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Estado de Minas

Recessão atinge voos domésticos no Brasil

Alta do combustível, variação de câmbio e outras dificuldades provocadas pela crise vêm contribuindo para a redução do número de passageiros nos aeroportos do país


postado em 17/12/2018 06:00 / atualizado em 17/12/2018 08:56

Entre 2015 e 2016, a queda no número de passageiros chegou a 17%(foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press 27/7/18)
Entre 2015 e 2016, a queda no número de passageiros chegou a 17% (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press 27/7/18)

O volume de passageiros atendidos por todas as empresas brsileiras de aviação comercial desabou desde 2014 para níveis do início desta década. Os dados de 2018 apontam para uma reação discreta. A exemplo da Avianca, a recessão atingiu em cheio também as outras companhias aéreas no país.

Para os próximos anos, o governo estima que a retomada será suficiente para levar à saturação dos maiores aeroportos do país, que já estão próximos de seus limites de operação, com potencial de trazer mais problemas ao setor.

A dificuldade do mercado ficou explícita no caso da Avianca, com a recuperação judicial anunciada na semana passada. O presidente, Michel Temer, liberou a participação estrangeira de 100% nas companhias brasileiras, na tentativa de atrair recursos. Para especialistas, a medida beneficia todo o setor, que é intensivo em capital.

"O mercado de aviação precisa de muito investimento", diz o advogado Guilherme amaral, sócio do escritório ASBZ e especialista em direito aeronáutico. "Um dos grandes desafios do Brasil sempre foi este: é difícil conseguir dinheiro aqui, e essa é uma das razões para as quatro companhias nacionais já terem participações estrangeiras há tempos", afirma.

O mercado doméstico cresceu até 2014, mas a recessão no país, iniciada no governo Dilma Rousseff (PT), chegou a causar queda de 17% em um ano no número de passageiros que pagam por seus bilheres, entre 2015 e 2016. A conclusão foi depurada no banco de dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que fornece informações de cada voo no Brasil.

VIAJANTES O dados, que cobrem de janeiro a agosto, representam passageiros que pagaram por suas passagens (exclui-se, por exemplo, quem usou programa de milhas. Estão contempladas Gol, Latam, Azul e Avianca Brasil. Pelos dados da Anac, o nível atual de transporte doméstico é semelhante ao patamar de 2001.

Nos primeiros oito meses deste ano ainda houve queda no número de passageiros em relação ao mesmo período de 2017. O ritmo da retração, porém, diminuiu para 2% – antes era de 6% – de 2016 para 2017. Com metodologia diferente, a Associação das Grandes Empresas Aéreas (Abear) aponta que o mercado atual recuou para o patamar de 2013, início de sua série histórica. Os dados da entidade mostram que o pior da crise ficou para trás, a despeito do susto provocado agora pela Avianca. Segundo a metodologia da Abear, que considera o total de passageiros transportados, há leve crescimento no número de viajantes entre janeiro e outubro de 2018 (3,4%) em relação ao mesmo período do ano passado.

O presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, estima que, neste ano, serão transportados 92 milhões de passageiros, acima dos 89,8 milhões de 2017, quando a crise já parecia estancada. Em 2014, o total ficou em 94,8 milhões.

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