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Estado de Minas

Executivo de grupo sócio da Usiminas aposta em recuperação do Brasil

Executivo do grupo japonês defende mecanismo bilateral para estreitar relações com o país


postado em 31/03/2019 06:00 / atualizado em 01/04/2019 15:34

"Reiteramos nosso foco na produtividade, na boa gestão financeira da Usiminas e acreditamos no potencial da demanda brasileira por aço" (foto: Marcos Vieira/EM/D.A Press)


A despeito do cenário conturbado que se abateu nos primeiros meses do governo de Jair Bolsonaro sobre as relações comerciais do Brasil com antigos parceiros no exterior, os investidores japoneses dão crédito ao Palácio do Planalto e esperam ambiente de negócios mais favorável. Atuando há mais de 60 anos no país, o grupo siderúrgico Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation, o maior do Japão, e um dos principais acionistas da Usiminas, propõe a criação de mecanismo bilateral para estreitar os negócios.

Às vésperas de sua partida de volta ao Japão, na semana passada, Kazuhiro Egawa, executivo que respondeu nos últimos dois anos pelos ativos da Nippon nas Américas, disse ao Estado de Minas que “os investidores esperam ambiente de concorrência justa, na qual as ações e decisões administrativas sejam previsíveis e oportunas”. Segundo Egawa, que teve participação decisiva no acordo que pôs fim à longa disputa judicial do grupo japonês com seu sócio, o conglomerado ítalo-argentino Terniun/Techint, pelo comando da Usiminas, no Vale do Aço, a relação com terras tupiniquins não muda.

“A visão da Nippon Steel é continuar contribuindo para o crescimento da Usiminas e da economia e indústria brasileiras.” Nesta entrevista ao EM, ele fala dos rumos da siderúrgica mineira e dos novos tempos da Nippon a partir de abril.

Há pouco mais de um ano, o Sr. dizia que a Nippon esperava o retorno da Usiminas à lucratividade, o que já ocorreu, e à posição de melhor empresa do setor no Brasil. Quais são os planos?

Começamos o ano de 2019 com confiança. Reiteramos nosso foco na produtividade, na boa gestão financeira da Usiminas e acreditamos no potencial da demanda brasileira por aço. Os últimos resultados da empresa mostraram que estamos no caminho certo. A Usiminas está preparada para atender a essa demanda. Portanto, há espaço para crescimento neste promissor mercado, mas também queremos avançar na sustentabilidade, nas ações de responsabilidade social, na geração de emprego e renda e na participação ativa no mercado internacional de aço. Os planos são de continuidade, busca de melhoria e manutenção da posição de liderança no segmento de produção e comercialização de produtos siderúrgicos.

A Nippon já discute a nomeação do sucessor de Sérgio Leite, após 2022, na presidência da Usiminas, como prevê o acordo firmado com sua sócia, a Ternium/Techint?

Estamos agora nos concentrando em apoiar a gestão atual junto com a Ternium. Nosso pensamento está focado no que é melhor para o interesse da Usiminas. Em uma perspectiva de longo prazo, em conjunto com a Ternium, acreditamos que o crescimento virá da parceria e colaboração entre os acionistas, bem como dos investimentos em tecnologia de produtos e produção.

Diante dos dois anos em que o Sr. dirigiu os negócios da Nippon para as Américas, como avalia a situação em que deixa o Brasil e as perspectivas do país, com os novos governos de Jair Bolsonaro e Romeu Zema?


Estamos otimistas com as novas direções que visam ao reaquecimento da economia e à expansão do setor produtivo no âmbito regional e nacional. O Brasil é um país com recursos abundantes e grande potencial de crescimento. É como um leão adormecido que, para acordar, precisa consolidar melhorias no sistema tributário, em infraestrutura e ter mais agilidade nas decisões judiciais. Os investidores esperam um ambiente de concorrência justa no qual as ações e decisões administrativas sejam previsíveis e oportunas. No caso dos investidores japoneses, ajudaria um mecanismo bilateral para representantes do governo e das comunidades empresariais discutirem como melhorar o ambiente de negócios do Brasil e do Japão. Do ponto de vista da produção de aço, vejo o país como tendo um grande potencial. Se compararmos o consumo de aço per capita do Brasil com países desenvolvidos, poderíamos aumentar a produção local em cinco vezes. Todos ganhariam, inclusive o estado de Minas Gerais.

Como se sente depois da participação fundamental no acordo de paz na Usiminas?


Como diretor da Nippon Steel & Sumitomo Metal para as Américas, uma das minhas missões foi resolver o impasse, uma grande responsabilidade. Concluímos esse trabalho com sucesso porque a Nippon Steel e a Ternium entenderam que o mais importante era colocar a Usiminas em primeiro lugar. No acordo, foram definidos pontos que fecharam a lacuna, como a alternância para a nomeação do presidente e do presidente do conselho de administração, a composição da diretoria-executiva e a cláusula de saída. Esse acordo histórico ainda pôs fim a todas as ações judiciais.

A Nippon mantém a decisão de não deixar a Usiminas e o Brasil?

A chegada da Nippon Steel ao Brasil e a Minas Gerais em particular foi um evento histórico para o Japão e a Nippon. São mais de 60 anos de história que, para nós, é uma fonte de orgulho e honra. O Brasil é um grande parceiro para o Japão, com quem temos uma longa história de amizade. Essa relação não muda e as indústrias japonesas estão entre os maiores investidores do país. A visão da Nippon Steel é continuar contribuindo para o crescimento da Usiminas e da economia e indústria brasileiras. Do ponto de vista privado, passei dois maravilhosos anos vivendo com brasileiros e a cultura do país. Foram momentos muito intensos de alegria, e fiz amizades verdadeiras aqui; uma experiência que enriqueceu minha vida profissional e pessoal.

O que muda para a companhia em abril?

A Nippon Steel & Sumitomo Metal Corporation, incluindo suas subsidiárias consolidadas, passa a se chamar Nippon Steel Corporation. No Brasil, a Nippon Steel & Sumitomo Metal Steel Empreendimentos Siderúrgicos se transforma em Nippon Steel South América do Sul. A empresa continuará a crescer nos próximos anos por meio das consolidações com Nisshin e Sanyo, outras siderúrgicas japonesas. Por isso, escolheu um nome mais abrangente e fácil de explicar que nossa empresa é japonesa (Nippon), e visa ao crescimento contínuo e global. Retorno ao Japão para assumir o cargo de CEO da Kurosaki Harima Corporation. A empresa, listada na Bolsa de Valores de Tóquio, fabrica refratários de cerâmica no Japão, Índia, China e Europa.

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