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Estado de Minas

Financial Times questiona dados econômicos brasileiros

Referência da área econômica, jornal britânico ouviu especialistas que apontam 'incompetência' do Ministério da Economia por erros nos cálculos das exportações, o que desperta desconfiança no mercado internacional


postado em 04/12/2019 16:02 / atualizado em 05/12/2019 15:22

(foto: Carlos Nogueira/A Tribuna)
(foto: Carlos Nogueira/A Tribuna)
Duas recentes revisões dos números oficiais das exportações brasileiras lançaram dúvidas no mercado internacioanal sobre a confiabilidade dos dados do governo. O jornal britânico Financial Times – um dos maiores veículos especializados em economia do mundo – publicou nessa terça-feira uma reportagem com o título “Falha nos dados econômicos brasileiros desperta preocupações entre analistas”. Segundo a reportagem, as revisões “levantaram dúvida pela primeira vez sobre os dados brasileiros, vistos por muito tempo como um exemplo de transparência entre as nações emergentes”.

O texto aponta que o Ministério da Economia do Brasil corrigiu o valor total das exportações de novembro de “desapontadores” US$ 9,7 bilhões para “bem melhores” US$ 13,5 bilhões. O motivo seria um erro em registrar boa parte das declarações de exportadores nos últimos três meses.
 
A falha também teria prejudicado os cálculos dos números para setembro e outubro, que foram corrigidos depois pelo governo em cerca de US$ 1,35 bilhões cada. Antes das revisões, o resultado divulgado pelo governo era de deficit de US$ 1,099 bilhão. Depois da correção, a balança comercial passou a ter um superavit de US$ 2,717 bilhões

As mudanças se refletiram na cotação do dólar. Quando o resultado divulgado foi deficitário, a moeda norte-americana bateu R$ 4,22. Depois das duas revisões, o dólar fechou em R$ 4,21 e abriu a semana em queda. 

A reportagem ouviu o analista do grupo financeiro Goldman Sachs em Nova York, Alberto Ramos, que afirmou que “as pessoas certamente ganharam ou perderam dinheiro” com a confusão sobre os dados de exportação. Ramos disse acreditar que as correções foram resultado de incompetência ou negligência por parte do ministério da Economia brasileiro.
 
Porém, o ocorrido gerou preocupação sobre a confiabilidade dos dados econômicos brasileiros no mercado. O analista ainda afirma que o “superministério” de Paulo Guedes foi vítima de sua própria política de corte de gastos. “Como o setor público funciona quando as contas fiscais estão tão apertadas?”, questionou. 

PIB 'melhor que o esperado'

A reportagem também cita a divulgação de um PIB do terceiro semestre de 2019 “melhor do que o esperado”. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou que o PIB cresceu 0,6% no terceiro trimestre comparado com o segundo, e 1,2% se comparado com o mesmo período de 2018. 

O economista-chefe para a América Latina do ING Financial Markets, de Nova York, Gustavo Rangel, ouvido pelo FT, aponta que o bom resultado do PIB parcial levantou “dúvidas entre alguns analistas devido a um número extraordinariamente grande de estoques de empresas, um indicador negativo para a atividade econômica”.
 
Rangel afirmou acreditar que é possível que parte desses estoques tenham de fato sido exportados, mas não há como ter certeza. Como os resultados das exportações levados em consideração no cálculo do IBGE não contêm os dados revisados da Balança Comercial, é possível que haja uma nova correção. 

Pelas redes sociais, políticos e partidos de oposição ao presidente Jair Bolsonaro repercutiram a reportagem do Financial Times. As conclusões dos especialistas ouvidos pelo jornal foram tratadas como “graves”, e resultado de um governo que administra o país através de “fake news”. O assunto foi um dos mais comentados no Twitter nesta quarta-feira. 


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