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Estado de Minas

Proposta pretende incluir queijarias de três regiões de Minas no circuito de queijo artesanal

Estudos sobre a produção de queijo minas artesanal propõem reconhecer queijarias do Triângulo, Centro e do Sul do estado


postado em 13/10/2018 06:00 / atualizado em 13/10/2018 18:23

(foto: Franciely Eduarda/Divulgacao)
(foto: Franciely Eduarda/Divulgacao)

Inspirados pelo sucesso da gastronomia de Minas Gerais e a valorização dos queijos artesanais, produtores da iguaria reivindicam a inclusão de outras regiões do estado nos circuitos reconhecidos de fabricação típica mineira.

O queijo Minas artesanal é encontrado em microrregiões caracterizadas e aceitas pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), com respaldo de estudos que avaliam o processo de fabricação e as características peculiares do local de origem, como a história, a economia, a cultura e o clima.


As áreas mais conhecidas são as de Araxá, Campo das Vertentes, Canastra, Cerrado, Serra do Salitre, Serro e Triângulo mineiro. Segundo o médico-veterinário e consultor na área de queijos minas artesanais Elmer Almeida, pelo menos três regiões do estado estão investindo em estudos para requerer destaque na produção do queijo minas artesanal de leite cru.

“Existem manifestações da região do Pontal do Triângulo, da região do entorno de Itabira e Guanhães e do Sul de Minas. Queijos artesanais são produzidos em todo o estado e quem recebe a manifestação é a Secretaria de Agricultura (SEAPA), que solicita à Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural), à Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais) e ao IMA a providência dos pedidos”, afirma o consultor da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg).


Os estudos até o reconhecimento de região produtora são longos e detalhados, depois de percebida alguma unidade na fabricação do queijão. São pesquisadas e caracterizadas as condições edafoclimáticas (clima, relevo, temperatura, a humidade do ar, tipo de solo e água, entre outros fatores que interferem na fabricação), e os produtores têm de arcar com o detalhamento referente ao contexto histórico, montando dossiês sobre os quais quem dá a palavra final é o IMA.


Elmer Almeida explica que existe uma vasta produção de requeijão moreno no Norte de Minas, Jequitinhonha e no Vale do Mucuri, Os estudos para caracterização deste tipo de queijo no estado estão ainda em andamento.

“Atualmente estão sendo feitos estudos no Noroeste de Minas para identificação e levantamento de informações sobre um queijo de leite cru produzido naquela região, que abrange os municípios de Unaí, Riachinho, Arinos, Bonfinópolis de Minas e Paracatu”, conta o consultor.

A pesquisa está em fase inicial, mas foi paralisada por falta de recursos. São parceiros neste levantamento o Sebrae, a Faemg, o Instituto Ernesto de Salvo (Inaes), vinculado à Faemg, e a Emater-MG.

Trata-se de um queijo quase sempre prensado mecanicamente, com alto teor de sal e que se presta mais ao uso culinário, na produção de pão de queijo, biscoitos e bolos.

Familiar

Com estudos já iniciados, mas também com pendências, estão os queijos de leite cru produzidos na Região chamada de Entre Serras. Essa área compreende, inicialmente, os municípios de Barão de Cocais, Santa Bárbara, Caeté e Catas Altas. Podem, ainda, fazer parte desta pretensa região os municípios de Bom Jesus do Amparo, Nova União e Taquaraçu de Minas.

“Bom Jesus do Amparo, Nova União e Taquaraçu de Minas requisitam entrar na região do Entre Serras, mas existem diferenças marcantes no terroir deles em comparação com os outros. A região do Entre Serras, primariamente, é entendida como a área entre a Serra da Piedade e o Santuário do Caraça.” Os estudos nessa região envolvem a experiência do Santuário do Caraça na queijaria.


Com base em informações do IMA, órgão estadual credenciado junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Minas conta, hoje, com cerca de 300 produtores mineiros cadastrados, aptos para a produção de queijo Minas artesanal.

O instituto considera queijo Minas artesanal somente aquele que mantém as características de produção artesanal, a partir de mão de obra familiar, com produção em baixa escala e uso de leite cru.

A Emater-MG estima que estejam trabalhando em Minas cerca de 30 mil produtores de queijos artesanais. Desse universo, cerca de 9 mil são de queijo minas artesanal em sete regiões tradicionais de fabricação, caracterizadas e reconhecidas. A produção total aproximada dessas regiões é de 50 mil toneladas por ano.

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