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Estado de Minas CUSTO DE VIDA

Preço da carne acelera inflação em novembro

Alta do produto atingiu 8,09%, reflexo das exportações para a China, que restringe a oferta no Brasil. Tarifa de energia elétrica também contribuiu para elevar o IPCA, que chegou a 0,51%


postado em 07/12/2019 04:00 / atualizado em 06/12/2019 21:49


Rio – A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou novembro com alta de 0,51%, ante um aumento de 0,1% em outubro, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A elevação de 0,51% em novembro foi o maior resultado para o mês desde 2015, quando a taxa tinha avançado 1,01%. Em novembro de 2018, o IPCA havia ficado negativo em 0,21%. Como resultado, a taxa acumulada pelo IPCA em 12 meses acelerou de 2,54% em outubro para 3,27% em novembro, permanecendo consideravelmente abaixo da meta de 4,25% perseguida pelo Banco Central (BC) este ano. Já a taxa acumulada pela inflação no ano foi de 3,12%.

O maior responsável pela inflação em novembro foi o salto de 8,09% no preço das carnes. Essa alta nas carnes foi a mais acentuada desde novembro de 2010, quando o IBGE registrou um aumento de 10,67% no item de consumo. “A gente tem demanda grande da China pela carne, que restringe a oferta no mercado. A situação no momento é uma demanda alta da China pela carne brasileira. Foi principalmente carne bovina. As outras também foram influenciadas, porco e frango, mas o grande destaque foi a carne bovina”, frisou Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE. A carne de porco subiu 3,35% em novembro, enquanto o frango inteiro aumentou 0,28% e o frango em pedaços subiu 0,34%.

O grupo Alimentação e Bebidas saiu de um avanço de 0,05% em outubro para elevação de 0,72% em novembro. A contribuição do grupo para a inflação passou de 0,01 ponto percentual para 0,18 ponto percentual no período. “Sem as carnes, (o grupo) Alimentação e Bebidas teria registrado uma queda de 0,18%. Realmente, o que pesou mesmo foram as carnes. Tomate, batata e cebola caíram cada um mais de 10%. Então realmente foram as carnes”, ressaltou Kislanov.

Sem a pressão das carnes, o IPCA teria sido de 0,30% em novembro, calculou o gerente do IBGE. Devido ao encarecimento das carnes, os alimentos para consumo no domicílio interromperam uma sequência de seis meses consecutivos de quedas de preços, com um avanço de 1,01% em novembro. Por outro lado, as famílias pagaram menos pela batata-inglesa (-14,27%) e pelo tomate (-12,71%), ajudando a conter o IPCA em -0,03 ponto percentual cada um. A cebola também teve recuo acentuado, de 12,48%. Já a alimentação fora do domicílio subiu 0,21% em novembro, após uma alta de 0,19% em outubro. No último mês, o item lanche aumentou 0,56%, uma contribuição de 0,01 ponto percentual para o IPCA do mês.

Energia 

Mas as carnes não são as únicas vilãs da inflação. Também pesou no bolso a tarifa de energia elétrica, que subiu 2,15% em novembro, após um recuo de 3,22% em outubro. A conta de luz contribuiu com 0,09 ponto percentual para o IPCA de novembro. Como resultado, o grupo Habitação saiu de uma queda de 0,61% em outubro para um avanço de 0,71% em novembro.

O movimento foi puxado pela mudança de bandeira tarifária. Em outubro, estava em vigor a bandeira amarela, com acréscimo de R$ 1,50 para cada 100 quilowatts-hora consumidos. Em novembro, passou a vigorar a bandeira vermelha patamar 1, com valor reajustado de R$ 4 para R$ 4,169 a cada 100 quilowatts-hora. A conta  ficou mais cara mesmo com reduções tarifárias em quatro das 16 regiões pesquisadas: Porto Alegre, São Paulo, Brasília e Goiânia.



Em BH, aumento de 10%

Marta Vieira


A inflação das carnes e a elevação dos preços do feijão-carioca foram determinantes, em novembro, para o aumento do custo de vida na Grande Belo Horizonte, que subiu quase três vezes, de 0,17% em outubro para 0,46% no mês passado, medido pelo IPCA. Metade do índice foi influenciado pelas despesas com alimentos e bebidas, devido ao descolamento dos preços das carnes de boi e porco, inclusive acima da média nacional. Os gastos com as carnes em BH e entorno encareceram 10,03%, frente à média de 8,09% no país, só perdendo para o pulo dos preços do feijão-carioca, que sofreram reajuste de 11,83%, também na média, segundo o IBGE.

A chã de dentro comandou os reajustes de preços das carnes na região metropolitana da capital mineira, com alta de 13,38%, quando a média nacional foi de 12,49%. O IBGE destacou, ainda, os reajustes, em novembro, dos preços da alcatra (12,96%), patinho (11,65%), contrafilé (11,54%) e da carne de porco, cujos preços subiram, em média, 5,90%.

Todos os cortes de boi e porco exibiram alta superior à média nacional. Nesta semana, o Estado de Minas já havia mostrado como os gastos do consumidor de BH e região metropolitana têm sofrido com a pressão dos preços das carnes, que já alcançaram os cortes suínos e de frango, segundo levantamento feito pelo site de pesquisas Mercado Mineiro e antecipado ao EM. Também as despesas nas churrascarias e nos restaurantes de comida a quilo subiram, sob o impacto da carne mais cara. O EM mostrou ainda que o comércio busca alternativas para conter os repasses ao consumidor, como a redução do bife de boi no prato feito.


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