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Estado de Minas

Conheça os planos da startup vegana que envolve Bezos e Lemann

A NotCo, uma foodtech criada no Chile, tem hoje uma maionese feita com grão de bico, prepara o aumento do seu portfólio de produtos e o início da produção industrial no Brasil


postado em 04/06/2019 06:00 / atualizado em 04/06/2019 07:54

Matías Muchnick (d), ao lado dos sócios da NotCo: meta é abrir capital na Nasdaq (foto: NotCo/Divulgação )
Matías Muchnick (d), ao lado dos sócios da NotCo: meta é abrir capital na Nasdaq (foto: NotCo/Divulgação )

São Paulo – A oferta de produtos veganos, mais variados e com melhor sabor, tem crescido em muitos países. Tanto que recentemente, pela primeira vez, uma empresa desse setor, a americana Beyond Meat, abriu capital na Bolsa de Nova York. Mas há outras companhias com o mesmo plano de chegar ao mercado de capitais e distribuir seus produtos pelo mundo.

Uma delas é a foodtech chilena, começou a vender sua maionese, NotMayo, feita a partir de grão de bico nas lojas do Pão de Açúcar, do GPA, em abril, e agora se prepara para nacionalizar sua produção e aumentar o portfólio. Para isso, já conta com alguns executivos brasileiros.

A NotCo foi fundada em 2015 por Matías Muchnick, Karim Pichara e Pablo Zamora. Os três passaram por universidades americanas – Harvard e Universidade da Califórnia – e não consomem produtos de origem animal.

Segundo Muchnick, a decisão de vir para o Brasil foi tomada por conta do tamanho do mercado, que tem visto, assim como em outras grandes economias, o interesse crescente de multinacional do setor de alimentos por companhias que atuam no segmento dos produtos mais saudáveis.

“Se o produto é bom, mais natural e conveniente, os brasileiros vão comprar”, aposta o empreendedor. O preço não chegou a ser um problema nas primeiras exportações para o Brasil, já que sua maionese de grão de bico não tem a pressão do preço dos ovos, que impactam em cerca de 48% no custo de produção do alimento não vegano.

Hoje, a produção da maionese da NotCo, diz Muchnick, chega a 100 toneladas por mês, com uma unidade fabril que funciona nos três turnos para levar a marca para as prateleiras de redes como Walmart e Cencosud, no Chile. Segundo o fundador, hoje a marca já tem 10% de participação no mercado chileno de maionese, onde o consumo per capita chega a quatro quilos por ano. “Aqui se coloca maionese em tudo”, brinca o sócio.

A NotMayo, da Chilena NotCo, já é vendida em redes de supermercados brasileiros e vai ser fabricado no país(foto: Divulgação/NotCo NotMayo)
A NotMayo, da Chilena NotCo, já é vendida em redes de supermercados brasileiros e vai ser fabricado no país (foto: Divulgação/NotCo NotMayo)


Diante do tamanho do mercado brasileiro e depois de analisar os custos de produção local e compará-los com os do Chile, os empreendedores decidiram fabricar a maionese por aqui. Além disso, vão incluir na linha de produtos um tipo de leite vegetal (a matéria-prima por enquanto não é revelada) e sorvetes dentro de três meses. Ao mesmo tempo que vai passar a fabricar no Brasil, a NotCo começará a exportar para a Argentina e o México.

Mas em boa medida esse movimento da NotCo de desembarcar no Brasil e começar a produzir nacionalmente só foi possível depois de algumas rodadas de investimento.

Dinheiro de bilionárioas


Em março, depois de rodadas anteriores de investimento, a foodtech levantou US$ 30 milhões graças a participação da The Craftory, da Bezos Expeditions (fundo familiar do bilionário Jeff Bezos, dono da Amazon), do fundo Kaszek Ventures, que foi criado pelo GP Investments por uma de suas subsidiárias, em 2018, para ser uma empresa de bens de consumo que apoia “marcas disruptivas”. São fundadores do GP Investments os brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlo Alberto Sicupira e Marcel Telles, sócios da 3G Capital – que por sua vez detém marcas como Burger King e Kraft Heinz.

Também entrou nessa rodada de investimento o fundo Maya Capital, que tem Lara Lemann, filha de Jorge Paulo, como uma das sócias. Desde a sua fundação, a NotCo recebeu ainda US$ 250 mil da aceleradora de biotecnologia Indiebio, do Vale do Silício, que entrou com o valor, seguida por mais US$ 3 milhões aportados pelos fundadores do Mercado Libre. “Seremos a primeira companhia chilena na Nasdaq”, avisa Muchnick, animado com os primeiros resultados da vegana Beyond Meat, que em menos de um mês multiplicou seu valor em bolsa por quatro.

No radar de Muchnick, está o plano de ser uma empresa com potencial global de vendas. E o empreendedor acredita que a NotCo levará vantagem em relação a gigantes que tentam nos últimos anos fazer um movimento em direção à alimentação saudável, como o McDonald’s com suas saladas e maçãs. “Nós já nascemos com esse conceito e esse é o tipo de percepção que não se muda na cabeça do consumidor.”

Na atual etapa, o Brasil, segundo Muchnick, é mercado prioritário. “Será em seis meses o maior mercado para a NotCo, mas queremos que seja uma companhia latino-americana”. Para ganhar volume, o empreendedor sabe se a exclusividade com o Pão de Açúcar não terá vida tão longa. No entanto, ele não antecipa com quais redes está negociando.

Recentemente, um deputado do PSL, partido de Jair Bolsonaro, protocolou na Câmara um projeto de lei (PL) para que seja proibido o uso do termo “carne” para produtos de origem vegetal, como “carne de soja’. Segundo Nelson Barbudo (MT), que é produtor rural, expressões como bife, hambúrguer, filé, bacon e linguiça somente devem ser usados quando se referirem a “tecidos comestíveis de espécies de açougue, englobando as massas musculares, com ou sem base óssea, gorduras, miúdos, sangue e vísceras, podendo os mesmos ser in natura ou processados”. Sua justificativa é que o termo “carne” para produtos de origem vegetal induz o consumidor ao erro.

“Politicamente não me parece adequado. Essa decisão deveria valer por exemplo para produtos processados, que levam ingredientes como a soja e suas embalagens apontam que são carne de origem animal. Carne é um conceito, por isso estou de acordo desde que a lei se aplique para todos”, opina o empreendedor.

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