes do Brasil encerre fevereiro com rombo de US$ 4 bilhões.

Gastos no exterior 

A conta de viagens internacionais voltou a registrar déficit em janeiro. No mês passado, a diferença entre o que os brasileiros gastaram lá fora e o que os estrangeiros desembolsaram no Brasil representou saldo negativo de US$ 857 milhões. Em igual mês de 2018, o rombo nessa conta foi de US$ 986 milhões. O desempenho das viagens internacionais foi determinado por despesas de brasileiros no exterior, que somaram US$ 1,438 bilhão em janeiro. Já o gasto dos estrangeiros em passeio pelo Brasil ficou em US$ 582 milhões no mês passado. (Com agências)
 
 
 

EUA liberam carne bovina


Ministério deverá enviar lista de frigoríficos autorizados ao país(foto: Sindiavipar/ANPr %u2013 21/1/16)
Ministério deverá enviar lista de frigoríficos autorizados ao país (foto: Sindiavipar/ANPr %u2013 21/1/16)

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informou, ontem, ter sido comunicado de que o governo dos Estados Unidos (EUA) abriu seu mercado para a carne bovina in natura do Brasil. O comunicado foi feito pelo Departamento de Agricultura do país (USDA, na sigla em inglês). “Uma notícia que esperávamos com ansiedade há algum tempo e que hoje eu tive a felicidade de receber. É uma ótima notícia, porque isso traz o reconhecimento da qualidade da carne brasileira por um mercado tão importante como o americano”, disse a ministra titular da pasta,Tereza Cristina.

A liberação permite que o Brasil envie àquele país, de imediato, produtos de carne bovina in natura derivados de animais abatidos. O comunicado encaminhado ao Mapa destaca que o Brasil corrigiu os problemas sistêmicos que levaram à suspensão dos embarques ao EUA. Ainda segundo o Mapa, o governo norte-americano vai encerrar os casos pendentes de violação de pontos de entrada associada à suspensão de 2017.

Antes da primeira remessa, o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Mapa (Dipoa) deve enviar lista atualizada de estabelecimentos elegíveis certificados. As compras de cortes bovinos do Brasil foram suspensas pelos EUA em 2017, em consequência das reações (abcessos) provocadas no rebanho pela vacina contra a febre aftosa.

Desde o início do ano passado, a ministra participou de diversas reuniões com o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, para tratar do assunto. Em junho de 2019, missão de veterinários norte-americanos esteve no Brasil para inspecionar frigoríficos de bovinos e suínos. A missão retornou em janeiro último.
 
 
 
 

Previsão é otimista no campo


O Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário deve apresentar crescimento maior do que o previsto para 2020. A estimativa é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que revisou as previsões para este ano. De acordo com estudo,  divulgado ontem, para 2020 a expansão do setor deverá variar de 3,4% a 4,15%, com base em projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A estimativa anterior do Ipea era de crescimento entre 3,2% e 3,7%.

De acordo com o Ipea, a melhora nos cenários para a safra 2019/2020 representa forte aceleração da atividade do setor em relação ao ano passado, quando o crescimento foi de 0,7%, segundo estimativa do instituto. O estudo, nos dois cenários, mostrou que o componente que mais deve contribuir positivamente para esse resultado são as lavouras. A expectativa é de que a produção cresça acima de 3,9% devido principalmente à expansão esperada na oferta de soja e café.

No caso da soja, as previsões indicam que a produção crescerá entre 7,1% (segundo a Conab) e 8,7% (de acordo com o IBGE). Aliado a isso, é esperada elevação de dois dígitos na produção de café, 13,1%. Para a pecuária, as projeções indicam crescimento de 3,5% neste ano. O destaque fica com a produção de suínos, com alta de 4,5%. O segmento de bovinos deve apresentar crescimento de 3,5% e a de aves, 2,1%. O Ipea chama a atenção para a possibilidade de efeitos da epidemia de coronavírus na China sobre a demanda por produtos agropecuários. 


Novo recorde

O dólar comercial teve valorização de 0,02% ontem e fechou o pregão cotado a R$ 4,3926, batendo novo recorde. A cotação máxima registrada anteriormente foi de R$ 4,3917, índice final da última quinta-feira. Durante o dia, a moeda norte-americana atingiu o recorde nominal de R$ 4,40, maior valor sem considerar a inflação na história. O pico de R$ 4,40 foi atingido logo no início do pregão, por volta de 9h30. Porém, com o avanço da manhã a moeda norte-americana se desvalorizou, atingindo a mínima de R$ 4,37. A queda ocorreu devido à intervenção do Banco Central. Além disso, analistas de  bancos e corretoras apontam que a divulgação de dados ruins sobre a atividade dos setores de manufatura e serviços nos Estados Unidos contribuiu para a mudança de direção. Eles atribuem as altas recentes do dólar às preocupações com a crise provocada pela epidemia do novo coronavírus na China e aos juros mínimos no Brasil. 


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