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Estado de Minas NOVA FUSÃO NO HORIZONTE?

Controle da Via Varejo está cada vez mais perto de Michael Klein

Leilão das ações que hoje pertencem ao GPA está marcado para amanhã. O filho do fundador da Casas Bahia já garantiu o pagamento de R$ 4,75 por ação, mas não revelou se terá sócios


postado em 13/06/2019 04:09 / atualizado em 13/06/2019 08:51

Se comprar as ações da Via Varejo, Michael Klein vai precisar de fôlego até que a economia brasileira dê sinais de recuperação (foto: Sérgio Neves/Casas Bahia/Divulgação)
Se comprar as ações da Via Varejo, Michael Klein vai precisar de fôlego até que a economia brasileira dê sinais de recuperação (foto: Sérgio Neves/Casas Bahia/Divulgação)

São Paulo – Michael Klein, filho de Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, conseguiu arregimentar alguns fundos de investimento e agora está perto de conseguir o controle da Via Varejo, da qual também fazem parte Ponto Frio, Bartira, as operações digitais do Extra e do Barateiro, além da VVAtacado.

Ontem, foi confirmado que o Conselho de Administração do GPA (controlado pelo Casino) aprovou a venda de suas ações na Via Varejo, num total de 36,27% de papéis. A oferta será feita por meio de leilão na B3, a bolsa paulista, marcado para amanhã, com intermediação do Itaú.
A decisão foi tomada depois que Klein comunicou por meio de carta que, caso a companhia venda os papéis que possui na varejista, o empresário, sozinho ou em conjunto com outros investidores, fará a oferta de até R$ 4,75 por ação.

Se o negócio chegar a esse valor, o desembolso chegará a R$ 2,2 bilhões. Ao lado de Klein, estariam fundos como Starboard, Apolo, além da XP Investimentos. Atualmente, a família Klein detém 25,43% do capital da companhia. O valor proposto por Klein corresponde a 5% de desconto sobre a cotação da última terça-feira, de cerca de R$ 5. Essa pode ter sido uma das razões para que os investidores não comemorassem a notícia do leilão dos papéis, levando a uma queda de 3,20% nas negociações de ontem.

Um dos principais motivos para o mau humor em relação ao anúncio do GPA foi, na avaliação de Álvaro Frasson, analista sênior da Necton, a falta de clareza, ao menos por enquanto, sobre o que Klein pretende fazer com a Via Varejo quando assumir o seu controle.
Para os investidores, a falta de informação sobre o que esperar da Via Varejo quando seu controle mudar de mãos leva a imaginar, por exemplo, como poderá ser a briga da empresa com o principal varejista do país nos últimos anos, o Magazine Luiza.

“Apesar de Klein ter um histórico de sucesso com a Casas Bahia, com a possível recompra da Via Varejo a companhia poderá voltar a ser o que era, pertencente a um dono. Não foi apresentado até agora um planejamento muito claro do que vai ser o futuro da companhia”, avalia Frasson.

O especialista prossegue. “Não dá para pensar no mesmo modelo de negócio do passado, ainda que tenha projetado a Casas Bahia como projetou”, alerta o analista da Necton. A rede varejista ficou conhecida e ganhou força nacional com suas vendas com pagamentos feitos no carnê, com parcelas a perder de vista, em uma época em que o cartão de crédito não era tão popular como hoje, a concentração bancária era enorme e não se falava de palavras como fintechs e bancos digitais.

Enquanto a Via Varejo, aos poucos, foi avançando com a inclusão em sua operação de novas tecnologias para aumentar os ganhos no negócio e aumentar as facilidades para os clientes, o Magazine Luiza abraçou as ferramentas de inovação no varejo sem medo de errar e se tornou uma das empresas “queridinhas” do mercado de capitais, com alta valorização de seus papéis na B3.

Se o possível negócio não foi interpretado como uma boa saída para a Via Varejo, há uma percepção diferente em relação ao GPA e ao próprio Klein – que ofereceu um valor abaixo do que vinha sendo negociado. No caso do GPA, avalia Frasson, a decisão de leiloar as ações que detém na Via Varejo estão alinhadas com a decisão do Casino de sair do capital da empresa.

A intenção de se desfazer da participação na empresa foi anunciada no fim de 2016. Alguns nomes de interessados foram ventilados desde aquela época, mas só agora o negócio parece entrar na sua reta final. Além de cumprir sua meta de desmobilização, a companhia vai poder contar com uma boa injeção de recursos ao se desfazer desses papéis para se voltar exclusivamente à sua vocação, o varejo de supermercado.

Ao comprar as ações da Via Varejo agora, Klein vai precisar de fôlego até que a economia brasileira dê sinais de recuperação – o que só é esperado para depois da aprovação das reformas propostas pelo governo.

“Isso acaba sendo uma vantagem, porque o momento econômico é muito fraco e isso vem refletindo no varejo. Eles assumem a empresa num momento de baixa. Mas por que não imaginar que com a aprovação das reformas possamos esperar para daqui a uns cinco anos uma queda no desemprego de 13% para 6%? Isso vai ter reflexo direto nos números do varejo”, explica o analista da Necton.
Procuradas, as assessorias da Via Varejo e de Michael Klein informaram que as únicas informações que poderiam ser divulgadas foram as apresentadas por meio de fato relevante.




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