Publicidade

Estado de Minas IMÓVEIS

Porque a nova linha de financiamento da casa própria vai baixar o valor das prestações

A Caixa lançou crédito imobiliário atrelado ao IPCA, índice que mede a inflação, que tem taxas de juros menores do que a TR, usada hoje para reajustar os contratos. Mas consumidores precisam ficar atentos, porque contratos são de longo prazo e estão sujeitos a eventuais crises econômicas, o que pode encarecer as prestações.


postado em 21/08/2019 04:00 / atualizado em 20/08/2019 23:25

Nova forma de empréstimo reduz custo do dinheiro e pode facilitar aquisição de imóveis, estimulando a construção civil e a economia(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 1/5/15 )
Nova forma de empréstimo reduz custo do dinheiro e pode facilitar aquisição de imóveis, estimulando a construção civil e a economia (foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press %u2013 1/5/15 )
Brasília – O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, afirmou ontem que a nova linha de crédito imobiliário lançada pelo banco, que será indexada ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), terá taxas variando de 2,95% a 4,95% ao ano. Para esses contratos, a atualização monetária será feita por meio do IPCA – e não mais pela Taxa Referencial (TR), utilizada nos contratos mais antigos. Hoje, as taxas dos contratos da Caixa indexados à TR possuem juros variando entre 8,30% e 9,95%, citou Guimarães.
 
“Vamos manter linhas atuais e vamos oferecer linha nova, com o IPCA”, disse Guimarães durante o anúncio. Segundo ele, com a adoção do IPCA, haverá queda de 35% no valor da prestação no caso de um financiamento com taxa mais cara (4,95%). Isso na comparação com os contratos tradicionais, ligados à TR. No caso de contratos com taxa mais barata (2,95%), a queda no valor da prestação foi estimada em 51%.
 
“Acreditamos que a linha corrigida pelo IPCA é o futuro”, disse Guimarães. De acordo com o banco, os contratos com financiamento indexado ao IPCA serão aplicados em novos contratos no Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) e no Sistema Financeiro de Habitação (SFH). Os contratos indexados ao IPCA terão prazo de 360 meses e financiamento máximo de 80%. O presidente Jair Bolsonaro (PSL) participou do lançamento do IPCA para Crédito Imobiliário. Segundo a Caixa Econômica Federal (CEF) a nova linha de crédito imobiliário é indexada ao IPCA, que acumulou alta de 3,22% em 12 meses encerrados em julho.
 
A taxa mínima para imóveis residenciais enquadrados no Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) será de IPCA mais 2,95% ao ano e a taxa máxima será de IPCA mais 4,95% a.a. As taxas valem para novos contratos e já estarão vigentes a partir de segunda-feira. O prazo máximo é de 360 meses com quota máxima de financiamento de 80%. As simulações podem ser feitas no site da Caixa e a decisão da correção será do cliente.
 
Bolsonaro havia adiantado a medida em uma live realizada na semana passada pelas redes sociais, ao lado do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães. Segundo Guimarães, a alternativa de financiamento imobiliário representa uma revolução no mercado. “Acreditamos que terá impacto no crescimento econômico dos próximos anos. Vai ter mais emprego, mais crédito e movimentará a economia”, diz.
Na sexta-feira, o Banco Central divulgou uma nota afirmando que “A alteração é mais um passo para tornar o mercado imobiliário menos dependente dos recursos dos depósitos de poupança e do FGTS, permitindo a contratação de operações que podem servir de lastro de instrumentos negociados no mercado de capitais, como os certificados de recebíveis imobiliários e as letras imobiliárias garantidas. A medida deve favorecer a ampliação das modalidades de financiamento imobiliário disponíveis aos consumidores, o aumento da concorrência entre os agentes financeiros e a redução das taxas de juros”, disse o Conselho em um trecho do documento.
 
Outros bancos O diretor executivo e de Relações com Investidores do Bradesco, Leandro Miranda, disse que o banco não teria nenhum problema de oferecer crédito imobiliário com taxas baseadas no IPCA como referência. O problema é se o mutuário gostaria de assumir o risco inflacionário por um período tão longo. Ele questiona se 12 anos atende o cliente, já que o valor da prestação ficaria elevado, e, no caso da oferta de 20, 30 anos, como é mais comum para o crédito imobiliário, o mutuário gostaria de se comprometer com a inflação por um período tão longo.
 
Mesmo no prazo de 12 anos, segundo Miranda, que ainda não havia tomado conhecimento diretamente do anúncio da Caixa, haveria um risco inflacionário que o brasileiro talvez não queira tomar. “Para nós, bancos, faríamos sem problemas, mas não sei se o cliente gostaria de 12 anos. Para nós acho viável porque tem proteções de inflação através de derivativos. Se quiser transformar a taxa em fixa você tem possibilidade de securitizar essa carteira de 12 anos junto a fundos de pensão e companhias de seguro. Mas atende o consumidor?”, questiona Miranda. “Vamos primeiro entender o regulamento (anunciado ontem). Nós temos capacidade de prover todo e qualquer produto bancário no Brasil, se tiver demanda a gente pode fazer a inflação por 12, 20, 30 anos”", afirmou o executivo. “Não temos necessidade de limitar a 12 anos porque temos capital robusto”, concluiu.

No prazo Já o Banco do Brasil anunciou ontem novas taxas para financiamento imobiliário, com juros mais baixos para prazos de financiamento menores. A mudança é válida para as linhas do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e Carteira Hipotecária (CH). Em nota, o banco explica que as taxas de juros passam a considerar o prazo da operação escolhido pelo cliente, ou seja, quanto menor o prazo, menor será a taxa. A menor taxa de financiamento imobiliário no BB, destaca a instituição, passa a ser 7,99% ao ano. O banco lembra que nas linhas SFH e CH, o cliente também conta com os diferenciais de carência de até seis meses e a possibilidade de pular a parcela um mês por ano.

Análise da notícia 

Juro menor e risco maior

Marcílio de Moraes

A decisão da Caixa Econômica Federal de lançar novas linhas de financiamento imobiliário atreladas à inflação vai beneficiar bancos e construtoras e também os clientes, com custo mais baixo. Mas os consumidores têm de ficar atentos. Com custo menor para quem vai financiar a casa própria e a perspectiva de inflação baixa no longo prazo, a decisão do banco que controla o mercado é mais barata para os tomadores de crédito, mas como os contratos para compra de imóvel são de longo prazo, a correção pela inflação é um risco para os clientes. Uma turbulência interna ou externa pode afetar os preços e a alta do IPCA vai impactar diretamente a prestação da casa própria. Para as construtoras a linha significa uma oferta maior de dinheiro para o setor. Para os bancos há garantia, uma vez que a correção é pelo índice de preço acrescido de juros.


Publicidade