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Estado de Minas

Projeto social da Ambev dá lucro e mata a sede de áreas carentes

Com a marca de água mineral AMA, lançada há dois anos, a multinacional reverte todo o valor arrecadado para abastecer população atingida pela seca. Mais quatro estados serão beneficiados


postado em 25/01/2019 06:00 / atualizado em 25/01/2019 10:01

(foto: Ama/Ambev/Divulgação)
(foto: Ama/Ambev/Divulgação)

São Paulo – Em 22 meses desde o lançamento da água mineral AMA, a Ambev já conseguiu um lucro de R$ 3 milhões com o produto. Pode não parecer um número relevante nas contas da companhia e diante da sua relevância global nos negócios do setor de bebidas. Mas esse valor tem um destino muito mais valioso do que a cifra em si. Todo esse dinheiro vem sendo revertido para projetos de abastecimento de água da população do semiárido brasileiro.

A AMA foi lançada em março de 2017 como um projeto 100% social – o que quer dizer que a Ambev não embolsa nenhum lucro com a comercialização do produto. A água, produzida em parceria com a Lindoya, que tem uma fonte no interior paulista, é vendida em supermercados, restaurantes e bares nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, Pernambuco e no Distrito Federal.

A bebida tem todo o seu lucro destinado àqueles que sofrem com a falta de água e moram em comunidades rurais de Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco e Piauí. Até fevereiro, serão incluídos no programa mais quatro estados, completando o atendimento ao semiárido: Alagoas, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Por meio de nota, a diretora de sustentabilidade da Cervejaria Ambev, Carla Crippa, admite que o desafio desse projeto é muito grande, mas “não podíamos ficar de braços cruzados diante dessa realidade. Sabemos que um importante passo já foi dado para mudar a realidade dessas pessoas”.

O lucro obtido com a venda a AMA é repassado a 29 projetos, realizados em parceria com a Fundação Avina, uma ONG voltada a trabalhos de desenvolvimento sustentável. As comunidades são escolhidas a partir de um diagnóstico que identifica a causa principal do problema de abastecimento de água e aponta como ajudar.

As soluções passam pela perfuração de poços para a captação de água, instalação de placas solares para reduzir o custo de distribuição de energia (necessária para bombear a água), a recuperação de sistemas de distribuição de água e a construção de cisternas em escolas.

O projeto inclui ainda capacitações para as comunidades em áreas como meio ambiente, recursos hídricos, manejo de hortas e sistemas de reúso. Além da ONG, a implementação das soluções conta com o apoio de parceiros locais e das comunidades. Foi a forma encontrada de aumentar o engajamento e ampliar o aspecto educacional e alertar para a necessidade de utilizar bem esse recurso natural. Segundo a diretora da Ambev, o acesso a água vai além de ter o que beber, “tem o potencial de transformar a saúde, a educação, as relações sociais e a situação econômica dessas famílias”.

Filipe Barolo, gerente de sustentabilidade da Ambev, explica que o principal objetivo é garantir a sustentabilidade do projeto nas comunidades beneficiadas. “Se o suporte for contínuo, a comunidade não vai conseguir se desenvolver. O nosso sonho é que se desenvolva com as próprias pernas”, explica.

SEMENTE  O projeto da AMA começou a ser desenvolvido no final de 2015. Primeiramente, a mobilização aconteceu dentro da Cervejaria Ambev, depois incluiu uma parceria com o Yunus Corporate Action Tank, promovido pela Yunus Negócios Sociais, uma organização internacional que estimula as empresas a desenvolverem empreendimentos que nasçam para resolver um problema social. A Ambev usa toda a máquina de vendas, de marketing e de outras áreas de negócios para a AMA, conta o gerente da companhia.

Segundo Barolo, para garantir a transparência do negócio, todos os números são auditados trimestralmente pela consultoria KPMG. Além disso, o site da AMA (www.aguaama.com.br) apresenta informações do produto, a prestação de contas periódicas sobre o lucro obtido com as vendas (por meio do chamado “lucrômetro”), investimentos e andamento de cada projeto.


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