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Estado de Minas CRISE

'Melhor é crescer menos', diz Guedes sobre expansão de gastos

Segundo o ministro da Economia, não adianta 'forçar' crescimento rápido do país, adotando medidas artificiais


postado em 07/12/2019 06:00 / atualizado em 07/12/2019 08:09

Segundo o ministro da Economia, controlar gasto público é prioridade, assim como evitar crescimento 'artificial' (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Segundo o ministro da Economia, controlar gasto público é prioridade, assim como evitar crescimento 'artificial' (foto: Ramon Lisboa/EM/D.A Press)

Rio de Janeiro – O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou ontem que o controle dos gastos públicos está por trás de tudo o que o governo federal está fazendo. O objetivo, disse o ministro, é controlar a expansão dos gastos e não reduzi-los efetivamente. “Os gastos tinham má qualidade. Gastamos muito e gastamos mal. Vamos controlar a expansão dos gastos, não estamos cortando nada, só não estamos deixando crescer o que é ruim”,  argumentou. Ele fez a afirmação em discurso durante o seminário “BNDES com 'S' de Social e de Saneamento”, na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDE), no Rio de Janeiro.
Tendo o controle fiscal como prioridade, o ministro disse que não serve ao país forçar o crescimento econômico. “Não adianta forçar o crescimento rápido. É melhor crescer menos de maneira sustentável”, argumentou Guedes. Crescer mais rápido, na avaliação do ministro, seria “crescimento artificial”.  Segundo Guedes, o primeiro “ato” para controlar os gastos públicos foi a reforma da Previdência, que se preocupou em reduzir “privilégios”. O “último ato” foi o envio da proposta de emenda constitucional do Pacto Federativo, que descentraliza recursos públicos obrigatórios e vinculados.

Guedes também chamou a reforma previdenciária de “primeiro ataque” ao excesso de gastos, que, segundo ele, chegou a 45% do Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto da produção de bens e serviços). O segundo ataque, disse o ministro, foi “ajudado pelo primeiro”, que foi a queda nas taxas longas de juros no mercado. Guedes lembrou que a taxa básica de juros (Selic, que remunera os títulos do governo no mercado financeiro e serve de referência para as operações no comércio e nos bancos) hoje está em 5% e está na “iminência” de cair “de novo”, mas destacou uma diferença em relação aos governos anteriores.

Ainda sobre a despesa do setor público, o ministro repetiu cálculos indicando que, em 2020, os gastos públicos com juros da dívida, por causa da redução das taxas, serão menores em R$ 96 bilhões. De acordo com Guedes, o valor equivale a três vezes o orçamento do programa Bolsa-Família.

Saneamento 

Guedes destacou que o setor de saneamento no Brasil tem despertado o interesse de investidores estrangeiros e que existem “trilhões” à espera de projetos, que deverão sair do papel assim que for aprovado o novo marco regulatório do setor, atualmente em tramitação no Congresso, segundo o ministro da Economia. 
    
 “De 10 perguntas que me fazem no exterior, sete são sobre saneamento. Existem trilhões esperando projetos no Brasil”, disse.

O próprio BNDES vai capitanear iniciativa para atrair esses investimentos. “O papel do BNDES é qualitativo; de escolher bons projetos, e não emprestar para campeão nacional ou para ideologia amiga”, afirmou, em referência, aos governos anteriores do PT. 

“Ou criamos bom ambiente regulatório para os investimentos privados acontecerem ou os brasileiros vão começar morrendo cedo”, disse Guedes. 

O ministro disse que o Brasil tem mais de 100 milhões de brasileiros sem saneamento e que resolver esse problema também significa preservar o meio ambiente, “que não é só floresta”.




O negócio é vender
O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a falta de recursos para investimentos está condenando a Eletrobras à morte, já que a estatal tem realizado apenas um terço do necessário para manter sua posição no mercado. “A Eletrobras precisava investir R$ 16,5 bilhões todo ano para manter a fatia de mercado. Hoje, ela tem capacidade máxima de R$ 3,5 bilhões. Ela está condenada à morte, é questão de tempo, vai desaparecer ou vira uma corporação”, afirmou.


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