Publicidade

Estado de Minas

Grupo Cosan lança sua própria fintech

Payly permite pagamentos por meio de QR Code e transferências de valores via celular. Expectativa da empresa é ter 1 milhão de clientes ativos já no primeiro ano de operação


postado em 08/01/2019 06:00 / atualizado em 08/01/2019 18:17

Postos Shell, nos quais a Cosan é sócia, já começaram a aceitar a Payly no interior de São Paulo (foto: Alfredo ESTRELLA/AFP 6/9/17 )
Postos Shell, nos quais a Cosan é sócia, já começaram a aceitar a Payly no interior de São Paulo (foto: Alfredo ESTRELLA/AFP 6/9/17 )

São Paulo – O Grupo Cosan está lançando a sua própria fintech, numa tentativa de um dos titãs da velha economia de experimentar, com a desintermediação financeira, um nicho cada vez mais competitivo. A Payly – junção de “pay” e “daily” – é uma carteira virtual que permite pagamentos por meio de QR Code e transferências via celular.fa

Inspirada nos modelos do Alipay e do WeChat, a plataforma faz com que o dinheiro circule dentro de seu próprio ecossistema. Como dispensa cartão de crédito ou débito para os pagamentos on-line, a Payly reduz o custo de transações ao eliminar bancos, bandeiras e credenciadoras do processo.

Na empreitada, a Cosan se associou ao grupo Manzat, do empresário Ernesto Corrêa Filho, o fundador da GetNet. Além de deter 25% da Payly, o Manzat também é dono do Banco Topázio, a financeira que fará a retaguarda bancária do negócio.

Num setor cada vez mais povoado, principalmente por empresas nativas de tech, a Cosan está apostando no seu relacionamento com clientes e fornecedores para gerar massa crítica no negócio. Ao todo, mais de 20 milhões de clientes são atendidos diariamente pelas empresas do conglomerado: os postos Shell (nos quais a Cosan é sócia por meio da Raízen), a Comgás e a Rumo.

Os postos Shell no interior de São Paulo já começaram a aceitar a Payly e o pagamento via app deve ser estendido para todo o território nacional ainda no primeiro semestre (a Payly opera como piloto desde setembro em praças como Piracicaba e Porto Alegre).

Apesar de usar sua própria base de clientes como ponto de partida, a Cosan não está apenas buscando uma solução para dentro da companhia, e sim tentando se adiantar à tendência dos pagamentos instantâneos, feitos via celular e sem a necessidade de cartões ou bancos tradicionais.

Na China, em média, os cidadãos costumam deixar apenas 30% do seu dinheiro no banco, enquanto os 70% restantes circulam via pagamentos móveis como WeChat ou Alipay.

A expectativa da Payly é ter 1 milhão de clientes ativos já no primeiro ano de operação. O cliente baixa o aplicativo, faz um cadastro on-line e cria uma conta vinculada ao número de celular. Com ele, pode fazer transferências para outros usuários em poucos cliques. O dinheiro troca de contas instantaneamente.

O pagamento é feito via um QR Code que aparece na tela do computador, do tablet ou do celular nos lojistas. O desafio inicial é aumentar a capilaridade e cadastrar uma rede de estabelecimentos comerciais que aceitem a modalidade de pagamento, ainda pouco conhecida no Brasil.

Para isso, a Payly tem uma carta na manga: vai cobrar do lojista uma taxa de apenas 0,1% da transação, contra percentuais que variam de 2,5% a 4,5% para o cartão de crédito e 0,8% a 1,2% no débito. O pagamento cai na hora. Nos primeiros contratos que firmou como piloto, a Payly já se comprometeu a não aumentar a taxa para mais de 0,6% mesmo quando (e se) a operação ganhar corpo.

“Sem todos os intermediários no caminho, o custo de operação é muito menor”, diz Juliano Prado, CEO da Payly, um ex-engenheiro da Shell que trabalha há oito anos na Cosan, onde já foi o chief operating officer (COO) da Raízen, cuidando da cana desde a terra até virar açúcar e etanol.

O CTO da Payly é Fabian Gaban, ex-Visa, onde era o diretor responsável pelas soluções digitais – como o Visa Checkout, uma solução de pagamentos móveis – e o COO é Fernando Matias, que foi general manager da Easy Taxi e da Cabify no Brasil.

A remuneração da Payly virá da taxa, mas principalmente do float (o retorno sobre o dinheiro que fica parado nas contas). O consumidor só paga uma taxa para transferir o dinheiro para outro banco, fora do ambiente da Payly.

A carteira digital também já nascerá permitindo saques. A Payly fechou um acordo com a Saque e Pague, uma empresa do grupo Manzat, que criou uma nova modalidade de caixas eletrônicos. Os ATMs são abastecidos pelo caixa dos próprios lojistas em cujas lojas as máquinas são instaladas – a Saque e Pague assume o risco de segurança do dinheiro. Por enquanto, há 1,5 mil caixas espalhados pelo Brasil.

Segundo o CEO, o principal potencial da Payly está no B2B. “Empresas gastam uma fortuna de TED e DOC para pagar funcionários e fornecedores todo mês”, diz Prado. “Com a Payly, elas vão reduzir drasticamente esses custos”.  A Cosan já planeja fazer o pagamento de seus funcionários pela plataforma.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade