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Estado de Minas ZUME

Futuro do delivery: pizzas montadas por robôs e assadas em caminhões

Na Califórnia, pizzaria recebe aporte de quase R$ 1,5 bilhão graças a um modelo inovador


postado em 04/12/2018 06:00 / atualizado em 04/12/2018 08:31

Cada um dos quatros robôs da Zume tem um nome: Pepe, Marta, Bruno e Vicenzo(foto: Divulgação )
Cada um dos quatros robôs da Zume tem um nome: Pepe, Marta, Bruno e Vicenzo (foto: Divulgação )

Nem Uber Eats, nem iFood. Na Califórnia, uma pizzaria faz o serviço completo: as pizzas são montadas por robôs e uma frota de caminhões assa as redondas no caminho da entrega. Quando o cliente abre a porta de casa, é como se abrisse a porta do forno.

 A Zume, que inventou o modelo de “pizza on wheels” (ou pizza sobre rodas), acaba de receber um aporte de US$ 375 milhões – quase R$ 1,5 bilhão – do Softbank. As notícias sobre o valor de mercado da empresa são desencontradas, mas o negócio fundado há pouco mais de três anos já é um unicórnio, como são chamadas as empresas anunciantes avaliadas em pelos menos US$ 1 bilhão.

 

Segundo o jornal americano The Wall Street Journal, o “valuation” da empresa é de US$ 2,25 bilhões, um salto impressionante em relação aos US$ 170 milhões conseguidos na primeira rodada de investimentos, no começo de 2017.

 Nascida em Mountain View, a poucas quadras da sede do Google, a Zume funciona como uma linha de produção. Por enquanto, quatro robôs fazem o trabalho repetitivo: colocar o molho de tomate na massa, espalhar, colocar a pizza no forno para que seja pré-assada e retirá-la. Achou impessoal? Cada robô tem um nome: Pepe, Marta, Bruno e Vicenzo.

 O processo ainda conta com gente de carne e osso. São seres humanos de verdade que abrem a massa, e um piz-zaiolo tem exatos 22 segundos para espalhar o recheio antes de as redondas seguirem para o forno. A ideia é que, ao longo do tempo, cada um dos processos possa ser feito por uma máquina.

 O molho do negócio, no entanto, vem na etapa seguinte: as pizzas pré-assadas vão para um caminhão equipado com uma série de fornos que terminam o cozimento ao longo do caminho.

 Os veículos têm uma tecnologia capaz de programar os fornos para começarem a funcionar quando o pedido estiver se aproximando do endereço de entrega, além de avisar o motorista qual o próximo destino e quando está na hora de abastecer. A pizza chega quentinha em casa e em velocidade recorde: o tempo médio de entrega é de 22 minutos.

 Enquanto a pizza em si parece não ter muito diferencial – diversas resenhas apontam que o produto é “sem gosto” e que a massa “parece um papelão” –, a tecnologia da cozinha itinerante é onde mora o verdadeiro sabor do negócio (e o que explica a valorização apimentada).

 Os caminhões, desenvolvidos em parceira com a Welbilt, uma fornecedora de equipamentos para cozinhas industriais, foram patenteados, e a Zume está pronta para vender a tecnologia para outros restaurantes interessados em utilizá-la. Ao todo, a Zume já tem mais de 1,5 mil patentes registradas.

 Em entrevista ao portal TechCrunch, Alex Garden, um dos fundadores (que já foi CEO da Zynga, de jogos online), disse que a cozinha itinerante pode ser adaptada para qualquer tipo de negócio. Ele cita padarias, rosquinhas e até mesmo a indústria de frozen yogurt (onde não seriam necessários fornos, e sim geladeiras) como potenciais clientes.

 Além dos veículos, a Zume quer dar ainda toda assistência, baseada em ferramentas de geolocalização e inteligência artificial, sobre o melhor lugar para que os restaurantes instalem suas cozinhas e a tecnologia para prever demanda e manejar estoques.

Expansão

 

A ideia é continuar o negócio de pizzas como operadora única, sem franquias ou joint venture, com o nome Zume Pizza – e o plano é expandir sua cozinha, que atende hoje apenas três localidades na Califórnia, para 26 outros pontos nos Estados Unidos. Não há atendimento em loja física, apenas delivery.

 A robótica tem invadido a indústria de food service, um negócio em que o custo de mão de obra representa uma das principais linhas de custo, especialmente em países desenvolvidos.

 Em São Francisco, a Creator oferece um hambúrguer feito inteiramente por máquinas e, em seguida, você pode tomar um café servido por um braço robótico na Cafe X. A Spyce, um restaurante de comida saudável fundado por quatro ex-estudantes do MIT, recebeu um aporte de US$ 21 milhões em setembro. Na cozinha totalmente automatizada, um sistema corta, separa e monta as porções.

 A Domino’s, conhecida por liderar a indústria de fast food quando o assunto é inovação, tem até um projeto-piloto de carro autônomo, também equipado com fornos, para fazer as entregas, bem como robôs que literalmente caminham pelas calçadas.

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