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Estado de Minas

Gigante chinesa na fabricação de celulares volta ao Brasil

A fabricante Huawei confirmou que, apesar do fracasso na parceria com a brasileira Positivo, vai retornar ao país com o lançamento de seus aparelhos mais sofisticados


postado em 27/02/2019 06:00 / atualizado em 27/02/2019 08:05

A Huawei chegou a fabricar telefones celulares no Brasil entre 2013 e 2014, mas o negócio não deslanchou(foto: DIVULGAÇÃO )
A Huawei chegou a fabricar telefones celulares no Brasil entre 2013 e 2014, mas o negócio não deslanchou (foto: DIVULGAÇÃO )

São Paulo – Segunda maior fabricante de celulares do mundo, atrás apenas da Samsung, a chinesa Huawei está decidida a retornar ao mercado brasileiro com seus aparelhos mais avançados, quase cinco anos depois de zarpar do país. A informação, divulgada ontem a jornalistas pela executiva Gleice Rodrigues, diretora de relações públicas da empresa no Brasil, está movimentando o mercado de eletrônicos por aqui. Isso porque os celulares da marca são mundialmente conhecidos por serem os mais avançados e resistentes entre as fabricantes chinesas, como ZTE e Xiaomi.

Além disso, a Huawei passou a ser uma rival direta da americana Apple no ano passado, depois de tirar a vice-liderança global da companhia fundada por Steve Jobs. “Pelas pesquisas que temos, sabemos que o brasileiro ama tecnologia e entende que os nossos últimos lançamentos são o que há de melhor no mundo”, disse Gleice, durante o MWC 2019, em Barcelona, considerada a maior feira de tecnologia e celulares do mundo. “Por isso, devemos levar para o Brasil os tops do nosso portfólio.”

Entre as novidades que poderão vir ao Brasil estão os superprocurados Mate 20 Pro, que tem uma das melhores câmeras do mercado, o DxOMark, e o Nova 4, o mais barato da empresa, com furo na tela e câmera de 48 megapixels. Os detalhes da estratégia da empresa, no entanto, não foram revelados.

A Huawei também não se arriscou em cravar uma data para a sua estreia no Brasil. “Os próximos passos ainda estão sendo avaliados pela companhia”, disse a executiva ao portal Mobile Times. Segunda ela, a Huawei vem realizando pesquisas semanais para entender os hábitos dos consumidores no Brasil.

A Huawei chegou a fabricar telefones celulares no Brasil entre 2013 e 2014, mas não deslanchou em razão de seus aparelhos serem vistos como de baixa qualidade e com uma rede precária de assistência técnica. Em uma tentativa de voltar ao país, em meados do ano passado empresa fechou uma parceria com a curitibana Positivo. O acordo previa a importação dos aparelhos da China, mas a empresa brasileira ficaria responsável pela distribuição, vendas, marketing e suporte técnico. Antes mesmo de entrar em vigor, em dezembro, o acordo foi desfeito.

A volta da Huawei para o Brasil é peça-chave na estratégia global da companhia de atingir o objetivo de se tornar líder mundial de smartphones até 2020. Mas a empresa, acostumada em liderar em mercados menos complicados que o mercado brasileiro, terá de lidar com questões como alta carga de impostos e ausência de políticas de incentivo à sua instalação por aqui.

A tentativa da empresa de fazer sucesso globalmente faz parte de um esforço para limpar sua imagem desde que começou a sofrer ataques nos Estados Unidos. No mês passado, a Justiça americana acusou formalmente a Huawei se roubar segredos industriais da Apple. Segundo reportagem revelada pelo jornal digital The Information, de São Francisco, na Califórnia, a Huawei teria abordado diversos fornecedores da Apple para tentar roubar segredos industriais da companhia americana.

A publicação fala especificamente de um caso em que a chinesa teria tentado conseguir informações sobre o recurso de eletrocardiograma dos novos Apple Watch. A reportagem cita fontes que garantem que engenheiros que trabalham em um projeto de smartwatch da Huawei fizeram uma reunião com um fornecedor da Apple no ano passado. Na conversa, os engenheiros teriam tentado fazer com que o fornecedor vazasse especificações dos sensores de eletrocardiograma do novo Apple Watch em troca de grandes encomendas de peças.

Ainda de acordo com o The Information, há suspeitas de que representantes da Huawei teriam subornado funcionários das linhas de produção de fornecedores da Apple, pedindo para que eles desenhassem em papel alguns componentes sendo produzidos ali. Isso porque não é bem difícil contrabandear peças inteiras ou mesmo tirar fotos por conta do controle de segurança na entrada e saída desses espaços. A Huawei nega todas as acusações.


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